Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Anatomia Macroscópica do Cerebelo
FIGURA 8-2
Anatomia Macroscópica do Cerebelo O cerebelo, de uma palavra do latim que significa pequeno cérebro,
constitui a maior parte do rombencéfalo, ocupando a maior parte da fossa
posterior. No encéfalo humano adulto o volume do cerebelo é de
aproximadamente 144 cm3, com o peso de 150 gramas (10% do peso total
do encéfalo). Sua área de superfície, porém, constitui 40% do córtex
encefálico, contendo metade do número total de neurônios intraencefálicos.
Consistindo de dois hemisférios situados em contiguidade ao verme na linha
média, é separado do encéfalo sobrejacente pelo tentório cerebelar. O
verme (i.e., de uma palavra do latim que significa verme) é visível posterior
e inferiormente na valécula, o sulco profundo que separa os dois
hemisférios cerebelares. Superiormente, em contraste, o verme aparece
como uma saliência baixa cavalgando a linha média, estendendo-se
bilateralmente por até 10 mm.
Uma concavidade ampla no cerebelo anterior é ocupada pela ponte e
medula oblonga (ou bulbo), separadas do cerebelo pelo quarto ventrículo.
Posteriormente há uma estreita incisura mediana, alojando a foice cerebelar.
O cerebelo está ligado ao tronco encefálico por três tratos de substância
branca: o pedúnculo cerebelar superior, o médio e o inferior (descritos mais
completamente na Fig. 8-3). A superfície superior e a superfície inferior do
cerebelo se encontram no aspecto caudal do lóbulo semilunar superior. O
cerebelo constitui uma esfera e, portanto, o lóbulo do verme I/II está
separado anteriormente do lóbulo X pelo quarto ventrículo.
As superfícies cerebelares incluem inúmeras folhas estreitas separadas
por fissuras paralelas, curvas, que penetram profundamente. Cada folha
consiste ainda de múltiplas pequenas subfolhas. As folhas são agrupadas em
dez lóbulos divididos por fissuras providas de designações. Esses dez
lóbulos formam três lobos: o lobo anterior, o lobo posterior e o lobo
floculonodular. Os lóbulos I a V são o lobo anterior, os lóbulos VI a IX
constituem o lóbulo posterior e o lóbulo X é o lobo floculonodular,
incluindo o flóculo, que é uma pequena parte semidestacada situada
próximo ao pedúnculo cerebelar médio. As nomenclaturas anteriores do
cerebelo não eram uniformes (há uma versão nos diagramas para
comparação). Elas foram substituídas por um sistema numérico
simplificado e coerente, que existe no encéfalo de diferentes espécies.
Todos os lóbulos são identificáveis no verme; os lóbulos III a X são
contínuos através dos hemisférios.
A fissura primária, que separa o lobo anterior do posterior, é a mais
profunda e a mais evidente no plano sagital médio, mas não é identificável
com tanta facilidade externamente. A fissura posterior superior, que separa
o lóbulo VI do lóbulo VII, é bem visualizada sobre a superfície superior
posterior. A fissura horizontal, proeminente no aspecto posterior, no
aspecto inferior e no aspecto lateral do hemisfério, divide o lóbulo VIIA em
dois componentes principais: o lóbulo VIIAf no verme/lóbulo semilunar
superior no hemisfério e o lóbulo VIIAt no verme/lóbulo semilunar inferior
no hemisfério. O sulco paravermiano, de cada lado da superfície superior
do cerebelo, constitui uma indentação formada pelo ramo medial da artéria
cerebelar superior. O sulco retrotonsilar, no aspecto inferior e medial do
cerebelo, é causado pela orla do forame magno e delineia a tonsila, uma
estrutura morfológica macroscópica que compreende o lóbulo IX e parte do
lóbulo VIIIB, que se torna clinicamente relevante nas síndromes de
herniação.
O interior do cerebelo contém uma massa central de substância branca, a
região central medular, circundada pelas folhas cerebelares profundamente
pregueadas. A relação das folhas para com a substância branca tem uma
aparência de galho de árvore, de onde a designação de árvore da vida. A
região central de substância branca se estende às folhas como lâminas
estreitas, circundadas pelas três camadas do córtex cerebelar. A substância
branca consiste principalmente de fibras musgosas e de fibras trepadeiras
que penetram no cerebelo e de axônios de células de Purkinje saindo do
córtex cerebelar para os núcleos. Não há fibras associativas no cerebelo
ligando áreas corticais cerebelares entre si. Os núcleos cerebelares na
região central medular incluem, de medial para lateral, o núcleo do fastígio,
o globoso, o emboliforme e o denteado. Juntamente com outros núcleos
menores na região central medular e na parte posterior da ponte e da medula
oblonga, esses núcleos estão ligados ao córtex cerebelar e servem como a
unidade funcional do cerebelo, qual seja o microcomplexo corticonuclear.
Exceto pelo vestibulocerebelo, esses núcleos constituem a principal fonte
de eferentes cerebelares. Eles têm conexões altamente organizadas com
estruturas extracerebelares. O núcleo denteado, grande e cheio de dobras,
tem forma de U. Sua extremidade aberta, ou hilo, aponta medialmente,
levando fibras que, juntamente com aquelas do núcleo do fastígio, do
globoso e do emboliforme, formam o pedúnculo cerebelar superior.