Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Disfunção de linguagem de hemisfério dominante
FIGURA 2-22
Disfunção de linguagem de hemisfério
dominante
Afasia, um distúrbio do uso da linguagem, deve ser distinguida de disartria,
a articulação comprometida, e de mutismo, a ausência da fala. Geralmente,
a presença de afasia localiza com precisão a disfunção do hemisfério
encefálico responsável pela linguagem.
Para classificar uma afasia, é necessário determinar se o paciente pode
(1) falar fluentemente, com articulação e ritmo normais e sem erros
sintáticos ou gramaticais ou uso de frases circunlocutórias; (2) repetir com
precisão os sons, palavras e frases ditas; (3) entender a linguagem falada,
evidenciado por respostas acuradas às perguntas feitas oralmente e
capacidade de seguir comandos falados (a falha em obedecer a uma ordem
também pode se dever a apraxia ou paralisia e não reflete necessariamente precariedade na compreensão); (4) nomear de modo consistente objetos
comuns, apresentados de forma visual ou tátil; (5) ler em voz alta com
precisão e com compreensão; (6) nomear palavras soletradas em voz alta; e
(7) escrever de maneira legível e gramatical.
Na afasia transcortical, a repetição da linguagem falada está preservada.
A afasia motora transcortical é um subtipo em que há incapacidade
primária de produzir fala espontânea, mas a capacidade de entender a
linguagem falada é mantida. A afasia motora transcortical é um subtipo que
se caracteriza pela não compreensão da linguagem falada; a afasia sensitiva
transcortical indica geralmente uma lesão profunda nos núcleos da base ou
no lobo frontal paramediano. Os pacientes com síndrome de Gerstmann têm
dificuldade em dizer os nomes dos dedos, na orientação esquerda-direita,
em fazer cálculos, desenho construcional e na escrita. Geralmente, a lesão
que causa o distúrbio localiza-se no giro angular do hemisfério dominante.
O giro angular tem sido implicado em diferentes formas de afasia. Isso pode
se dever a seu papel atual na linguagem ou por criar, quando danificado,
uma síndrome de desconexão. As síndromes de desconexão em geral
podem se apresentar de maneiras irreprimíveis e bem definidas. Uma das
mais famosas síndromes de desconexão da linguagem é a alexia sem
síndrome de agrafia, na qual os pacientes podem escrever, mas não são
capazes de ler. É vista com mais frequência em consequência de acidentes
vasculares encefálicos occipitais esquerdos, que danificam o córtex visual à
esquerda, além de perturbar a transferência das informações visuais do
córtex visual occipital para o hemisfério esquerdo geralmente dominante da
linguagem.
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