Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Tumores Intraventriculares

FIGURA 12-15

 

Tumores Intraventriculares Tumores intraventriculares são compostos por um grupo histologicamente

heterogêneo de tumores, sendo que os mais comuns são os ependimomas.

Os ependimomas geralmente são encontrados no quarto ventrículo e

acredita-se que sejam originados das células neuroepiteliais primitivas que

revestem os ventrículos e o canal central da medula espinal. Em geral são

bem demarcados, com baixa incidência de disseminação pelo líquido

cefalorraquiano (LCR). Em adultos, a localização intracraniana afetada com

mais frequência é o quarto ventrículo. Outros tumores intraventriculares

incluem gliomas, subependimomas, neurocitomas, tumores de células

germinativas, tumores do plexo corióideo, meningiomas e tumores da

região pineal. A maioria dos outros subtipos histológicos tende a ocorrer

nos ventrículos laterais, com exceção de tumores de células germinativas,

que podem ser observados no terceiro ventrículo.

Tumores do ventrículo lateral, embora de patologia variável, são

originados de células localizadas no interior ou ao redor das paredes

ventriculares. Aproximadamente metade dos tumores ventriculares laterais

consiste em gliomas de baixo grau, com papilomas do plexo corióideo e

meningiomas representando aproximadamente 35%. O astrocitoma

subependimário de células gigantes (ASCG) é uma variante de astrocitoma

encontrada em pacientes com esclerose tuberosa. Estas geralmente são

lesões assintomáticas, mas podem obstruir o fluxo de LCR. Tumores do

plexo corióideo são observados com mais frequência em crianças, embora

possam ocorrer em adultos. A histologia é o fator prognóstico mais

importante, com papilomas do plexo corióideo apresentando um

prognóstico muito melhor que carcinomas do plexo corióideo. O restante é

composto por neurocitomas, tumores congênitos, ependimomas e

metástases. Os neurocitomas são tumores raros, geralmente encontrados

junto ao septo pelúcido perto do forame interventricular. Estes são tumores

de crescimento muito lento e baixo grau histológico.

Nem todas as lesões intraventriculares representam neoplasia. O cisto

coloide é um remanescente benigno da paráfise embrionária e geralmente

observado no forame intraventricular (de Monro), produzindo hidrocefalia

obstrutiva. Alguns neurocirurgiões abordam o cisto por uma incisão cortical

para o ventrículo lateral direito hidrocefálico ou pelo corpo caloso. As duas

abordagens são satisfatórias, embora exista um risco de lesão neurológica. Manifestações Clínicas

O sinal e sintoma mais comum dos tumores intraventriculares é a

hidrocefalia. O início geralmente é insidioso porque a maioria dos tumores

tem crescimento lento. Lesões que ocorram na região pineal e no terceiro

ventrículo podem causar a síndrome de Parinaud em decorrência da

compressão da lâmina do teto mesencefálico.

 

Estudos Diagnósticos

A RM permite a visualização fácil do tumor. Subependimomas e

neurocitomas muitas vezes apresentam uma lesão cística heterogênea.

ASCGs são encontrados perto do forame interventricular e são

caracterizados por calcificações e contraste intenso no contexto de outros

estigmas associados à esclerose tuberosa. Tumores do plexo corióideo

apresentam lobulação intensa e aparecem como tumores vasculares

centralizados na coroide. Como relatado anteriormente, uma avaliação

diagnóstica completa para ependimomas inclui a imagem de todo o eixo

neural e exame do LCR.

 

Tratamento

O tratamento varia dependendo da histologia. A cirurgia é a base principal

do tratamento de ependimomas, com uma ressecção total ou quase total

representando um fator prognóstico favorável. A ressecção de

ependimomas infratentoriais é tecnicamente mais difícil que a de seu

equivalente supratentorial e está associada a maior morbidade cirúrgica.

Entretanto, a tentativa de ressecção macroscópica total é crucial para o

tratamento de ependimomas. Historicamente, o tratamento adjuvante com

radiação tem sido usado com base nos resultados dos estudos retrospectivos

que mostraram que pacientes que recebiam radiação pós--operatória

apresentavam melhor prognóstico do que aqueles que realizavam apenas a

cirurgia. O papel da quimioterapia ainda é incerto, embora ela tenha sido

usada em crianças novas como tentativa de evitar a radiação.

Subependimomas e neurocitomas têm um prognóstico excelente com a

ressecção cirúrgica, sem necessidade de terapia adjunta. Os tumores do

plexo corióideo que possam ser totalmente excisados apresentam melhor

prognóstico em comparação aos tratados com ressecção subtotal. A radioterapia está associada a uma sobrevida significativamente melhor nos

carcinomas do plexo corióideo. Infelizmente, a raridade destes tumores

resulta em informações limitadas sobre sua história natural e tratamento

ideal.