Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Seção 8: Cerebelo e ataxia
S E Ç Ã O 8
Cerebelo e ataxia
FIGURA 8-1
Cerebelo e o Quarto Ventrículo O quarto ventrículo se situa posteriormente à ponte e à metade superior da
medula oblonga e anteriormente ao cerebelo (Fig. 8-1). Sua extremidade
superior e sua extremidade inferior se tornam contínuas, respectivamente,
com o aqueduto encefálico (Sylviano ou mesencefálico) e com o canal
central da medula espinal na metade inferior da medula oblonga. De cada
lado um prolongamento estreito, o recesso lateral, faz projeção
externamente a partir de sua parte mais larga e faz uma curva em torno do
tronco encefálico acima do pedúnculo cerebelar inferior (caudal)
correspondente; sua abertura lateral (forame de Luschka) se situa abaixo do
flóculo cerebelar e atrás das radículas emergentes do nervo glossofaríngeo
(IX) e do nervo vago (X). O quarto ventrículo tem limites laterais, um teto e
um assoalho.
Os limites laterais são formados de cada lado, de cima para baixo, pelo
pedúnculo cerebelar superior, o pedúnculo cerebelar inferior e os tubérculos
cuneiforme e grácil.
Teto do Quarto Ventrículo
A parte superior e a parte inferior do teto em forma de V são formadas pelo
véu medular superior e o véu medular inferior, que são finas lâminas de
substância branca entre o pedúnculo cerebelar superior e o inferior. A parte
inferior do véu inferior tem uma abertura mediana (o forame de Magendie);
o liquor cefalorraquiano passa por essa abertura e pelas aberturas laterais
(forames de Luschka) para o espaço subaracnóideo ou leptomeníngeo. Por
serem estas as únicas comunicações entre o espaço ventricular e o
subaracnoide, seu bloqueio pode produzir hidrocefalia.
A parte inferior do teto e as paredes posteriores dos recessos laterais
apresentam invaginações de tufos vasculares da pia-máter, que formam o
plexo corióideo em forma de T do quarto ventrículo.
O assoalho do quarto ventrículo tem forma romboide e é dividido em
metades simétricas por um sulco mediano vertical. Sua parte superior
(pontina) e sua parte inferior (medular) são demarcadas por delicados feixes
transversos de fibras, as estrias medulares do quarto ventrículo.
De cada lado do sulco mediano há uma elevação longitudinal, a
eminência mediana, lateralmente à qual passa o sulco limitante. Sua parte
superior é o locus ceruleus, que tem uma coloração cinza-azulado devido a um grupo de células nervosas profundamente pigmentadas. Também
lateralmente à parte superior da eminência mediana há uma pequena
depressão, a fóvea superior, e imediatamente abaixo e medialmente a essa
fóvea há uma tumefação arredondada, o colículo facial, que é sobrejacente
ao núcleo do nervo abducente (VI) e às fibras do nervo facial (VII) que o
circundam; o núcleo motor do nervo facial se situa mais profundamente na
ponte. Inferolateralmente à fóvea superior se encontra a parte superior da
área vestibular, que é sobrejacente a partes dos núcleos do nervo
vestibulococlear (VIII).
A parte inferior (bulbar) da eminência mediana é sobrejacente ao núcleo
do 12° nervo craniano e é designada como trígono do nervo hipoglosso.
Lateralmente a ele se encontra uma pequena depressão, a fóvea inferior, que
é sobrejacente aos núcleos dorsais do nervo glossofaríngeo e do nervo vago,
juntamente com o trígono vagal vizinho. Lateralmente à fóvea inferior se
situa a parte inferior da área vestibular, sobrejacente a partes dos núcleos
vestibulares do nervo vestibulococlear. Em um plano mais profundo, partes
dos núcleos do trigêmeo, do trato solitário e ambíguo também são
subjacentes ao assoalho do quarto ventrículo. Alguns dos núcleos
mencionados, como o núcleo dorsal do vago e o ambíguo, assim como
outros localizados na formação reticular vizinha, estão ligados a funções
cardiovasculares, respiratórias, metabólicas e outras funções importantes e
são considerados como centros vitais. Toda e qualquer lesão nessa área
relativamente pequena do encéfalo pode produzir consequências
desastrosas.