Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Regulação Hipotalâmica da Função Cardiovascular

FIGURA 5-20

 

Regulação Hipotalâmica da Função

 

Cardiovascular

O hipotálamo é o componente-chave na rede do sistema nervoso central

(SNC) que administra o coração e a circulação. Diferentes comportamentos,

desde respostas emocionais a atividades motoras, necessitam de ativação de

diferentes componentes da rede de controle cardiovascular. Neurônios no

córtex encefálico enviam sinais ao córtex pré-frontal medial,

particularmente o córtex infralimbico e amígdala. Eles enviam axônios aos

neurônios hipotalâmicos que guiam a resposta cardiovascular, incluindo o

núcleo paraventricular e região hipotalâmica lateral. Os axônios

hipotalâmicos descendentes inervam pontos do tronco encefálico

envolvidos em padrões de resposta cardiovascular, como o núcleo

parabraquial e as formações reticular bulbar ventromedial e ventrolateral.

O núcleo parabraquial recebe sinais sensitivos viscerais e de dor, e

organiza padrões de respostas cardiovasculares vistas durante excitação

causada pela dor, aflição respiratória ou desconforto gastrointestinal (elevada pressão sanguínea e frequência cardíaca). Ele faz isso por

projeções diretas aos corpos celulares simpáticos e parassimpáticos, assim

como gera um padrão bulbar.

No bulbo, existem geradores-padrão distintos nas regiões ventromedial e

ventrolateral. O bulbo ventromedial recebe sinais dos grupos celulares

hipotalâmicos envolvidos na termorregulação, e ele organiza os padrões de

respostas simpáticas necessárias para a termogênese (elevada frequência

cardíaca e ativação do tecido adiposo marrom, com o desvio do fluxo

sanguíneo da pele para um leito vascular profundo). Isso também requer

elevação da frequência cardíaca para lidar com a elevada demanda cardíaca

da hipertermia. O bulbo ventrolateral, em contraste, produz padrões de

respostas necessárias para a manutenção da pressão sanguínea durante a

postura ereta, chamados reflexos barorreceptores.

Outros axônios hipotalâmicos descendentes vão diretamente para o

núcleo do trato solitário, assim como neurônios pré-ganglionares no núcleo

ambíguo no bulbo, que controlam a frequência cardíaca através do nervo

vago e coluna intermediolateral da medula espinal, que controla a

vasoconstrição. Eles podem produzir padrões de ativação autonômica que

são organizados no nível hipotalâmico, como respostas ao estresse ou fome.

Os alvos do tronco encefálico desse sistema descendente coordenam os

reflexos cardiovasculares. Por exemplo, o seio do nervo carotídeo (um ramo

do nervo glossofaríngeo) e do nervo depressor aórtico (um ramo do nervo

vago) trazendo informação ao núcleo do trato solitário a respeito do

estiramento aórtico e carotídeo. Quando a pressão sanguínea está elevada,

neurônios no núcleo do trato solitário ativam neurônios cardiovagais no

núcleo ambíguo para desacelerar o coração e inibir neurônios do bulbo

ventrolateral que mantêm o tônus da pressão sanguínea pela ativação de

neurônios pré-ganglionares simpáticos vasoconstritores. Esse reflexo do

barorreceptor pode ser modificado por sinais hipotalâmicos descendentes

durante períodos de estresse, por exemplo, pode haver um aumento

simultâneo na pressão sanguínea e frequência cardíaca sem ativação do

reflexo barorreceptor.

Projeções do hipotálamo na coluna intermediolateral pode ativar

diretamente as células ganglionares simpáticas relacionadas com a

cardioaceleração e a força de contração, para aumentar o débito cardíaco.

Outros axônios hipotalâmicos descendentes podem contatar neurônios pré-ganglionares adrenais, resultando no aumento da adrenalina circulante, que

também aumenta a vasoconstrição e o débito cardíaco.