Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Seção 6: Distúrbios da consciência (coma)

S E Ç Ã O 6

 

Distúrbios da consciência (coma)

FIGURA 6-1

 

Coma O termo consciência refere-se ao estado de percepção de si e de seu

ambiente. Avaliar a consciência de outra pessoa depende de julgar a

performance ou comportamento do indivíduo em determinadas funções

mentais ou resposta de acordar frente ao estímulo. A palavra coma origina-

se do grego koma (κωμα) e komatos significa sono e sono profundo,

respectivamente. Neste capítulo, a palavra é usada como o termo que

descreve um estado potencialmente irreversível de dormência irresponsiva,

que não se assemelha em nada ao sono. A partir dessa definição exata, não

deve haver graus de coma, porém muitos médicos percebem a utilidade em

reconhecer e categorizar uma resposta comportamental do paciente em três

funções principais: respostas motora e verbal e abertura de olhos (veja a

Fig. 14-15 no escore da Escala de Coma de Glasgow). Entretanto, comparar

o grau da resposta motora ao da profundidade do coma é confuso, pois as

estruturas neurais que regulam a função motora e consciência são

independentes. Isso prova que é comum a prática de utilizar a integridade

clínica do córtex motor e tronco encefálico, e suas respectivas projeções,

como um indicador do nível de dano.

Localização apropriada e as respostas flexoras em pacientes comatosos

implicam funcionamento das vias sensitivas e que o trato piramidal, a partir

do córtex encefálico efetor, também funciona, pelo menos parcialmente

(Fig. 6-5). Quando os dois lados são testados, a ausência unilateral de

respostas é consistente com a interrupção do trato corticoespinal em algum

ponto do seu trajeto. Perda da resposta nos dois lados pode ser reflexo de

uma lesão no tronco encefálico que interrompe o trato corticoespinal

bilateralmente, ou indica lesão à formação reticular pontobulbar e vias

extrapiramidais associadas. Respostas motoras inapropriadas dependem do

nível da lesão ao tronco encefálico como demonstradas em três repostas

principais ao estímulo doloroso: rigidez de decorticação, rigidez de

descerebração e alterações de descerebração nos braços combinadas a

respostas flexoras nas pernas.

Rigidez decorticada consiste na flexão dos braços, pulsos e dedos com

adução na extremidade superior e extensão, rotação interna e flexão plantar

na extremidade inferior. Esse padrão motor ocorre se a atividade do tronco

encefálico está diminuída acima dos níveis do núcleo rubro, pois o núcleo

rubro possui uma forte influência na flexão dos membros superiores. Ele ocorre com lesões que envolvem a via corticoespinal na cápsula interna,

hemisfério encefálico ou pedúnculo encefálico rostral.

Rigidez de descerebração consiste no opistótono com cerrar de dentes,

braços estendidos, aduzidos e hiperpronados, e pernas estendidas com

flexão plantar dos pés. Esse padrão motor ocorre se a atividade do tronco

encefálico estiver diminuída entre os níveis do polo rostral do núcleo rubro

e núcleos vestibulares (mesencéfalo rostral a ponte), como visto durante

deterioração rostral-caudal com herniação transtentorial, lesões da fossa

posterior expandindo-se posteriormente, ou neurotoxicidade do tronco

encefálico superior. Isso ocorre pela redução na inibição extensora,

normalmente exercida na formação reticular no córtex encefálico.

Consequentemente, os neurônios motores extensores da medula são

controlados por regiões facilitadoras da extensão da formação reticular, que

são ativadas por estímulos dolorosos. Os núcleos vestibulares laterais

também estão intimamente envolvidos, pois experimentalmente, a postura

extensora é bastante reduzida quando os núcleos vestibulares laterais

sofrem ablação. A rigidez de descerebração ou postura dos braços

combinadas tanto com repostas flexoras fraca quanto com respostas

flácidas nas pernas é um padrão motor encontrado em pacientes com

extensos danos ao tronco encefálico, estendendo-se para baixo até ou

através da ponte ao nível trigeminal.