Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Visão Geral de Função e Disfunção Hipotalâmica
Visão Geral de Função e Disfunção
Hipotalâmica
O hipotálamo trabalha na integração das funções autonômicas, endócrinas e
comportamentais do encéfalo que facilitam as funções vitais básicas, como
a manutenção do equilíbrio hídrico e de eletrólitos, alimentação e
metabolismo, temperatura corporal e gasto energético, ciclos de sono e
despertar, e uma ampla variedade de respostas emergenciais.
Consequentemente, a variedade de disfunções que ocorrem quando há o
mau funcionamento do hipotálamo também é ampla.
Visto que o hipotálamo é muito pequeno, lesões geralmente envolvem
múltiplos sistemas. Por isso, um paciente com tumor na hipófise ou
craniofaringioma atingindo o hipotálamo, pode apresentar disfunções que se
estendem a várias funções. Tais pacientes estão frequentemente sonolentos
devido a um importante ramo do sistema excitatório ascendente que corre
através da área lateral hipotalâmica. Pode haver também perda dos ritmos
circadianos (24 horas) de comportamento, de maneira que o período de
vigília relativamente limitado pode ocorrer durante a noite em do dia.
Alfred Froehlich, em 1901, relatou pacientes com tal lesão como uma
“síndrome adiposo genital”, pois eles se tornaram obesos e tinham falha na
maturação sexual. Pesquisas na última década identificaram a razão para
esta associação. A alimentação é parcialmente controlada em seres
humanos (e outros animais) pelo hormônio leptina, que é feito de tecido
adiposo branco durante períodos de abundância. Na ausência da leptina ou
de seus receptores, ambos, animais e seres humanos, estão famintos e
tornam-se obesos. Atualmente a leptina é conhecida por agir no hipotálamo,
na região acima da haste hipofisária, diminuindo a atividade nos circuitos
que promovem a alimentação. Quando tumores na região da glândula
hipofisária danificam essa porção do hipotálamo, os circuitos de
alimentação não são inibidos e o paciente torna-se obeso. Um estado de
nutrição adequado também é necessário para o encéfalo desencadear as
alterações hormonais que acompanham a puberdade. Esses circuitos
também são dependentes da leptina para fornecer um sinal de que há
armazenamento energético suficiente para fazer a reprodução possível.
Pacientes nos quais os tumores se desenvolvem antes da puberdade podem falhar em atingir a transição. Adultos que estão gravemente acima do peso
podem ter regressão dos órgãos sexuais, acompanhado de amenorreia em
mulheres.
Os hormônios de liberação hipofisária, em geral, são necessários à
glândula hipofisária para secretar quantidades adequadas de hormônios do
crescimento, tireoide, corticotróficos e gonadais. Na presença de um tumor
hipofisário que danifica o leito porta-hipofisário na haste hipofisária, a
secreção de todos estes hormônios é diminuída. Por outro lado, a prolactina
está essencialmente sob o controle inibitório do hipotálamo, principalmente
através da liberação de dopamina na circulação porta. Danos a haste
hipofisária provoca hiperprolactinemia com galactorreia (produção de leite)
e amenorreia, em mulheres. Lesões na haste hipofisária também separam
axônios dos núcleos paraventricular e supraóptico, que liberam os
hormônios ocitocina e vasopressina da glândula hipofisária posterior. Esses
pacientes possuem diabetes insípido, com diurese excessiva, necessitando
de ingestão hídrica compensatória para evitar diminuição de volume.
Lesões menores e focais do hipotálamo às vezes podem ter diferentes
resultados. Por exemplo, lesões hipotalâmicas laterais bilaterais, como
placas de esclerose múltipla, têm sido relatadas como causa de
emagrecimento. Lesões da região pré-óptica podem provocar a perda de
sede e perda da habilidade de aumentar a secreção de vasopressina durante
a desidratação. Em dias quentes, esses pacientes podem ter uma diminuição
substancial do volume sanguíneo sem apresentar sede. Lesões
hipotalâmicas em crianças também podem provocar algumas apresentações
clínicas diferentes dos adultos. Hamartomas hipotalâmicos podem causar
epilepsia gelástica, na qual a criança ri descontroladamente, porém
melancolicamente, e algumas vezes puberdade precoce (se o hamartoma
incluir liberação do hormônio liberador de gonadotrofina dos neurônios).
Por outro lado, uma grande lesão hipotalâmica em um infarto é mais
provável que se manifeste como inapetência e emagrecimento do que
obesidade, mas essa criança pode ser bem feliz e brincalhona em vez de
sonolenta.