Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Doença Encefalovascular Pediátrica

FIGURA 9-44

 

Doença Encefalovascular Pediátrica Todos os anos nos Estados Unidos, pelo menos 5.000 crianças têm um

AVE. Metade desses AVEs é hemorrágica (hemorragia intraencefálica e

hemorragia subaracnoide). As causas do AVE na infância são diversas e

heterogêneas. Aqui vamos nos concentrar em três doenças que são

particularmente únicas na infância.

 

Moyamoya

Moyamoya é uma arteriopatia oclusiva progressiva das artérias carótidas

internas distais. A forma idiopática, também conhecida como “moyamoya

primária” ou “doença de moyamoya”, ocorre mais comumente em crianças

de descendência japonesa ou coreana, embora tenha sido observada em

todas as etnias. A “moyamoya secundária” ou “síndrome de moyamoya”

pode desenvolver-se após a radiação no encéfalo para o tratamento de

câncer na infância, mais comumente retinoblastoma, ou pode ocorrer em

condições genéticas, como a doença falciforme, síndrome de Down,

neurofibromatose tipo 1, e uma forma rara de nanismo primordial. O nome

japonês para “névoa” ou “sopro de fumaça” vem de vasos sanguíneos

colaterais pequenos que se formam perto do local da oclusão e dão uma

aparência turva na angiografia convencional. A moyamoya tipicamente se

manifesta com AVEs isquêmicos ou ataques isquêmicos transitórios na

infância inicial para média. No entanto, se uma criança desenvolve fluxo

sanguíneo colateral suficiente para impedir acontecimentos isquêmicos, ele

ou ela pode não apresentar um AVE hemorrágico até a idade adulta jovem,

geralmente devido a rupturas dos colaterais anormais moyamoya. O

tratamento cirúrgico do moyamoya inclui uma variedade de procedimentos

de revascularização destinados a contornar a circulação carótida interna e

melhorar a perfusão encefálica.

 

Síndrome de PHACE

PHACE é uma síndrome neurocutânea recentemente reconhecida que inclui

anormalidades na fossa posterior, tais como hipoplasia cerebelar ou

malformação de Dandy-Walker; hemangiomas cervicofaciais segmentais

grandes; anomalias arteriais encefálicas e/ou cervicais; anomalias cardíacas,

como a coarctação da aorta e anormalidades oculares, como a atrofia do

nervo óptico, catarata congênita e anormalidades vasculares da retina. Os hemangiomas cutâneos vistos na PHACE são considerados hemangiomas

infantis, definidos como neoplasias benignas do endotélio vascular que

exibem uma história natural característica de estar ausente ou minimamente

aparente no nascimento, crescendo rapidamente durante a infância e em

seguida, regredindo lentamente. As anomalias cerebrovasculares variam

amplamente desde as clinicamente insignificantes “variações normais”

como os vasos duplicados ou vasos fetais persistentes, até a hipoplasia

grave da artéria carótida interna que pode levar a um AVE isquêmico.

 

Malformações da Veia de Galeno

As malformações da veia de Galeno (MFVG) são fístulas arteriovenosas

congênitas ou conexões diretas entre artérias e veias que drenam em um

precursor do desenvolvimento da veia de Galeno, uma veia mediana que é

parte do sistema de drenagem venosa profunda do encéfalo. MFVGs são

facilmente detectadas em imagens do crânio, mesmo ultrassonografias pré-

natais como uma grande estrutura vascular na linha média. MFVGs podem

estar presentes no período neonatal com insuficiência cardíaca congestiva

de alto rendimento, muitas vezes com hipertensão pulmonar. Se o fluxo não

for suficiente para levar à insuficiência cardíaca ele irá apresentar mais

tarde, muitas vezes, uma infância com sintomas de hidrocefalia. MFMG

pode prejudicar o encéfalo causando isquemia venosa (má-perfusão devido

a locais com altas pressões venosas), ou raramente, hemorragia

intraencefálica ou intraventricular. Resultados no exame incluirão sopro

craniano pulsátil, macrocefalia e veias proeminentes no escalpo. Essas

lesões são tratadas com embolização, isto é, colocação endovascular de

material embólico para fechar a artéria anormal para conexões venosas.

Embora a apresentação durante o período neonatal com insuficiência

cardíaca congestiva prenuncie um mau prognóstico, crianças cujas MFMGs

possam ser curadas antes que o encéfalo seja lesionado podem ter uma

evolução normal.