Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Doença de alzheimer: manifestações clínicas, fases progressivas

Doença de alzheimer: manifestações

 

clínicas, fases progressivas

Os estágios iniciais da doença de Alzheimer geralmente se caracterizam por

alterações cognitivas em múltiplos domínios de cognição, incluindo

memória, função executiva, linguagem e função visuoespacial. É

importante notar que, muitas vezes, essas alterações cognitivas são bem

compensadas e que os indivíduos ainda podem ser independentes em muitas

atividades na comunidade e seus sintomas podem não ser imediatamente

aparentes na conversação casual. As observações de um membro da família,

parente ou amigo que descrevam alterações cognitivas que interferem,

ainda que levemente, na função habitual do indivíduo é um indicador

sensível dos estágios mais precoces de DA.

1. Perda de memória: A característica clínica da DA é a perda de memória.

Os pacientes podem esquecer detalhes das conversações e eventos

recentes. Os membros da família frequentemente relatam que o paciente

faz perguntas repetidas ou repete histórias, até na mesma conversação.

Têm dificuldade em se lembrar de consultas, tomar as medicações e

tendem mais a perder objetos.

2. Disfunção executiva: A função executiva é definida aproximadamente

como a capacidade de organizar informações e perseguir os objetivos.

Em geral são observados problemas sutis na função executiva nos

estágios iniciais, ocorrendo problemas para planejar e organizar. Isso

pode se manifestar como dificuldade em administrar um talão de

cheques e as finanças domésticas, ou mais dificuldade em seguir uma

receita. Os pacientes têm mais dificuldade para tomar decisões e

solucionar problemas, sendo mais provável que recorram à ajuda alheia.

3. Diminuição da facilidade na linguagem: A comunicação pode ser menos

precisa que o normal e conter mais palavras “preenchedoras” e

elementos circunlocutórios. Os pacientes podem ter dificuldade em se

lembrar de nomes de pessoas e lugares, ainda que geralmente

mantenham a capacidade de entender e repetir a linguagem falada e não

cometer erros parafásicos, ao contrário dos pacientes com afasia

decorrente de acidente vascular encefálico.

4. Disfunção visuoespacial: Os pacientes podem ter problemas de

locomoção, ao dirigir veículos e, nos estágios iniciais, muitas vezes

restringem-se a dirigir em áreas mais familiares. Finalmente, a

desorientação espacial interfere na capacidade de se locomover até nos

lugares mais familiares, como na própria vizinhança.

À medida que a doença progride implacavelmente nos estágios

moderados, o maior declínio funcional reflete um envolvimento mais difuso

das regiões neocorticais. As crescentes dificuldades nas atividades

instrumentais da vida diária são proeminentes, como cozinhar, limpar e se

vestir. A apraxia, um distúrbio do movimento hábil apesar da força,

sensação e coordenação intactas, desenvolve-se à medida que a típica DA

progride, mas não é uma característica inicial proeminente. Pode se

manifestar como mais dificuldade no uso de ferramentas (como o uso de

talheres, uso da chave para abrir uma porta) e em se vestir na sequência

apropriada. As mudanças comportamentais podem ser proeminentes. Os

pacientes podem se tornar cada vez mais apáticos e menos interessados nas

outras pessoas e em seu ambiente. Também perdem o interesse pela leitura,

televisão e reuniões sociais. Dão menos atenção à apresentação pessoal e ao

vestuário, e até as pessoas anteriormente exigentes deixam sua casa, quarto

e pertences fora dos lugares e desorganizados, Ocasionalmente, ocorrem

comportamentos agitados ou beligerantes.

No estágio avançado de DA, os pacientes não conseguem realizar as

atividades simples da vida diária. Permanecem no leito, a não ser que sejam

ajudados a levantar e precisam de auxílio para as funções de se vestir,

comer e de toalete. Não podem se aventurar a sair sozinhos e se perdem,

mesmo em suas casas. Confundem noite e dia e desenvolvem incontinência

O curso da doença normalmente é de 7 a 12 anos. Na fase terminal, os

pacientes ficam presos ao leito, mudos e enrijecidos, sucumbindo por fim às

complicações médicas, como, pneumonia, urosepse ou úlceras de decúbito.