Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Diagnóstico Diferencial do Coma

FIGURA 6-5

 

Diagnóstico Diferencial do Coma Quando o coma é provocado por doença bilateral do hemisfério encefálico,

deglutição, bocejo e respiração espontânea estão normais. Os olhos

vagueiam espontaneamente de um lado para o outro, e os membros se

movem simetricamente ao estímulo. Reflexos oculares e pupilares estão

preservados. Disfunções tóxicas e metabólicas são as causas mais comuns,

levando à disfunção bilateral do hemisfério. Encefalite, hemorragia ou

infecção nas meninges e espaço subaracnoide também podem afetar

adversamente a função bilateral do hemisfério. Embora infartos,

hemorragias, tumores ou abscessos possam envolver ambos os hemisférios,

o déficit neurológico só se torna bilateral subsequentemente.

Quando uma lesão hemisférica comprime o tronco encefálico, o paciente

geralmente tem sinais ou sintomas de disfunção de hemisférios, como

hemiparesia. Qualquer lesão que ocupe espaço, como hematoma subdural,

infarto, hemorragia ou tumor, pode comprimir o tronco encefálico rostral e

causar o coma. Conforme a lesão aumenta, a pressão cranial é elevada,

desenvolvem-se dores de cabeça, vômitos, diminuição do estado de alerta e

papiledema. Seguem-se sinais de disfunção diencefálica rostral do tronco

encefálico. O mesencéfalo e a ponte são subsequentemente desconectados,

e os sinais de falência inferior do tronco encefálico são adicionados à

disfunção de estruturas rostrais.

Uma lesão intrínseca do tronco encefálico pode causar o coma pelo

comprometimento da função de estruturas tegmentares bilaterais mediais.

Lesões primárias diencefálicas do tronco encefálico geralmente são por

causa do derrame, hemorrágico ou infarto. Trauma craniano pode danificar

diretamente o tronco encefálico. Em lesões mesencefálicas, as pupilas estão

dilatadas na posição média, e ocorre a paralisia bilateral do nervo

oculomotor. Os olhos posicionam-se para baixo e para fora, e não fazem

adução ou movimentos verticais. A postura descerebrada dos membros está

presente. Infarto pontino ou hematoma causa pupilas diminuídas e pouco

reativas, olhar vertical diminuído. Os olhos devem ficar para baixo e para

dentro, e um olho pode estar mais baixo que o outro. A função do tronco

encefálico rostral à lesão está preservada. Lesões pontinas provocam

pupilas menores e pouco reativas, falha na movimentação ocular horizontal,

preservação dos movimentos oculares verticais (algumas vezes com

balanço espontâneo) e postura descerebrada. Lesões bulbares podem

comprometer o controle vasomotor e a respiração. Distúrbios tóxicos que afetam o tronco encefálico e hemisférios encefálicos em vários níveis,

causam sinais inconsistentes com um único local anatômico.

Lesões cerebelares que ocupam espaço causam ataxia e vômitos,

geralmente seguido de paralisia do nervo abducente (nervo cranial VI) ou

olhar lateral no local da lesão. Desenvolvem-se sinais de disfunção inferior

do tronco encefálico na ponte e bulbo.

 

Tratamento

Se uma lesão encefálica ou cerebelar comprime o tronco encefálico, é

necessário o tratamento imediato para evitar danos irreversíveis. Com uma

lesão do tronco encefálico primária, a situação é igualmente urgente.

Avaliações neuroradiológicas são críticas para a determinação da natureza e

extensão da patologia. Intubação endotraqueal, ventilação mecânica

controlada e diurese osmótica são realizadas, enquanto é feita a tomografia

computadorizada (TC) para determinar se o paciente necessita de

descompressão cirúrgica imediata, ou evacuação do hematoma como

medidas salva-vidas.

Doença bilateral do hemisfério encefálico é geralmente tratada

clinicamente, em vez de cirurgicamente. É geralmente resultado de

encefalopatia metabólica de intoxicação exógena, por exemplo, overdose de

drogas, intoxicação por álcool ou supermedicação. Intoxicação endógena é

causada por insuficiência de órgãos (os pulmões e a narcose por dióxido de

carbono; o fígado e hiperamnonemia; os rins e a uremia), hiperglicemia,

hipelcalcemia ou hipernatremia, ou por insuficiência de substâncias

exógenas e endógenas, como, por exemplo, hipoglicemia, hipotireoidismo,

hipocalcemia ou hiponatremia.