Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Distúrbios do espectro autista
FIGURA 1-28
Distúrbios do espectro autista Os distúrbios do espectro autista (DEA), também conhecidos como
transtornos difusos do desenvolvimento, são um grupo de problemas de
saúde mental em crianças e adolescentes, caracterizado por graves
comprometimentos em várias áreas do desenvolvimento, incluindo
comunicação, interação social e uma variedade de interesses e atividades.
As taxas de prevalência de DEA são estimadas atualmente em cerca de 1
em 110 crianças nos Estados Unidos. A prevalência de crianças com DEA
ultrapassou agora as taxas de crianças com condições bem conhecidas,
como o câncer. Para fins educacionais, isso significa que na maioria das
escolas elementares, com uma população de 500 crianças, há quatro ou
cinco com DEA. O maior fator de risco para DEA é ser do sexo masculino
com autismo, o qual ocorre com uma frequência aproximadamente quatro
vezes maior em meninos do que em meninas. A fisiopatologia desses
transtornos difusos do desenvolvimento não é conhecida, mas acredita-se
que sejam uma anormalidade herdada na estrutura e função de certas partes
do encéfalo, incluindo aquelas que governam o desenvolvimento de
relações sociais e linguagem.
Apresentação clínica
A mais grave desses distúrbios, o autista, caracteriza-se pelo
desenvolvimento acentuadamente anormal da comunicação e interação
social, e por uma variedade de atividades e interesses marcadamente
restrita. Pode haver completa ausência de linguagem ou, se presente, esta
não serve para iniciar ou manter uma conversação com os outros. Há grave
comprometimento da capacidade em estabelecer relacionamentos sociais e
entender as emoções dos outros. A criança pode não murmurar, apontar,
sorrir ou fazer gestos significativos; pode não fazer contato ocular, pode
parecer que sua audição está comprometida, e pode não saber brincar com
os brinquedos ou participar de brincadeiras de “faz de conta”. A criança
geralmente possui padrões muito restritos de interesse e pode mostrar pouco
interesse pelo ambiente. Pode ter rotinas inflexíveis sem qualquer função e
comportamentos repetitivos, como bater com a mão ou torcer o corpo. Para
atender a esse diagnóstico, o distúrbio deve estar presente antes dos 3 anos
de idade. O distúrbio autista é acompanhado de deficiência intelectual em até 60% dos casos e, muitas vezes, as convulsões também estão presentes
em crianças com deficiência intelectual.
Um tipo menos grave desses distúrbios, a doença de Asperger,
caracteriza-se por todos os problemas anteriores, sem comprometimento
intelectual e de linguagem. Refere-se, algumas vezes, que crianças com
doença de Asperger com habilidades verbais mais fortes são parecidas com
adultos em miniatura e que se esforçam em assimilar o “dar e receber”
normal de uma conversação. Geralmente, eles têm interesse altamente
desenvolvido em conhecer, e conhecem, algum tópico restrito. Para atender
a esse diagnóstico, deve haver comprometimento da função desse jovem em
casa, na escola ou com os colegas.
Se algum dos comportamentos anteriores estiver presente, mas não o
suficiente para atender aos diagnósticos, o transtorno é chamado de
distúrbio difuso do desenvolvimento não especificado.
Diagnóstico
Idealmente, a avaliação deve ser conduzida por uma equipe multidisciplinar
de clínicos especializados, incluindo um psicólogo infantil, um
fonoaudiólogo e um profissional médico com especialização em
desenvolvimento (p. ex., um psiquiatra infantil, um pediatra
comportamental desenvolvimentar, um pediatra de neurodesenvolvimento
ou neurologista infantil), para abordar os aspectos das habilidades do
desenvolvimento infantil. A avaliação para esses diagnósticos é complexa, e
requer informações de múltiplas pessoas que conheçam muito bem a
criança. Um diagnóstico de DEA baseia-se em descrições do
comportamento a partir de entrevistas, questionários e um exame
comportamental direto. Testes genéticos são recomendados porque
transtornos de um único gene ou variações genéticas associadas ao autismo
são observados em aproximadamente 10% das crianças.
Tratamento
O tratamento dos distúrbios do espectro autista visa a aumentar a
comunicação, o desenvolvimento social e intelectual da criança, por meio
de terapias de habilidades de linguagem e sociais, assim como de tutoria educacional. A maioria desses tratamentos destina-se a ser realizados em
casa ou na escola. Não existe um pacote de tratamento único e melhor para
todas as crianças com DEA; entretanto, identificou-se que a intervenção
precoce é muito importante para essas crianças, e a maioria dos indivíduos
com DEA responde bem a programas especializados, altamente
estruturados.
Se a criança mostrar comportamentos agressivos, destrutivos ou
autolesivos, as medicações podem ser úteis (antipsicóticos atípicos).
Algumas vezes, uma medicação estimulante pode ser útil para a redução da
hiperatividade e impulsividade, enquanto os antidepressivos podem ser
úteis na diminuição de comportamentos compulsivos.
Curso
Os distúrbios do espectro autista tendem a ser problemas para toda a vida.
As crianças afetadas, que são identificadas precocemente, com linguagem e
habilidades intelectuais relativamente intactas, e que recebem tratamento
intensivo, apresentam melhores resultados.