Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Morte Encefálica

FIGURA 6-8

 

Morte Encefálica Encefalopatia hipóxica-isquêmica grave pode resultar no inchaço encefálico

de tamanha gravidade que todo o fluxo sanguíneo ao encéfalo é bloqueado,

então piorando a isquemia até o estágio terminal. Morte encefálica é um

diagnóstico clínico baseado na ausência de função neurológica no contexto

de um diagnóstico que resultou no coma irreversível. Nos Estados Unidos,

isso indica a morte de todo o encéfalo; no Reino Unido, isso refere-se a

morte do tronco encefálico. A apneia e o coma devem coexistir. Um exame

neurológico completo que inclua os elementos listados nas Figuras 6-4 e 6-

5 é obrigatório para determinar a morte encefálica, com todos os

componentes devidamente registrados. A recomendação atual em adultos é

a de que uma única avaliação seja suficiente para diagnosticar morte

encefálica. Em crianças, duas avaliações devem ser feitas, com o intervalo

de duração entre os testes variando com a idade.

Antes de iniciar a avaliação para morte encefálica, condições reversíveis

ou condições que possam interferir no exame neurológico devem ser

excluídas. Por exemplo, hipotermia, hipotensão e distúrbios metabólicos

que podem afetar o exame neurológico devem ser corrigidos. Após

ressuscitação cardiopulmonar ou o uso de hipotermina terapêutica, a

avaliação da morte encefálica deve ser adiada por 24 a 48 horas, ou mais se

houver preocupações ou inconsistências no exame. Sedativos, analgésicos,

bloqueadores neuromusculares e agentes anticonvulsivantes devem ser

descontinuados por um período considerável, baseado na eliminação de

meia-vida do agente farmacológico, para garantir que eles não afetarão o

exame; níveis de sangue ou plasma podem ser usados para confirmar que o

fármaco está em taxa terapêutica média.

Os componentes do exame neurológico clínico consistentes com morte

encefálica incluem a presença do coma, perda de reflexos do tronco

encefálico, apneia (Fig. 6-9), e ausência de movimentos espontâneos ou

induzidos, porém excluindo eventos da medula espinal, como reflexo de

retirada ou mioclonia espinhal.

 

Coma Irreversível

O paciente deve exibir perda completa de consciência, vocalização e

atividade volitiva. Estímulo nocivo não deve produzir a abertura dos olhos ou movimentos oculares, e nenhuma resposta além de reflexos mediados

espinais.

 

Perda dos Reflexos de Todo Tronco Encefálico

O paciente exibe pupilas parcial ou completamente dilatadas que não

respondem à luz, direta ou consensualmente (avaliação 1); ausência de

movimento da musculatura bulbar, incluindo músculos faciais e

orofaríngeos, como na resposta à pressão profunda nos côndilos no nível

das junções temporomandibulares e sobre o rebordo supraorbital (avaliação

2); ausência de reflexos corneais com o toque na córnea com swab de

algodão estéril, não acionando qualquer movimento palpebral (avaliação 3);

ausência de reflexos oculovestibulares (avaliação 4); e ausência de engasgo

ou tosse no estímulo da faringe posterior com uma espátula ou cateter de

sucção (avaliação 5). Avaliação dessas funções do tronco encefálico deve

ser realizada sequencial e sistematicamente, pois relacionam diferentes

níveis de função do tronco encefálico (Fig. 6-9). O reflexo oculovestibular é

testado pela irrigação de cada ouvido com água gelada (teste de calor) após

a primeira verificação de que o canal auditivo não está obstruído por cera e

o tímpano está intacto. A cabeça é levantada com inclinação de 30 graus, e

é mantida em linha reta. Cada ouvido é irrigado com 50 a 60 ml de água

gelada, e isso deve desendacear movimentos oculares durante um minuto de

observação. O objetivo é reduzir a temperatura local na membrana

timpânica de modo que exista um gradiente com a temperatura corporal. Os

dois lados são testados com um intervalo de alguns minutos. Em indivíduos

normais, o nistagmo é induzido nos dois olhos. A fase rápida em direção ao

lado oposto, que foi irrigado com água gelada, é acionada pelo córtex

encefálico. A fase lenta do nistagmo é causada pelo reflexo oculovestibular.

Em pacientes comatosos com uma resposta intacta, a água gelada irá girar

os dois olhos lentamente em direção ao lado que está sendo irrigado. Esses

movimentos são comparáveis com a fase lenta do nistagmo, induzida em

indivíduos normais. Movimentos induzidos por calor estão ausentes quando

o mesencéfalo ou a ponte rostral está danificado, e a via oculovestibular não

está mais intacta.