Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Esquizofrenia
FIGURA 4-12
Esquizofrenia Esquizofrenia é o protótipo de um transtorno psicótico, com os sintomas
centrais de delírios e alucinações, bem como fala desorganizada. Alguns
pacientes também manifestam distúrbios psicomotores proeminentes,
incluindo catatonia. Esses sintomas floridos e com frequência graves são
conhecidos em conjunto como sintomas positivos e contrastados com
sintomas negativos e cognitivos, sendo estes últimos responsáveis por
grande parte da incapacidade que caracteriza a esquizofrenia. Sintomas
negativos estão categorizados em um grupo de expressividade emocional
reduzida (afeto restrito ou embotado) e um grupo de
avolição/apatia/anedonia. Muitos pacientes esquizofrênicos enfrentam
prejuízo cognitivo nas esferas de memória funcional, atenção/vigilância,
aprendizagem e memória verbal, aprendizagem e memória visual,
raciocínio e solução de problemas, rapidez de processamento e cognição
social. Os pacientes esquizofrênicos podem com frequência apresentar
sintomas de humor proeminentes, que não são incompatíveis com um
diagnóstico de esquizofrenia. Entretanto, se sintomas de humor dominarem
o curso global de uma doença psicótica, um diagnóstico de transtorno
esquizoafetivo pode ser dado. Esquizofrenia é um diagnóstico de exclusão;
é preciso descartar inicialmente o uso de diversas drogas recreacionais,
medicações e causas clínicas de psicose antes de fazer o diagnóstico, pois
esses fatores podem simular os sintomas centrais da esquizofrenia.
Muitos pacientes com esquizofrenia manifestam sintomas que
retrospectivamente são reconhecidos como um pródromo antes da
manifestação da psicose florida. Sintomas prodrômicos inespecíficos
(ansiedade, depressão, isolamento social) acabam dando origem a sintomas
psicóticos atenuados antes da esquizofrenia se declarar pelo surgimento da
psicose. Na medida em que a esquizofrenia é uma síndrome, nem todos os
pacientes apresentam sintomas em todos os domínios. A esquizofrenia é
também caracterizada por um curso patológico flutuante, no qual períodos
de exacerbação com psicose predominante se alternam com períodos de
remissão.
A esquizofrenia tem uma prevalência em torno de 1,5%, com grandes
implicações de saúde pública em virtude da sua manifestação durante a
idade adulta jovem e sua persistência vitalícia. A idade típica da
manifestação inicial é entre 15 e 30 anos, com a manifestação depois dos 45
anos de idade sendo rara. Os homens são 40% mais propensos a desenvolver esquizofrenia do que as mulheres (proporção de 1,4:1) e a
desenvolvem mais cedo. Apenas cerca de 20% dos pacientes têm um bom
prognóstico global. Pacientes com esquizofrenia geralmente morrem
décadas antes das pessoas na população geral. Essa mortalidade médica
excessiva é parcialmente evitável, pois fatores de risco modificáveis (p. ex.,
dependência em nicotina e a síndrome metabólica) contribuem para óbitos
por doença cardiovascular. O suicídio é responsável por 12% dos óbitos.
A esquizofrenia é altamente hereditária. Outros fatores de risco
importantes para esquizofrenia incluem insultos intrauterinos durante o
desenvolvimento encefálico, como exposição a infecções; complicações
obstétricas; idade paterna avançada; fatores sociais, como contexto urbano
ou status de imigração; e uso pesado precoce de maconha.
A neuropatologia e a fisiopatologia da disfunção interligada na
esquizofrenia permanecem a ser solucionadas. Regiões encefálicas críticas
envolvidas incluem áreas corticais frontais, particularmente o córtex pré-
frontal dorsolateral, o tálamo e diversas áreas límbicas e dopaminérgicas
mesencefálicas. Embora vias do desenvolvimento diversas possam levar à
esquizofrenia, a psicose emerge como resultado da desregulação
dopaminérgica (DA) como uma via comum final.
A esquizofrenia pode ser vista como um transtorno do
neurodesenvolvimento que afeta circuitos encefálicos e se desenvolve em
estágios. Um estágio prodrômico é caracterizado por sintomas iniciais e
sutis e falhas funcionais; posteriormente, esse quadro inicial evolui para um
estágio de psicose ativa e subsequentemente dá origem a um estágio de
incapacidade crônica. De acordo com esse modelo, a psicose é um sintoma
tardio. Portanto, a prevenção desse resultado grave requer o tratamento de
pacientes-alvo em estágios iniciais.
Medicações antipsicóticas são o tratamento de escolha para psicose
aguda. Depois da resolução da psicose inicial, a maioria dos pacientes
precisa de tratamento de manutenção com uma medicação antipsicótica
para diminuir a probabilidade de uma recidiva psicótica. Todos os
antipsicóticos são antagonistas de receptores dopaminérgicos 2 (D2), e
muitos antipsicóticos combinam D2 com bloqueio do receptor de 5-
hidroxitriptamina 2a (5-HT2a) como seu perfil de receptor individual. A
despeito das grandes diferenças nos sítios de atividade farmacológica de
receptores individuais, os antipsicóticos atualmente disponíveis são igualmente efetivos e diferem essencialmente em sua propensão de causar
efeitos colaterais. Apenas a clozapina mostrou-se mais efetiva em pacientes
refratários a tratamento com esquizofrenia. Os efeitos colaterais a longo
prazo problemáticos de todos os antipsicóticos incluem discinesia tardia e a
síndrome metabólica.
Antipsicóticos não são efetivos contra todos os aspectos da esquizofrenia.
Sintomas negativos e cognitivos, em particular, mostram pouca melhora
com antipsicóticos apenas. Em vez disso, o tratamento abrangente da
esquizofrenia requer integração de tratamento farmacológico com
psicoterapias e reabilitação psicossocial concomitante. A disponibilidade da
terapia cognitivo-comportamental e reabilitação cognitiva são promissores
para tratar sintomas persistentes e déficits cognitivos.