Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Causas das Crises

FIGURA 3-8

 

Causas das Crises A etiologia da epilepsia está classificada dentro de três categorias amplas:

genética, estrutural e desconhecida.

 

Causas Genéticas e Neurometabólicas

Existem muitas causas genéticas e neurometabólicas que conduzem às

crises, normalmente no início da infância. Os distúrbios genéticos incluem

manifestações como a epilepsia mioclônica grave da infância, esclerose

tuberosa, síndrome de Rett, síndrome de Angelman, a síndrome do X Frágil

(também conhecida como síndrome de Martin & Bell). Os distúrbios

neurometabólicos, que podem ter também uma causa genética, resultam de

distúrbios de metabolismo e podem conduzir às crises. Distúrbios, tais

como defeitos do ciclo de ureia, dependência de piridoxina, deficiência de

biotinidase e deficiências do transportador de glicose podem causar

deficiências graves.

 

Causas Estruturais

Os tipos mais comuns de lesões encefálicas que causam crises são os

tumores, lesões vasculares, traumas na cabeça, doenças infecciosas,

malformações congênitas do encéfalo, e processos de doenças

degenerativas ou bioquímicas que afetam o encéfalo.

O tumor encefálico é uma causa importante de crises, especialmente no

paciente adulto, tornando-se cada vez mais a causa provável após a segunda

década de vida, e uma das causas principais na quarta e quinta décadas.

Deve haver a suspeita de um tumor encefálico em qualquer pessoa que

apresente o início de crises, especialmente as crises focais, após os 20 anos

de idade.

O trauma na cabeça é uma das causas principais de crises, que podem

ocorrer logo após a lesão da cabeça, ou com mais frequência, vários meses

a alguns anos posteriormente. Os fatores que aumentam a probabilidade de

desenvolvimento de crises pós-traumáticas são uma lesão penetrante na

cabeça, danos graves ao encéfalo, períodos prolongados de inconsciência,

amnésia pós-traumática, complicações de cicatrização e um déficit

neurológico persistente.

A doença vascular é uma das causas mais comuns de crises em pessoas

mais idosas, especialmente após os 50 anos de idade. As crises podem ocorrer transitoriamente após um ataque agudo (trombótico, embólico ou

hemorrágico), ou pode desenvolver-se mais tarde como uma sequela de

doença cerebrovascular. Apesar de serem incomuns, as malformações

arteriovenosas frequentemente estão associadas às crises. Outras causas

vasculares incluem hematomas subdurais, trombose venosa e encefalopatia

hipertensiva.

As crises podem ocorrer com qualquer infecção aguda do sistema

nervoso, ou como uma complicação de danos ao sistema nervoso pelo

processo inflamatório. Pacientes com abscessos encefálicos apresentam

uma alta incidência de crises, e a encefalite e a meningoencefalite podem

estar associadas às crises generalizadas ou focais.

As malformações encefálicas congênitas são uma causa comum das

crises na infância. Com a melhora das neuroimagens, muitos pacientes

considerados como portadores de epilepsia idiopática foram diagnosticados

posteriormente com malformações encefálias. A gravidade das crises está

relacionada com o tipo e extensão da malformação.

 

Causas Sistêmicas

Os processos ou distúrbios da doença que podem causar crises incluem

diversos tipos de perturbações bioquímicas, distúrbios eletrolíticos e

metabólicos, hipóxia, hipoglicemia, processos tóxicos, drogas, ou retirada

abrupta de drogas ou álcool. Várias condições, tais como febre, fadiga,

privação do sono, luzes intermitentes, som, ou fatores emocionais, também

podem precipitar crises em indivíduos suscetíveis. Em crianças novas, a

febre é uma causa comum de crises.