Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Estrutura neuronal e sinapses

FIGURA 2-14

 

 

Estrutura neuronal e sinapses Estrutura neuronal

Um neurônio típico do sistema nervoso central consiste em três partes:

árvore dendrítica, corpo celular (soma) e axônio.

A árvore dendrítica altamente ramificada possui uma área de superfície

muito maior do que o resto do neurônio e é a parte receptiva da célula. Os

terminais de entrada sináptica fazem contato diretamente com a superfície

dendrítica ou com as pequenas espinhas (gêmulas) que se protraem delas. O

potencial de membrana induzido nos dendritos espalha-se passivamente

sobre o soma celular, o que permite que todas as informações que atuam

sobre o neurônio sintetizem-se para o controle da velocidade de descarga

neuronal através do axônio.

O soma contém as várias organelas que controlam e mantêm a estrutura

neuronal: núcleo, aparelho de Golgi, lisossomos, ribossomos, mitocôndrias

e retículos endoplasmáticos liso e granuloso. O retículo endoplasmático

granuloso, salpicado de ribossomos, é chamado de substância de Nissl

devido à sua característica de se corar com a coloração de Nissl. Os

ribossomos são o local de síntese de proteínas neuronais; como em outras

células, as matrizes de ácido ribonucleico (RNA) que controlam a estrutura

da proteína são transcritas dos padrões no ácido desoxirribonucleico

(DNA). A membrana do soma também é coberta com terminações

sinápticas separadas pelos processos gliais. Devido à sua proximidade com

a origem do axônio, essas terminações sinápticas têm um efeito

especialmente potente sobre a velocidade de descarga do neurônio.

Em seres humanos, o axônio pode se estender por vários metros. Tais

extensões constituem problemas de suprimento porque o neurônio deve

transportar proteínas e outras substâncias sintetizadas até os terminais

axonais. Certas substâncias-chave são transportadas, a uma velocidade que

chega a 400 mm/dia, pelo rápido transporte axonal, um processo

provavelmente associado a microtúbulos que se originam no soma e correm

por toda a extensão do axônio. Outras partículas solúveis se movem por

meio do transporte axonal lento a uma velocidade de 1 a 4 mm/dia, em

parte auxiliados pelo movimento peristáltico do axônio.

O axônio origina-se de uma projeção cônica (cone axonal) no soma (Fig.

2-14) ou em um dos dendritos proximais. A membrana do axônio é

especializada para a transmissão de potencial de ação. Devido à sua forma e alta excitabilidade, o segmento inicial do axônio é, em geral, o local da

geração do potencial de ação. O potencial de ação então espalha-se

distalmente pelo axônio e retrogradamente para o soma e dendritos

proximais. Devido à baixa excitabilidade dos dendritos, o impulso

normalmente não se espalha para muito longe dentro da árvore dendrítica.

Em sua extremidade distal, o axônio divide-se em inúmeros ramos, que

terminam e sinapses.

 

Tipos de sinapses neuronais

As sinapses mais comuns do sistema nervoso central (SNC) são aquelas

entre os terminais axonais e dentritos (axodendríticas) ou entre terminais

axonais e o soma (axossomática). As sinapses axodendríticas assumem

várias formas. As sinapses espinais são de particular interesse, porque

podem ser o lugar de alterações morfológicas que acompanham a

aprendizagem. As sinapses axossomáticas são do tipo simples mostrado no

exemplo A. As interconexões sinápticas entre uma série de neurônios

ocorrem dentro das estruturas de organização complexa, como o glomérulo

cerebelar, embora todas as sinapses dentro do glomérulo sejam

axodendríticas.

Os axônios também formam sinapses axoaxonais com outros terminais

axonais, e estas são responsáveis pelo fenômeno de inibição pré-sináptica.

As sinapses axoaxonais também são vistas no sistema vestibular eferente e

em conexão com dendritos dos neurônios motores e outras terminações que

acabam nesses dendritos.

O SNC também contém vários tipos menos comuns de sinapses. As

sinapses dendrodendríticas são encontradas no bulbo olfatório. Na camada

plexiforme interna da retina, as interações sinápticas envolvem tríades

sinápticas de processos de células bipolares, amácrinas e ganglionares.

Outras sinapses são aquelas formadas entre os processos axonais

periféricos dos neurônios sensitivos e células receptoras sensitivas, como

na orelha interna. Aqui, o terminal axonal forma o elemento pós-sináptico,

que é despolarizado pela célula sensitiva pré-sináptica.

Existem também sinapses especializadas axossomáticas formadas pelos

axônios motores eferentes no músculo (placas terminais motoras) e pelos

axônios autonômicos nas células secretoras.