Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Pediatria: Transtornos Depressivos
FIGURA 4-25
Pediatria: Transtornos Depressivos Os transtornos depressivos são um grupo de problemas de saúde mental em
crianças e adolescentes caracterizados por um humor triste ou irritável. Em
termos simples, esses transtornos são causados por uma diferença na
estrutura e na função da parte do cérebro que controla a intensidade de
humores tristes e irritáveis. A vulnerabilidade ao desenvolvimento de
transtornos depressivos pode ser determinada geneticamente.
Concomitantemente, há com frequência algo no ambiente do jovem que
desencadeia sentimentos de tristeza ou irritação, como relações negativas
com amigos ou com pai/mãe ou a perda de entes queridos. Estima-se que 4
a 5 em 100 jovens tenham transtornos depressivos.
O mais grave desses transtornos, o transtorno depressivo maior, é
caracterizado por um período distinto de pelo menos duas semanas durante
o qual a criança/adolescente experimenta um humor depressivo ou irritável
presente na maior parte do dia quase todos os dias e/ou está associado à
perda de interesse ou prazer em quase todas as atividades. Muitas vezes há
problemas graves com alimentação, sono, energia, concentração,
sentimentos de desvalia ou culpa extrema e perda da vontade de viver.
Esses sintomas podem se manifestar no jovem como mau-humor, perda de
interesse em sair com amigos, recusa de levantar da cama para ir à escola
pela manhã, ou preocupação com músicas tristes que sugerem que a vida
não faz sentido. Para se encaixar no diagnóstico, é preciso que os problemas
causem sofrimento e/ou prejudiquem a função do jovem em casa, na escola
e com os amigos. Depois da puberdade, o transtorno depressivo maior é
mais comum em meninas do que em meninos.
O menos grave, porém mais prolongado desses transtornos, o transtorno
distímico, é caracterizado por um humor deprimido ou irritável na maior
parte do dia, mais dias presente do que não, por pelo menos um ano. Há
também problemas com alimentação, sono, energia e concentração,
sentimentos de desesperança e baixa autoestima. Para se encaixar no
diagnóstico, é preciso que os problemas causem sofrimento e/ou
prejudiquem a função do jovem em casa, na escola ou com amigos. O
transtorno distímico ocorre igualmente em meninos e meninas, e crianças
portadoras desse transtorno são mais propensas a desenvolver transtorno
depressivo maior na adolescência ou no início da idade adulta.
Diagnóstico Profissionais de saúde qualificados e com experiência em crianças,
incluindo psiquiatras, pediatras e psicólogos infantis, assistentes sociais
com treinamento em crianças, conselheiros e enfermeiros clínicos
especializados são mais bem treinados e têm a maior experiência para
diagnosticar corretamente esses transtornos depressivos. A avaliação requer
tipicamente informações de diversas pessoas próximas à criança, e o
diagnóstico se baseia nos achados de entrevistas de pais/cuidadores, bem
como entrevistas com a criança e um exame do estado mental. Não há
estudos de imageamento, exames de sangue ou outras modalidades de
testagem médica específicas que diagnostiquem esses transtornos.
Tratamento
A psicoterapia é um tratamento efetivo para esses transtornos,
especialmente por ajudar particularmente o jovem a entender e a aprender a
lidar com sentimentos de tristeza. Essas estratégias de enfrentamento
incluem aprender a identificar e a falar a respeito dos sentimentos, como
deixar de ter pensamentos negativos automáticos, como encontrar
atividades que sejam reconfortantes e estimulantes, como descobrir e
apreciar coisas positivas a respeito de si mesmos e como desenvolver
esperança pelo futuro. Caso circunstâncias no ambiente do jovem estejam
desencadeando os sentimentos de tristeza, é importante mudá-las, se
possível, para aumentar a chance de um tratamento bem-sucedido.
Se o transtorno depressivo for grave, por exemplo, se o jovem estiver
pensando que quer morrer ou perdeu grande parte de sua capacidade de
funcionar, então uma medicação antidepressiva pode ser usada como
tratamento além da psicoterapia. A medicação antidepressiva pode ajudar o
jovem a se sentir motivado a trabalhar as habilidades de enfrentamento na
terapia.
Curso
Os transtornos depressivos respondem bem aos tratamentos mencionados
anteriormente quando feitos por profissionais de saúde mental qualificados.
Se não tratados, os transtornos depressivos podem levar ao óbito por
suicídio. Essa doença muito grave também pode causar insucesso
acadêmico, envolvimento em comportamentos de risco e dificuldades subsequentes em manter ou estabelecer relacionamentos e empregos na
idade adulta.