Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Cordomas

FIGURA 12-16

 

Cordomas Cordomas são neoplasias de lento crescimento, localmente agressivos que

surgem dos remanescentes não absorvidos do notocórdio embrionário, uma

estrutura mesodérmica que segue pelo centro das vértebras até o clivo.

Estes tumores podem ocorrer em qualquer ponto ao longo do esqueleto

axial, mas são mais comuns na região esfeno-occipital da base do crânio e

nas regiões sacrais da coluna. Em adultos, 35% surgem na base do crânio,

50% envolvem a região sacrococcígea e o restante ocorre em outras partes

ao longo da coluna vertebral. Em geral, cordomas da base do crânio afetam

adultos mais jovens, enquanto pacientes mais velhos tendem a desenvolver

os tumores na região sacrococcígea. Parece haver uma predominância no

sexo masculino.

Os cordomas podem ser classificados em três subgrupos. Os mais

comuns são os cordomas convencionais, que são distinguidos pela ausência

de elementos mesenquimatosos como cartilagem. Ao exame histológico,

lóbulos de células epitelioides são organizados em cordões, separados por

uma matriz mucinosa. Células tumorais apresentam citoplasma vacuolizado

e bolhoso, o que lhes dá o nome de “células fisalíforas”. Pleomorfismo

nuclear e mitoses são raras. Cordomas condroides contêm aspectos

condromatosos e geralmente ocorrem na região esfeno-occipital. Tanto os

cordomas convencionais quanto os cordomas condroides apresentam

prognósticos semelhantes. O terceiro tipo inclui cordomas que sofrem

transformação sarcomatosa; estes têm um prognóstico pior porque exibem

um comportamento mais agressivo. Histologicamente, o componente

sarcomatoso é intercalado entre áreas de cordoma convencional. Embora os

cordomas tenham crescimento lento, estes tendem a recorrer e

ocasionalmente apresentar metástase.

 

Manifestações Clínicas

Os sinais e sintomas dependem da localização do tumor e de seu efeito

sobre as estruturas vizinhas. Dor local é uma queixa comum. Com

envolvimento da base do crânio, os pacientes muitas vezes se queixam de

cefaleia e diplopia secundária à invasão do seio cavernoso. O envolvimento

do clivo inferior pode afetar os nervos cranianos mais baixos, resultando em

disfagia ou rouquidão, seguidas por compressão do tronco encefálico. Uma

vez que o início dos sintomas é bastante insidioso e vago, o diagnóstico geralmente é tardio. Tumores da coluna vertebral e do sacro podem causar

dor nas costas. A compressão direta dos tumores da coluna vertebral pode

provocar compressão da medula. Ocasionalmente, tumores da região

sacrococcígea podem atingir proporções enormes, resultando em disfunção

vesical e intestinal devido à pressão direta sobre o reto e envolvimento dos

nervos sacrais.

 

Estudos Diagnósticos

Tanto RM quanto TC são usadas para fins diagnósticos. RM fornece

anatomia detalhada, permitindo a capacidade de avaliar a extensão de

envolvimento do tecido mole e dural. TC é mais eficaz para delinear lesões

ósseas. Não existem achados de imagem patognomônicos, portanto o exame

histopatológico de uma amostra de tecido é necessário para um diagnóstico

definitivo.

 

Tratamento

Devido à raridade do tumor, não existem diretrizes estabelecidas para o

tratamento de cordomas. Com base em pequenos estudos retrospectivos,

recomenda-se uma abordagem multimodal combinando cirurgia e

radioterapia. A cirurgia é usada para os fins diagnósticos e terapêuticos;

permite um diagnóstico tissular e reduz a carga tumoral. A ressecção

completa é a meta, mas nem sempre é viável devido às limitações

anatômicas do tumor. Sua natureza invasiva resulta em uma alta incidência

de recorrência local e aproximadamente 2% a 8% dos cordomas sofrerão

transformação sarcomatosa. A terapia de resgate pode incluir cirurgias

repetidas ou tratamento com radiação.

A radioterapia adjuvante tem sido empregada com frequência cada vez

maior, especialmente com os avanços atuais no equipamento e técnica de

radiação. Historicamente era difícil administrar a radiação convencional

com fótons porque as doses necessárias muitas vezes estavam associadas a

um maior risco de lesão de estruturas importantes como o tronco encefálico

ou os nervos cranianos. Com as novas técnicas usando terapia com prótons,

radiocirurgia estereotáxica ou radioterapia modulada por intensidade

(IMRT), os resultados melhoraram de modo significativo permitindo maiores doses de radiação e ao mesmo tempo minimizando lesão de

estruturas vizinhas.

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