Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Hidrocefalia de pressão normal

FIGURA 2-31

 

Hidrocefalia de pressão normal O “sistema de canalização” do sistema nervoso central (SNC) opera em um

delicado equilíbrio. O fluido produzido no plexo coroide dos ventrículos

laterais circula através do terceiro ventrículo, aqueduto cerebral (de

Sylvius) e quarto ventrículo. Após sair do teto do quarto ventrículo, o

líquido cefalorraquidiano (LCR) circula ao redor do encéfalo dentro das

cisternas subaracnóideas e, finalmente, é absorvido pelas granulações

aracnóideas passando para a circulação sanguínea. Se for produzido mais

LCR do que absorvido, os ventrículos e o espaço subaracnóideo distendem-

se com o fluido. No adulto, esse desequilíbrio leva ao aumento dos

ventrículos, que então invadem a substância branca cerebral, especialmente

na região frontal.

Condições que sabidamente causam cicatrização das membranas pia-

aracnoide, como a infecção meníngea, hemorragia subaracnóidea ou

sangramento decorrente de trauma passado, podem causar hidrocefalia por

diminuir a eficácia na absorção do LCR. Na maioria dos idosos, a

hidrocefalia comunicante não tem uma causa facilmente identificável.

Embora possivelmente resulte da degeneração das granulações e

membranas aracnóideas, existem poucos estudos detalhados da estrutura

morfológica da aracnoide em pessoas normais ou em pacientes com

hidrocefalia. Como a pressão do LCR em geral está elevada na hidrocefalia

obstrutiva devido a tumor e, por razões incertas, se encontra na faixa

normal na hidrocefalia comunicante, o último distúrbio é chamado de

hidrocefalia de pressão normal.

A hidrocefalia de pressão normal geralmente se desenvolve em um

período de 6 a 12 meses, mas às vezes sua progressão é insidiosa ao longo

de alguns anos. As neuroimagens mostram aumento acentuado dos

ventrículos, muitas vezes com pouca ou nenhuma atrofia cortical.

 

Manifestações Clínicas

A maioria dos sintomas relaciona-se com aumento de tamanho dos cornos

anteriores (frontais) e perda de substância branca do lobo frontal e pode ser

descrita como a clássica tríade de demência, transtorno da marcha e

incontinência urinária.

1. Anormalidade da marcha: Os pacientes com hidrocefalia de pressão

normal têm significativas anormalidades na marcha, que muitas vezes é

descrita como “magnética” porque o início das passadas é difícil e os pés

parecem presos no chão.

2. Demência: O paciente mostra menos interesse pelo ambiente e parece

apático. A fala se torna menos espontânea, e as palavras são

resmungadas em uma voz com volume mais baixo que o normal.

Posteriormente, o paciente pode emudecer. Apesar da reduzida

quantidade de conversação, o vocabulário e a memória são preservados,

e as respostas a perguntas, embora sucintas, normalmente são corretas.

3. Incontinência: O paciente perde a capacidade de reter urina, apesar da

percepção normal da urgência e da necessidade de urinar. O rápido

curso; a proeminência da apatia e precoce disfunção motora, da marcha e

esfinctérica; bem como a lentidão da função de memória preservada e de

vocabulário contrastam com os achados na doença de Alzheimer.

 

Tratamento

A punção espinal com drenagem de fluido pode levar a melhora temporária

da marcha e do alerta. A administração de acetazolamida reduz a produção

de LCR e, portanto, pode melhorar o desequilíbrio entre produção e

absorção de LCR.

A cisternografia após introdução de um radionuclídeo por punção lombar

pode ser valiosa na avaliação de padrões de fluxo anormais de LCR.

Infelizmente, porém, não existe um teste definitivo para predizer de

maneira confiável se o paciente vai melhorar após a colocação cirúrgica de

um dreno ventricular.

As derivações (shunts) ventriculares parecem mais eficazes em pacientes

com a clássica tríade de sintomas, e nos quais o curso da demência foi breve

e é possível identificar a causa do distúrbio, como hemorragia

subaracnóidea passada. As complicações das derivações

ventriculoperitoneais em adultos incluem hematoma intracerebral ou

intraventricular durante inserção da sonda; infecção da derivação e do

espaço peritoneal; hiperdrenagem de LCR, que causa subsequente edema

encefálico para ocupar a lacuna, e colapso do manto encefálico fino com

ruptura das veias de união e formação de hematoma subdural. É alta a

incidência de infecção das derivações.

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