Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Principais feixes de associação cortical

FIGURA 2-5

 

Principais feixes de associação cortical As fibras de associação localizam-se predominantemente na substância

branca cerebral e conectam regiões corticais intra-hemisféricas. Existem

dois tipos principais de fibras de associação, e eles são diferenciados por

tamanho e função. As fibras de associação curtas, conhecidas como fibras

arqueadas ou “fibras em U” conectam os giros adjacentes, permitindo assim

a comunicação entre regiões corticais vizinhas. As fibras de associação

longas fornecem a base arquitetural para as redes neurocognitivas em

grande escala. Essas redes conectam regiões corticais mais difusas e são

visualizadas como “feixes de fibras” que permitem a comunicação entre as

regiões de associação e corticais primárias. Por exemplo, o fascículo

longitudinal superior (LSF) (que possui três feixes principais, I, II e III)

permite a comunicação entre os lobos parietal e frontal. Em particular, o

LSF I permite que informações provenientes do lobo parietal superior, ou

córtex motor, sejam retransmitidas para o córtex motor suplementar. O LSF

II conecta a região parietal caudal com os lobos pré-frontal, permitindo

assim que um indivíduo tenha uma percepção visual de espaço. O LSF III

conecta áreas parietais rostrais com a região opercular frontal (a região que

controla os movimentos faciais), permitindo assim que o indivíduo imite

uma ação. Outras fibras de associação longas incluem o fascículo

frontoccipital, que liga as áreas parietais posterior e medial com áreas

occipitais; o fascículo uncinado (ou o feixe de fibra límbica anterior), que

conecta o lobo temporal e os lobos frontais; o fascículo longitudinal

inferior, que conecta o lobo temporal às regiões occipital e parietal, e o

feixe do cíngulo (ou o feixe de fibras límbicas posteriores), que se estende

do lobo frontal até o giro para-hipocampal. O feixe do cíngulo permite que

as monoaminas (dopamina, norepinefrina e serotonina), juntamente com

projeções colinérgicas, se desloquem para alvos corticais disseminados.

As lesões nos feixes de associação cortical podem fornecer relevância

clínica aos tratos de vias das fibras e a origens e destinos corticais. Por

exemplo, um paciente que desenvolve dano agudo no fascículo uncinado e

córtex frontal anterior direito (p. ex., em decorrência de acidente vascular

encefálico) terá uma “desconexão” entre os lobos temporal e frontal. Esse

indivíduo pode desenvolver amnésia para as experiências que precederam o

acidente vascular encefálico, juntamente com o comprometimento de

autopercepção das experiências pessoais ao longo do tempo (esse achado

clínico também é conhecido como perturbação da consciência autonoética).

FIGURA 2-6