Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Paralisia Encefálica

FIGURA 7-19

 

Paralisia Encefálica Paralisia encefálica (PE) é o termo aplicado a um grupo de síndromes de

alteração motora lenta ou não progressiva, decorrentes de várias lesões ou

anomalias encefálicas congênitas. Embora a lesão inicial possa ser fixa, o

padrão clínico das manifestações iniciais pode variar com o crescimento e o

desenvolvimento. Sua incidência é de 2 a 2,5 casos por 1.000 crianças

nascidas vivas. As causas são diversas. Aproximadamente 75% dos casos se

devem a uma lesão pré-natal, com menos de 10% dos casos se devendo a

um trauma de parto ou à asfixia. Baixo peso ao nascimento e prematuridade

são fatores de risco importantes para a ocorrência da paralisia encefálica.

Outros fatores de risco incluem corioamnionite, exposições teratogênicas,

hiperbilirrubinemia e hipoglicemia. A paralisia encefálica tem incidência

mais alta em gêmeos e em trigêmeos do que em filhos não gemelares.

A paralisia encefálica é um diagnóstico clínico. A indicação mais precoce

é a ocorrência de atrasos em marcos do desenvolvimento. Os marcos

adquiridos não evidenciam regressão. Outros sinais precoces incluem a

preferência manual, punhos cerrados proeminentes, persistência de reflexos

neonatais e atrasos na emergência de reflexos protetores e posturais.

A classificação topográfica da PE inclui os tipos monoplégico, diplégico,

hemiplégico e tetraplégico. Os casos também podem ser classificados em

espásticos, discinéticos, atáxicos, hipotônicos e mistos. O mais comum

desses tipos é o da paralisia encefálica espástica com diplegia dos membros

inferiores, e marcha em tesoura, constituindo 70% a 75% dos casos. A

aquisição de imagens demonstra uma leucomalácia periventricular em

torno dos ventrículos laterais, sendo a isquemia o achado patológico mais

comum. Os casos leves se manifestam por caminhar sobre os artelhos,

enquanto os casos graves apresentam flexão dos quadris, dos joelhos e dos

cotovelos.

Na paralisia encefálica hemiplégica o membro superior é

predominantemente afetado. Os reflexos de preensão palmar podem estar

presentes e podem persistir por vários anos. A paralisia encefálica

tetraplégica, a forma mais grave, se caracteriza por poliporencefalia,

polimicrogiria e esquizencefalia aos estudos de aquisição de neuroimagens.

Sinais pseudobulbares e atrofia óptica estão comumente presentes em até

50% das crianças afetadas.

São comuns a deficiência mental (60%), alterações visuais e alterações

oculomotoras. Naquelas crianças que vêm a apresentar paralisia encefálica em consequência de kernicterus os achados clínicos mais comuns são

surdez, distonia, coreoatetose e, em escala menor, ataxia, além do

envolvimento do trato corticoespinal em uma proporção menor dos

pacientes. Esses são aspectos-chave a serem recordados ao se avaliar

adultos que vêm para a avaliação de um novo transtorno de movimento e

têm história de hiperbilirrubinemia neonatal. De 35% a 60% das crianças

portadoras de paralisia encefálica apresentam alguma forma de epilepsia.

Dificuldades de alimentação, disfunção da deglutição e sialorreia podem

complicar o quadro clínico.

 

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