Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Neurogênese e migração celular no neocórtex em desenvolvimento
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Neurogênese e migração celular no
neocórtex em desenvolvimento
A maioria, se não todos os neurônios corticais, é gerada no ventrículo ou
próximo a ele, e migra radialmente até o córtex que se forma no alto das
precursoras neuroepiteliais. As células-tronco neurais corticais, a glia
radial, mantêm corpos celulares na zona ventricular, onde se dividem
simétrica e lentamente. A glia radial também gera rapidamente, dividindo
de maneira assimétrica as progenitoras intermediárias ligeiramente
deslocadas para dentro da zona subventricular, onde elas geram neurônios
pós-mitóticos. A glia radial serve a uma função dual. Seus processos
longos, direcionados para a pia-máter, proporcionam um guia migratório
para os novos neurônios pós-mitóticos através das zonas ventricular e
subventricular para dentro da placa cortical, onde eles se separam e se
diferenciam. Outras restrições refletem o momento em que os neurônios
corticais sofrem a sua divisão celular final. Os neurônios corticais que “nasceram” primeiro (tornaram-se pós-mitóticos primeiro) formam a pré-
placa, o primeiro indicador histológico de diferenciação cortical. A pré-
placa divide-se em zona marginal, que se torna a camada 1 do córtex, e em
subplaca transitória, que guia o desenvolvimento do córtex sobrejacente. A
primeira zona marginal gerada e os neurônios subplaca fornecem sinais que
influenciam a migração e o crescimento axonal inicial. Alguns neurônios da
zona marginal gerados primeiro permanecem na camada 1, como células de
Cajal-Retzius. Os neurônios da subplaca não se saem tão bem. Alguns se
tornam neurônios da substância branca subcortical intersticial; no entanto, a
maioria morre no pós-natal.
Os neurônios do próprio córtex que nasceram primeiro migram através
da pré-placa, dividindo-a em zona marginal e subplaca, constituindo assim a
camada 6 do córtex. Cada grupo neuronal cortical sucessivo, gerado durante
os últimos dois terços da gestação em seres humanos, migra passando além
de seus vizinhos nascidos primeiro até as suas posições finais. Assim, há
um gradiente “de dentro para fora” da neurogênese cortical; neurônios
nascidos primeiro são mais profundos, enquanto os nascidos por último,
com exceção das células de Cajal-Retzius, são superficiais. Essas distinções
são acompanhadas por diferenças em que os neurônios corticais enviam aos
seus axônios diferenciação dendrítica e conectividade.
A migração radial e o gradiente de dentro para fora da neurogênese
produzem neurônios de projeção cortical, cujos axônios se estendem para
outras regiões corticais ou alvos subcorticais, como os núcleos da base,
ponte e tálamo, e usam o neurotransmissor excitatório glutamato.
Surpreendentemente, a outra principal classe de neurônios corticais, os
interneurônios que usam o neurotransmissor inibitório, ácido
aminogamabutírico (GABA), não são gerados dentro do córtex. Em vez
disso, as progenitoras interneuronais são encontradas em dois domínios
prosencefálicos anteriores: as eminências nucleares medial e caudal. Essas
progenitoras produzem neuroblastos GABAérgicos pós-mitóticos dentro da
eminência nuclear de onde migram para dentro do neocórtex. Inicialmente,
essa migração é tangencial, ou seja, paralela ao plano da lâmina cortical.
Quando esses neurônios alcançam a área cortical onde vão se diferenciar,
eles migram radialmente de maneira muito semelhante aos neurônios de
projeção, usando guias gliais radiais.
No bulbo olfatório, os neurônios de projeção (células mitrais) também
são gerados localmente, e interneurônios GABAérgicos migram da
eminência nuclear lateral por uma rota migratória distinta chamada fluxo
migratório rostral. Em alguns mamíferos, o fluxo migratório rostral
permanece em posição e guia os neurônios recém-gerados a partir de uma
zona proliferativa, chamada zona subventricular anterior, ou ZSV, para o
bulbo olfatório, talvez por toda a vida. O cérebro humano, porém, não
possui fluxo migratório rostral após o nascimento, e é improvável que
novos interneurônios olfatórios sejam gerados muito tempo depois na vida
pós-natal. No cerebelo, os interneurônios (glutamatérgicos em vez de
GABAérgicos) são gerados a partir de uma camada proliferativa
imediatamente embaixo da pia-máter, chamada camada celular granular
externa. As células granulares pós-mitóticas então migram de volta para o
cerebelo rudimentar, passam as células de Purkinje (neurônios de projeção
cerebelar, gerados localmente) usando um guia glial, a glia de Bergmann,
para facilitar a migração. Assim, em várias regiões encefálicas neurônios de
projeção e interneurônios são gerados em zonas distintas, seguidas da
migração que aproxima esses neurônios para formar circuitos.
A história complexa torna o neocórtex vulnerável às alterações do
desenvolvimento com potencial impacto sobre a doença. Transtornos
comportamentais, desde autismo e transtorno do déficit de atenção e
hiperatividade (TDAH) até transtorno bipolar e esquizofrenia, podem
refletir, em parte, alterações na neurogênese e migração. O
desenvolvimento cortical demanda uma precisão perfeita para que os
neurônios sejam gerados nos momentos certos e alcancem os locais certos.
Pequenas, mas significativas, perturbações podem eventualmente induzir
alterações sutis, mas significativas, nos circuitos corticais bem como nos
comportamentos sociais, comunicativos e cognitivos, correspondentes a
eles. Essas hipóteses, que unem um espectro de doenças psiquiátricas em
um continuum de doenças do desenvolvimento da conectividade cortical,
ainda precisam ser testadas de maneira completa.
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