Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Tumores Encefálicos Pediátricos
FIGURA 12-4
Tumores Encefálicos Pediátricos Os tumores encefálicos representam o segundo tipo de câncer mais comum
em crianças e o tipo mais comum de tumor sólido. Estes tumores
geralmente ocorrem na fossa posterior; os tipos mais comuns incluem os
astrocitomas pilocíticos, gliomas do tronco encefálico e meduloblastomas.
Os astrocitomas pilocíticos são tumores de grau I da Organização
Mundial de Saúde (OMS). Podem ocorrer em qualquer região do sistema
nervoso central, mas com frequência surgem no cerebelo das crianças. Os
tumores geralmente têm componentes císticos e sólidos. Em alguns casos, o
componente cístico pode ser bastante grande, com a massa tumoral sólida
associada aparecendo como um nódulo “mural” menor na parede do cisto.
Os gliomas do tronco encefálico englobam vários subtipos de tumores,
cada um com suas próprias características patológicas e clínicas. Embora
possam ser observados em pacientes adultos, são muito mais comuns em
crianças. Há quatro tipos: gliomas exofíticos dorsais, gliomas tectais,
gliomas cervicobulbares e gliomas pontinos difusos infiltrativos. Os
gliomas exofíticos dorsais são astrocitomas de baixo grau e crescimento
lento originados no assoalho do quarto ventrículo. Gliomas tectais
intrínsecos do mesencéfalo tendem a ser astrocitomas de baixo grau,
ocorrendo próximos ao terceiro ventrículo e ao aqueduto do mesencéfalo.
Os tumores cervicobulbares são astrocitomas típicos de baixo grau da
região superior da medula espinal e da parte inferior do tronco encefálico,
embora outros tipos de tumores possam ser observados. O tipo mais
agressivo é o glioma pontino difuso infiltrativo. Estes são tumores de grau
III ou IV da OMS e têm um prognóstico muito reservado, com uma
sobrevida mediana de apenas 9 meses apesar do tratamento máximo com
radiação e quimioterapia.
Os meduloblastomas são tumores encefálicos embrionários de grau IV da
OMS que surgem no cerebelo e tendem a se disseminar pelas vias do
líquido cefalorraquiano (LCR) ao longo do encéfalo e da coluna. São
tumores extremamente celulares com um prognóstico muito variável, que
não é previsto pelas características histológicas. A análise de seus perfis
moleculares revelou que esta heterogeneidade ocorre porque consistem em
múltiplas subclasses associadas a diferentes características demográficas,
genética, apresentação clínica e evolução. A maioria dos tumores é
diagnosticada na infância ou adolescência.
Manifestações Clínicas
Em geral, os gliomas do tronco encefálico produzem sintomas que refletem
a localização exata do tumor no tronco encefálico, a velocidade de
crescimento e a presença de uma obstrução do fluxo de LCR. Pacientes com
gliomas tectais muitas vezes apresentam sinais e sintomas de hidrocefalia
isolada. Os tumores exofíticos dorsais do tronco encefálico podem se
manifestar com dores de cabeça decorrentes da hidrocefalia juntamente com
ataxia decorrente de disfunção cerebelar. Os gliomas pontinos difusos
geralmente exibem visão dupla e fraqueza facial devido a paralisias dos
nervos cranianos VI e VII, acompanhadas por disfunção motora e cerebelar
dos membros contralaterais. Os meduloblastomas podem apresentar ataxia
decorrente de disfunção cerebelar, déficits dos nervos cranianos, cefaleia e
vômito devido à hidrocefalia ou, ocasionalmente, sinais e sintomas
atribuíveis a uma compressão da medula espinal ou da raiz nervosa
derivada da disseminação extensa do tumor.
FIGURA 12-5
Estudos Diagnósticos Com o advento da RM, a capacidade de diagnosticar tumores do tronco
encefálico melhorou tremendamente. Gliomas tectais e gliomas pontinos
intrínsecos difusos frequentemente são diagnosticados apenas com base no
aspecto da RM sem biópsia. Isto é especialmente importante considerando-
se o alto risco de lesão neurológica decorrente do procedimento de biópsia.
Tumores exofíticos dorsais do tronco encefálico tendem a apresentar bordas
nítidas e são relativamente homogêneos.
Os meduloblastomas em geral são lesões cerebelares bem definidas na
linha média com regiões de mineralização, cistos intratumorais e vasos
sanguíneos e contraste heterogêneo. Devido à propensão de
meduloblastomas para disseminação, todo o eixo neural deve ser
examinado. Além disso, o LCR deve ser analisado para pesquisar a
presença de células tumorais, uma vez que o tumor tende a se disseminar
pelas vias do LCR.
Tratamento
Os tumores exofíticos dorsais do tronco encefálico e tumores
cervicobulbares são passíveis de ressecção cirúrgica, seguida por
quimioterapia ou radioterapia para tumores progressivos ou sintomáticos
que não possam ser removidos completamente. Gliomas tectais em geral
são tratados abordando-se a hidrocefalia, embora tumores maiores ou
progressivos possam exigir tratamento adicional. Lesões pontinas
infiltrantes difusas são tratadas com uma combinação de radioterapia
fracionada e quimioterapia.
O tratamento inicial de meduloblastomas consiste em ressecção cirúrgica,
sendo que a extensão da ressecção cirúrgica é um fator prognóstico
importante. O tratamento subsequente depende de o paciente ser
classificado na categoria de “risco médio” (mais de 3 anos de idade, com
ressecção total ou quase total do tumor e sem evidência de doença
disseminada) ou “alto risco” (menos de 3 anos de idade, ressecção inferior a
quase ou total e evidência de doença disseminada). Pacientes com risco
médio são tratados com doses mais baixas de radiação e menos
quimioterapia.