Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Doença de Wilson

FIGURA 7-17

 

Doença de Wilson Também designada como degeneração hepatolenticular, a doença de Wilson

é um transtorno autossômico recessivo que ocorre em 1 de cada 30.000

indivíduos. O gene anormal, o gene ATP7B (adenosina trifosfato), se

localiza no cromossomo 13. A proteína defeituosa, adenosina trifosfatase

(ATPase), está envolvida no transporte e na incorporação de cobre à

ceruloplasmina e ao compartimento vesicular próximo à membrana

canalicular, para a excreção subsequente pela bile.

Embora seja um transtorno neurológico, a condição afeta múltiplos

órgãos, sendo o fígado o mais comum e o mais precocemente afetado.

Aproximadamente 40% dos casos recém-diagnosticados apresentam um

envolvimento hepático. As manifestações neurológicas incluem disartria,

distonia, rigidez, tremor de bater asas e coreoatetose. As crianças com

idade inferior a 10 anos raramente apresentam o envolvimento neurológico.

Demência progressiva, comportamento antissocial, impulsividade e

diminuição do desempenho intelectual complicam ainda mais a doença e

constituem manifestações importantes. O anel de Kayser-Fleischer, o sinal

oftalmológico clássico da doença, é uma coloração amarelo-marrom da

membrana de Descemet, demonstrada de maneira melhor pelo exame por

lâmpada de fenda. Além disso, podem ser notadas cataratas em girassol.

Outras características incluem anemia hemolítica, insuficiência renal com

disfunção tubular, nefrolitíase, miocardiopatia, hipoparatireoidismo,

amenorreia e atrofia testicular.

O diagnóstico requer um alto grau de suspeita e deve ser considerado em

todos os pacientes, especialmente naqueles com idade inferior a 40 anos,

apresentando movimentos involuntários anormais e naqueles apresentando

função hepática anormal. Embora não sejam específicos, a excreção de

cobre na urina de 24 horas e os níveis séricos de cobre e de ceruloplasmina

são testes de avaliação úteis. O melhor teste individual para a confirmação

do diagnóstico é o de níveis hepáticos de cobre elevados, mas ele requer

uma biópsia do fígado; isso é feito somente em casos em que o diagnóstico

não foi esclarecido, mas o nível de suspeita é alto. À aquisição de

neuroimagens, uma RM do encéfalo mostra atrofia do encéfalo do tronco

encefálico e mais raramente do cerebelo. O sinal da face do panda gigante

(hipointensidade do globo pálido) é um achado RM característico às

imagens T2 ponderadas, visto em 34% dos casos.

O fármaco quelador de cobre d-penicilamina tem sido considerado como

o padrão-ouro da terapia. Em pacientes que não conseguem tolerar a

penicilamina tem-se usado trientina, outro fármaco quelador do cobre. O

transplante de fígado é a única opção em pacientes apresentando cirrose ou

uma insuficiência hepática fulminante.