Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Transtorno do Pânico

FIGURA 4-7

 

Transtorno do Pânico Os pacientes que se queixam de pânico geralmente descrevem um quadro

dramático, incluindo o início súbito e inesperado de medo ou alarme

extremo, rapidamente escalante em questão de minutos, e acompanhado por

um espectro de sintomas físicos, comportamentais e cognitivos. Esses

sintomas podem incluir sensações de asfixia, dor no peito, tremores, rubor e

frequência cardíaca rápida, simulando uma resposta simpática de “luta ou

fuga”. A ânsia de fugir, encontrar abrigo ou buscar ajuda pode ser

avassaladora. As vítimas do pânico podem acreditar que estão morrendo,

perdendo o controle ou enlouquecendo e com frequência buscarão

assistência médica urgente. A impressão negativa e indelével deixada por

um ataque de pânico geralmente resulta em medo persistente de ter outro

ataque ou em mudanças comportamentais marcantes. Apesar de ataques de

pânico isolados serem comuns, são essas sequelas persistentes que definem

o diagnóstico de transtorno do pânico. De acordo com critérios do DSM-IV,

esse transtorno também pode ser acompanhado por agorafobia,

caracterizada pela evitação fóbica de situações que possam ser difíceis ou

complicadas de escapar, caso ocorra um ataque de pânico.

O transtorno do pânico é comum, com uma prevalência vitalícia nos

Estados Unidos de até 5%. O transtorno ocorre com uma frequência quase

duas vezes maior em mulheres e tende a se manifestar no início da idade

adulta. Transtornos relacionados com o uso de substâncias e doenças

psiquiátricas comórbidas são muito comuns; o transtorno depressivo maior

ocorre em quase dois terços dos pacientes com transtorno do pânico. Essas

condições comórbidas, se não tratadas, podem exacerbar os sintomas de

pânico e dificultar ainda mais o tratamento. Ainda mais grave é o fato de

que o transtorno do pânico está associado a um risco maior de suicídio. É

importante enfatizar que o início do transtorno do pânico geralmente está

relacionado com um evento de vida estressante. Embora a maioria dos

pacientes experimente alguma remissão dos sintomas com o tempo, o curso

do transtorno do pânico é crônico para a maioria dos indivíduos afetados.

As complicações podem incluir sintomas de ansiedade persistentes,

transtornos de humor, evitação fóbica, transtornos de uso abusivo de drogas

e álcool e comprometimentos significantes no funcionamento e na

qualidade de vida.

O diagnóstico diferencial de transtorno do pânico inclui uma ampla lista

de causas cardíacas, respiratórias, endócrinas, metabólicas e relacionadas com drogas/medicamentos, bem como outras condições psiquiátricas que

possam incluir ataques de pânico. Os indivíduos com ataque de pânico

geralmente se apresentam para tratamento inicialmente no setor de

emergência ou em contextos de atendimento primário e, embora a

apresentação clássica do ataque de pânico possa ser familiar à maioria dos

profissionais de saúde, é preciso considerar cuidadosamente possíveis

causas orgânicas. Uma história pessoal ou familiar de ansiedade e eventos

recentes de estresse na vida pode sugerir um transtorno de ansiedade

primário.

Estudos familiares iniciais do transtorno do pânico demonstraram um

risco maior em parentes de primeiro grau do probando; estudos de gêmeos

estimam a hereditariedade de transtornos de ansiedade entre 20% e 40%.

Embora esses estudos sugiram que fatores genéticos têm uma influência, a

investigação de fatores de risco genéticos em particular é complicada pelo

alto nível de comorbidade com outros transtornos de ansiedade e

depressivos. Modelos neurobiológicos explanatórios enfatizam o papel de

circuitos neurais, incluindo a amígdala, suas estruturas relacionadas e o

hipotálamo. Anormalidades hipotéticas nos sistemas de neurotransmissores

serotonérgicos, noradrenérgicos e do ácido gama-aminobutírico

(GABAérgicos) são suportadas pela eficácia de tratamentos farmacológicos

voltados para esses sistemas (p. ex., ISRSs, IRSNs e benzodiazepinas).

Durante os estágios iniciais do quadro, antes de começarem evitação

fóbica ou ataques recorrentes, o paciente pode responder bem a

tranquilização, educação e psicoterapia de apoio. Quando a evitação fóbica

ou ataques recorrentes de pânico começam, os objetivos do tratamento são

tanto prevenir outros ataques de pânico e eliminar a evitação e a ansiedade

antecipatória associadas. Tratamentos farmacológicos para o pânico

incluem antidepressivos; ensaios placebo-controlados corroboram a eficácia

de ISRSs, do IRSN venlafaxina e do antidepressivo tricíclico imipramina.

As benzodiazepinas proporcionam o alívio rápido dos sintomas e podem ser

prescritas como monoterapia ou em conjunto com antidepressivos. A

terapia cognitivo-comportamental (TCC) para o transtorno de pânico está

validada e foi amplamente estudada, provando-se eficaz em contextos de

terapia individual ou de grupo. A TCC conceitualiza pânico como o medo

adquirido das sensações corporais associadas a excitação autonômica e

agorafobia como a resposta comportamental à antecipação de tais sensações. Os terapeutas ensinam habilidades de enfrentamento cognitivas e