Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Apoplexia Hipofisária

FIGURA 5-32

 

Apoplexia Hipofisária Apoplexia hipofisária indica a presença de necrose hemorrágica da hipófise,

que geralmente ocorre em um macroadenoma hipofisário. Em alguns casos,

a hemorragia pode ocorrer dentro de lesões císticas (incluindo o cisto da

fenda de Rathke). Raramente, a apoplexia hipofisária pode ocorrer como

resultado de hemorragia dentro da glândula hipófise, na ausência de um

adenoma ou cisto. Apoplexia hipofisária é uma condição rara. Em

contraste, hemorragia assintomática dentro de adenoma hipofisário não é

incomum (ocorrendo em aproximadamente 15% dos pacientes com

adenomas hipofisários).

Pacientes com apoplexia hipofisária apresentam dores de cabeça intensas

de início agudo, que geralmente é considerada como a pior dor de cabeça já

experimentada. Náuseas e vômitos são bastante comuns, e a rápida

expansão dos conteúdos intrasselares geralmente leva à compressão do

quiasma óptico, causando defeitos no campo visual. Expansão lateral

resultando em compressão dos nervos que passam pelos seios cavernosos

(incluindo o terceiro, quarto, quinto e sexto nervos craniais),

frequentemente leva à diplopia, ptose, dor facial ou torpor. Pressão

intracranial elevada pode ocorrer, levando a diminuição do nível de

consciência. Interferência na função do hipotálamo pode levar a

manifestações de disfunções do sistema nervoso simpático, incluindo

arritmias ou distúrbios respiratórios.

Além disso, um pouco de sangue pode entrar no espaço subaracnoide,

provocando uma irritação meningeal, podem ocorrer febre e rigidez de

nuca. Análise do fluido cerebroespinal pode revelar a presença de células

vermelhas e aumento de conteúdo proteico. Portanto, é evidente que a

apoplexia hipofisária deve ser considerada diagnóstico diferencial para

pacientes com suspeita de hemorragia subaracnoide e meningite.

Pode ocorrer a insuficiência da hipófise com risco de vida como

resultado de hipoadrenocorticismo central (crise adrenal). Hipopituitarismo

anterior tem sido relatado em mais de 90% das apoplexias hipofisárias. Em

contraste, diabetes insípido central é incomum.

Apoplexia hipofisária é geralmente espontânea e ocorre frequentemente

com a apresentação de um adenoma hipofisário. Fatores de risco

identificados para o desenvolvimento de apoplexia hipofisária incluem

trauma, uso de anticoagulantes (incluindo heparina ou varfarina), distúrbios coagulantes e administração de agonistas de dopamina (incluindo

bromocriptina ou cabergolina) ou hormônios liberadores do hipotálamo.

A imagem de ressonância magnética geralmente revela um foco de

hipersensitividade (em imagens de T1 não contrastadas) dentro da massa

selar. Um nível de líquido pode estar evidente. Invasão do quiasma óptico

ou seio cavernoso está frequentemente presente. Exames laboratoriais

geralmente revelam evidência de hipopituitarismo.

Apoplexia hipofisária é uma emergência médica e neurocirúrgica. Esses

pacientes devem ser hospitalizados e no mínimo receber uma dose de

glicocorticoides como cobertura para o estresse para prevenir o

desenvolvimento de crise adrenal. Em nota, doses farmacológicas de

glicocorticoides são frequentemente administradas para minimizar efeitos

agudos de pressão da massa selar hemorrágica em estruturas vizinhas.

Pacientes com diminuição dos níveis de consciência ou outra evidência

de pressão intracraniana elevada, defeitos de campo visual, diplopia ou

ptose devem ser considerados para descompressão cirúrgica precoce (em

uma semana) realizada geralmente pela via transesfenoidal. A cirurgia

hipofisária antecipada está associada à recuperação mais completa dos

déficits de campo visual do que observação. Em contraste, pacientes que

mantêm níveis normais de consciência e apresentam aumento evidente da

pressão intracranial, defeitos do campo visual ou oftalmoplegia devem ser

observados. Tais pacientes devem ser selecionados para cirurgia hipofisária,

se a massa selar não regredir consideravelmente, após reabsorção da

hemorragia. As funções hipofisárias devem ser monitoradas e a prescrição

de terapias de reposição hormonal é necessária. Hipopituitarismo

geralmente é permanente, independente da realização de cirurgia.