Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Poliomielite
FIGURA 11-15
Poliomielite A poliomielite se tornou uma doença epidêmica no início do século XX, e o
poliovírus foi primeiramente isolado em 1908. Em 1941 foi reconhecido
que a infecção pelo poliovírus se inicia como uma gastroenterite aguda, e a
paralisia se desenvolve em menos de 1 em cada 100 indivíduos infectados
pelo poliovírus. Em 1952 a epidemia atingiu seu pico, com mais de 20.000
casos de poliomielite paralítica relatados. Em 1955 uma vacina injetável
inativada (IPV) desenvolvida por Jonas Salk se tornou disponível, seguida,
em 1961, por uma vacina oral monovalente com vírus atenuado (OPV)
desenvolvida por Albert Sabin. Com a disseminação do uso da vacina oral
para poliovírus, a qual contém cepas vivas atenuadas de poliovírus, a
poliomielite paralítica associada a vacina foi primeiramente reconhecida.
Isso eventualmente levou a substituição da OPV pela IPV em países
desenvolvidos. Infantes e crianças recebem uma dose de IPV aos 2 meses, 4
meses, 6 a 18 meses e 4 a 6 anos de vida. Surtos de pólio nos EUA agora
ocorrem em grande parte entre indivíduos não vacinados.
O poliovírus é um enterovírus de ácido ribonucleico (RNA) de fita
simples. Existem três sorotipos imunologicamente definidos de poliovírus
(sorotipos 1, 2 e 3), todos os quais causam doença paralítica. A infecção
natural por pólio ocorre através da ingestão do vírus, o qual inicialmente se
replica na mucosa da orofaringe e trato gastrointestinal. O vírus entra no
sistema nervoso central via corrente sanguínea ou alternativamente através
de vias neurais aferentes para o interior de neurônios motores do corno
anterior, núcleo motor do tronco encefálico e células de Betz do córtex
motor.
A mudança celular inicial nos neurônios motores é a dissolução da
substância citoplasmática de Nissl (cromatólise). Neurônios infectados que
possuem apenas um nível brando de cromatólise sobrevivem e continuam a
suportar as unidades motoras. Em contraste, neurônios que apresentam
cromatólise grave se tornam necróticos e não podem suportar unidades
motoras. Como resultado, ocorre perda de função permanente nos grupos
musculares inervados pela unidade motora. Historicamente, as infecções
pelo poliovírus têm sido divididas em uma doença menor e uma doença
maior. A doença menor é caracterizada por febre, mialgias, náuseas e
diarreia. A doença maior pode ser associada à doença menor ou seguir a
doença menor por um período de poucos dias afebris, e é caracterizada por
sinais crescentes de irritação meníngea, cefaleia e rigidez de nuca. Quando a doença progride para a forma paralítica, a dor muscular é evidente,
particularmente nas costas e pescoço. Pacientes que desenvolvem paralisia
usualmente o fazem no segundo ao quinto dia após o desenvolvimento dos
sinais meníngeos e febre. A fraqueza é geralmente muscular flácida
assimétrica, e as pernas estão envolvidas mais frequentemente que os
braços.
Durante a epidemia de pólio no último século, o diagnóstico era baseado
na síndrome clínica de febre com paralisia e fraqueza de neurônios motores
inferiores. Atualmente, o poliovírus é a causa menos comum de fraqueza
flácida assimétrica de extremidade inferior. Outros enterovírus
(coxsackievírus, echovírus e os enterovírus numerados), e os flavivírus,
mais notavelmente o vírus do Oeste do Nilo, são os agentes etiológicos
mais comuns de paralisia flácida.
Quando se suspeita de infecção pelo poliovírus, pelo menos duas
amostras de fezes e dois swabs de garganta devem ser obtidos com intervalo
de 24 horas. Assim como com qualquer suspeita de infecção por
enterovírus, sorologia aguda e de convalescência devem ser enviadas com 4
semanas de intervalo para detectar um aumento de quatro vezes na
imunoglobulina G (IgG). A análise do líquido espinal demonstra uma
pleocitose linfocítica, uma concentração normal de glicose e RNA
enteroviral por reação em cadeia de polimerase (PCR).
O tratamento da infecção por poliovírus é primariamente de suporte, e a
prevenção com vacinação em massa de todas as crianças é essencial.