Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Tétano

FIGURA 11-11

 

Tétano A bactéria Clostridium tetani produz uma neurotoxina, tetanospasmina

(toxina tetânica), em feridas as quais contamina. A toxina tetânica penetra

no sistema nervoso central por meio de transporte axonal retrógrado em

neurônios motores, a partir de seu local de formação em uma ferida, até o

seu local de ação – os corpos celulares dos neurônios motores na substância

cinzenta ventral da medula espinal e tronco encefálico.

A toxina tetânica produz espasticidade através do bloqueio de liberação

de neurotransmissores inibitórios, glicina e ácido glutâmico descarboxilase

(GAD), a partir de terminais nervosos pré-sinápticos que fazem sinapse em

neurônios motores alfa na medula espinal e tronco encefálico. Com a perda

de estímulo inibitório, o neurônio motor inferior não inibido aumenta o

tônus muscular de descanso, produzindo rigidez. O tétano é dividido em

quatro formas clínicas: localizado, generalizado, cefálico e neonatal. O

período de incubação é definido como o tempo entre a inoculação de

esporos de C. tetani até o aparecimento do primeiro sintoma. O período de

incubação é seguido pelo período de início do tétano, o qual é definido

como o intervalo entre o primeiro sintoma até o primeiro espasmo reflexo.

O tétano localizado é limitado à extremidade na qual existe uma ferida,

bolha ou queimadura contaminada. A queixa inicial do paciente é rigidez

dos músculos na extremidade com movimento voluntário. Isto é seguido

pelo desenvolvimento de um espasmo contínuo ou rigidez no grupo de

músculos próximo à ferida. O tétano local pode permanecer restrito ao

membro ou pode se tornar generalizado. No tétano generalizado, o sinal que

se manifesta usualmente é o trismo (travamento mandibular), o qual é a

rigidez do músculo masseter, causando inabilidade de abertura da boca para

fala ou mastigação. Outro sinal inicial é o riso sardônico devido a um

aumento do tônus no músculo orbicular, causando um riso sarcástico. O

espasmo generalizado consiste de postura opistotônica com flexão e adução

dos braços, cerramento dos pulsos, e extensão das extremidades inferiores.

Os espasmos são frequentemente precipitados por estímulos externos e são

extremamente dolorosos. Espasmos repentinos dos músculos respiratórios

podem interromper a respiração por 10 a 20 segundos, e espasmos laríngeos

ou faríngeos podem obstruir as vias respiratórias, comprometendo a

respiração. O tétano cefálico envolve os músculos inervados por um ou

mais nervos cranianos e quase sempre ocorre posteriormente a um

ferimento na cabeça. O nervo facial é mais frequentemente afetado. O tétano neonatal tipicamente se desenvolve como resultado de infecção do

coto umbilical, e o sintoma que se manifesta usualmente é má alimentação.

A criança não consegue realizar sucção, e quando um dedo é colocado em

sua boca, sua mandíbula é cerrada fortemente. Isto é seguido de

envolvimento dos músculos de expressões faciais, riso sardônico e então

opistótono.

O tétano é de diagnóstico clínico. Quando há suspeita de tétano, deve-se

obter um histórico cuidadoso de imunização, pois o tétano é improvável se

o paciente recebeu uma série primária completa de injeções de toxoide com

doses de reforço a cada 10 anos. O diagnóstico é dependente do descarte de

outras doenças que possuem uma aparência similar ao tétano, incluindo

envenenamento por estricnina, uma reação distônica secundária a um

agente neuroléptico ou a um agente bloqueador de dopamina e raiva.

Reações distônicas são rapidamente revertidas com benztropina ou

difenidramina endovenosa.

Existem três objetivos no tratamento do tétano: (1) assegurar as vias

respiratórias e tratar os espasmos generalizados com benzodiazepinas, (2)

interromper a produção da toxina por desbridamento cirúrgico da ferida e

terapia antimicrobiana (o antibiótico mais frequentemente recomendado é o

metronidazol) e (3) imunização passiva com imunoglobulina humana contra

tétano (HTIG).