Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Infecções Parasitárias: Malária Encefálica e Tripanossomíase Africana
Infecções Parasitárias: Malária Encefálica e
Tripanossomíase Africana
Malária encefálica
Seres humanos picados por mosquitos do gênero Anopheles infectados
por Plasmodium falciparum, P. vivax, P. ovale, ou P. malariae estão sob
risco de desenvolver malária, uma doença que ocorre principalmente na
África, Ásia e Américas Central e do Sul, levando a cerca de um milhão de
mortes anualmente. A malária encefálica – causada normalmente por P.
falciparum – é a forma mais fatal da doença. Febre e sintomas não
específicos dão lugar a convulsões e alterações de consciência, variando de
irritabilidade a obnubilação e coma. A progressão pode ser aguda ou mais
gradual. Hipoglicemia, acidose e anemia acompanhando o quadro podem
exacerbar os sintomas neurológicos.
O diagnóstico é confirmado através do exame de esfregaços de sangue
periférico a cada 8 a 24 horas. O LCS é examinado para excluir outras
causas possíveis dos sintomas em pacientes com suspeita de malária
encefálica. Quimioterapia antimalárica, consistindo de quinina ou quinidina
endovenosa (em uma unidade de cuidado intensivo [UTI]) ou artesunato,
acrescido de doxiciclina, tetraciclina ou clindamicina, é iniciado sem
esperar a confirmação laboratorial do diagnóstico clínico. A malária
encefálica não tratada é geralmente fatal. Sequelas neurológicas são comuns
em sobreviventes e podem incluir déficits motor, sensitivo, cognitivo ou de
linguagem e convulsões.
Tripanossomíase africana
A tripanossomíase africana em seres humanos (“doença do sono”) é
transmitida por moscas tsé-tsé infectadas e pode assumir duas formas; em
cada uma, pode se desenvolver uma meningoencefalite. Uma lesão de pele
inflamatória inicial ou cancro pode ocorrer alguns dias após a picada da
mosca infectada. Por outro lado, a infecção pelo T. brucei gambiense (na
África Ocidental e na Central) pode ser assintomática por meses ou anos.
Apresentação com febre, cefaleia, artralgia, linfadenopatia e
hepatoesplenomegalia é seguida em estágios tardios por envolvimento neurológico, com letargia, cefaleia, mudanças de personalidade, baixa
concentração, tremor, instabilidade e sonolência diurna. Com posterior
progressão, o paciente se torna obnubilado; o agravamento do coma leva à
morte. A infecção por T. brucei rhodesiense (na África Oriental) leva a uma
doença semelhante, mas mais aguda.
O diagnóstico requer a identificação do tripanossoma, tipicamente em um
esfregaço sanguíneo. O LCS deve ser examinado para confirmar o
diagnóstico e estágio da doença. Uma pleocitose ou aumento da
concentração de proteína, ou ambos, indica o envolvimento neurológico;
níveis de imunoglobulina M (IgM) podem estar aumentados, e
tripanossomas podem estar presentes. Testes sorológicos para a doença
Africana Ocidental, mas não da Oriental, estão disponíveis; a reação em
cadeia de polimerase (PCR) é investigacional. Os regimes de tratamento
com agentes antiprotozoários dependem do organismo agressor e se já
ocorreu envolvimento neurológico.