Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Organização Modular Cerebelar
O córtex cerebelar e os núcleos cerebelares profundos (NCPs) estão ligados
anatomicamente em múltiplos microcomplexos corticonucleares repetidos,
em arranjo parassagital e identificáveis histoquimicamente. Eles canalizam
os axônios das células de Purkinje (CPs) de zonas longitudinais de CPs a
regiões focais nos NCPs. A organização zonal se reflete também nas
conexões da oliva inferior com o córtex cerebelar e os NCPs. As zonas
cerebelares são divididas ainda em microzonas de aproximadamente 0,5
mm de diâmetro (4 a 5 CPs), estendendo-se em sentido rostrocaudal por
muitos milímetros. Os corantes à base de anticorpos monoclonais mostram
faixas alternadas no córtex positivas e negativas para zebrina, que se
correlacionam com conexões corticonucleares e olivocerebelares.
Projeção corticonuclear cerebelar
A eferência do córtex cerebelar aos NCPs deriva única e exclusivamente
das CPs e é inibitória. O verme faz projeção ao núcleo do fastígio, o córtex
intermediário faz projeção ao núcleo globoso e ao núcleo emboliforme e os
hemisférios laterais fazem projeção ao núcleo denteado (ND). Há uma
projeção excitatória recíproca dos neurônios dos NCPs de volta às CPs (Fig.
8-5).
Núcleo olivar inferior
Esse complexo nuclear é um folheto dobrado de 1,5 milhão de neurônios na
medula oblonga, situado entre o trato piramidal e o núcleo reticular lateral.
A oliva acessória medial (OAM) e a oliva acessória dorsal (OAD) têm cada
uma componentes rostrais e caudais. A oliva principal (OP) tem lamelas
dorsais, laterais, ventrais e mediais. Outros subnúcleos incluem o grupo de
células β, a coluna celular dorsomedial (CCDM) e o capuz dorsal de Kooy.
Os dendritos proximais dos neurônios olivares têm anexos que formam a
parte central de uma complexa estrutura sináptica, o glomérulo olivar. Esses
anexos têm junções sinápticas que possibilitam o acoplamento eletrotônico
entre grupos de neurônios olivares. Cada axônio olivar leva de 7 a 10 fibras
trepadeiras ao córtex cerebelar e aos NCPs; uma FT por CP (Fig. 8-6). Aferentes olivares e projeções da oliva ao
cerebelo
A oliva recebe múltiplos aferentes excitatórios, envia FTs excitatórias a
microzonas parassagitais discretas longitudinalmente orientadas no córtex
cerebelar e envia colaterais a áreas focais nos NCPs que estão ligados a CP
nessa microzona cortical. Os neurônios olivares recebem projeções
feedback inibitórias daqueles neurônios dos NCPs aos quais fazem
projeção, formando um sistema em alça fechada.
As projeções da medula espinal são levadas diretamente à OAM e à
OAD pelos tratos espino-olivares (TEO) ventrais cruzados e indiretamente
pelo TEO dorsal, que sobe pela coluna dorsal ipsilateral, faz sinapse no
núcleo grácil e no núcleo cuneiforme, decussa para a oliva contralateral e
decussa novamente na projeção olivocerebelar, terminando no cerebelo
ipsilateralmente à origem na medula espinal. As fibras espino-olivares
terminam nas representações primárias e secundárias do braço e da perna no
espinocerebelo (zonas A até C3).
O núcleo sensitivo do trigêmeo faz projeção à OAM caudal e à OAD
rostromedial; estas fazem projeção ao lóbulo VI nas zonas C1 e C3, com
colaterais ao núcleo emboliforme.
As projeções do córtex encefálico são levadas até a oliva e o cerebelo
pelo componente parvocelular do núcleo rubro (NRpc). O córtex encefálico
motor primário e o pré-motor estão ligados somatotopicamente ao NRpc
caudolateral; esse núcleo faz projeção à lâmina dorsal e à curva da OP que
enviam eferentes à zona cerebelar lateral D2 e ao núcleo denteado
dorsolateral (paleodenteado) e à OAM rostral, que tem como alvo a zona
cerebelar C2 e o núcleo globoso. Os campos oculares frontais, as áreas pré-
motoras e as áreas pré-frontais fazem projeção através do NRpc
dorsomedial e da lâmina ventral da OP à zona cerebelar medial D1 e ao
núcleo denteado caudoventral (neodenteado).
As informações optocinéticas dos núcleos pré-tectais, incluindo o núcleo
do trato óptico e os núcleos ópticos acessórios, são transmitidas ao capuz
dorsal e à excrescência ventrolateral e retransmitidas ao lóbulo X (lobo
floculonodular).
As informações vestibulares são levadas até os núcleos vestibulares,
incluindo o núcleo parassolitário, que fazem projeção através da CCDM e
do núcleo β às regiões do verme e do hemisfério dos lóbulos IX (úvula,
paraflóculo) e X (nódulo e flóculo).
As informações visuais do colículo superior são retransmitidas através da
OAM caudal à área visual do verme no lóbulo VII e no núcleo do fastígio.
Outros aferentes se originam de regiões mesencefálicas relacionadas com o
controle oculomotor (núcleos de Darkschewitsch, de Cajal, de Edinger-
Westphal, peri-hipoglossal) e são levadas até os lóbulos IX e X do verme. O
núcleo reticular lateral, a substância cinzenta periaquedutal e a zona incerta
levam até a oliva informações motoras, nociceptivas/autonômicas e
associativas.
Juntamente com suas conexões à oliva inferior, os microcomplexos
corticonucleares constituem módulos cerebelares que estão também ligados
a estruturas pontinas e a outros aferentes e eferentes. A uniformidade da
arquitetura paracristalina dos módulos dá sustentação provavelmente à
computação neural, a transformação cerebelar universal, comum a todas as
áreas cerebelares, que pode ser aplicada a múltiplos domínios da função
neurológica em virtude das conexões precisas de cada módulo a estruturas
extracerebelares.