Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Crescimento do encéfalo fetal no primeiro trimestre (este)

nascidas com mielomeningocele, muitas se tornarão adultos produtivos

independentes com uma boa qualidade de vida.

 

FIGURA 1-9

 

Crescimento do encéfalo fetal no primeiro

 

trimestre (este)

Depois que a morfogênese encefálica inicial está completa, e a migração da

crista neural estabeleceu o sistema nervoso periférico (Fig. 1-4), várias

curvaturas, invaginações e evaginações transformam a geometria do

encéfalo em desenvolvimento. A adição de neurônios via neurogênese, que

começa no primeiro trimestre, é subjacente a esses movimentos. A

neurogênese atinge um máximo desde a fase média da gestação até sua fase

final e cessa (com poucas exceções) logo após o nascimento.

Consequentemente, à medida que a morfologia cerebral emerge, os

neurônios que formarão os circuitos encefálicos se diferenciam para uma

sinalização elétrica vitalícia.

Aos 49 dias de idade (veja a parte superior da Fig. 1-9), o encéfalo e a

medula espinal passam por mais curvaturas que situam ambos de maneira

apropriada na cabeça e no tronco em desenvolvimento. A flexura cefálica

desloca o diencéfalo e o telencéfalo até quase paralelos ao metencéfalo. A

flexura pontina antecipa a localização do cerebelo e da ponte, enquanto a

flexura cervical posiciona a medula espinal paralela ao eixo corporal. Nesse

estágio, pontos de referência telencefálicos e diencefálicos são claramente

visíveis: bulbos olfatórios no telencéfalo; o cálice óptico, eventualmente

localizado mais distante do diencéfalo, à medida que ele gera a retina

neural; o infundíbulo da hipófise e a epífise, que forma a glândula pineal.

Em 1,5 mês, o crescimento diferencial produz um encéfalo embrionário e

uma medula espinal até mais maduros. Isso reflete o crescimento

desproporcional dos hemisférios cerebrais (ou neopálio), a partir do

telencéfalo posterior, principalmente devido à adição de células-tronco

neurais que geram neurônios do córtex cerebral maduro. A desregulação

desse processo tem consequências importantes. Mutações que resultam em

microcefalia – a grave redução de tamanho do hemisfério cerebral –

ocorrem em genes que influenciam essa expansão das células-tronco

neurais corticais. O crescimento desproporcional do hemisfério cerebral faz

do diencéfalo uma estrutura “profunda” e fechada à visão. As subdivisões

diencefálicas, incluindo o tálamo, epitálamo (núcleos habenulares e

glândula pineal), hipotálamo e hipófise posterior (neuro-hipófise) são vistos

somente por dissecção, imagens ou secção histológica.

O mesencéfalo também sofre graves alterações. O mesencéfalo posterior

(teto) e anterior (tegmento) se torna distinto: uma ranhura ou sulco divide

duas estruturas evaginadas: os colículos superior e inferior. O colículo superior integra as informações visuais e os comandos motores para o olho

bem como os movimentos da cabeça, enquanto o colículo inferior localiza o

som integrando com os movimentos da cabeça. O rombencéfalo posterior

expande-se drasticamente à medida que o cerebelo rudimentar se torna

visível. O cerebelo é derivado das células-tronco no teto, ou próximo a ele,

da raiz do quarto ventrículo, assim como as progenitoras que migram de

outras localizações rombencefálicas e mesencefálicas. A neurogênese local

no teto do quarto ventrículo, assim como a migração de progenitoras

adicionais, resulta em importante crescimento cerebelar. O rombencéfalo

anterior aparece como uma ponte rudimentar, que se expande drasticamente

com axônios do córtex cerebral que inervam os neurônios pontinos

retransmissores que se projetam para o cerebelo.

A alteração grave final durante esse período é a diferenciação das regiões

da medula espinal que inervam os membros ou a musculatura axial.

Posterior à flexura cervical, a medula espinal parece mais larga, uma região

referida como alargamento cervical que inclui números maiores de

neurônios retransmissores motores e sensitivos que inervam ou recebem

informações dos receptores musculares e sensitivos dos ombros, braços e

mãos. A medula espinal então se estreita, e esta região, a medula torácica,

inclui neurônios motores e sensitivos que inervam ou recebem informações

da musculatura axial, assim como neurônios pré-ganglionares que se

projetam para os gânglios autonômicos da cadeia simpática para regulação

central da divisão simpática do sistema nervoso autônomo. A medula

espinal se expande novamente no alargamento lombar, refletindo números

maiores de neurônios retransmissores motores e sensitivos dedicados às

pernas e pés. Finalmente, a região estreita posterior, a medula sacral, inerva

e recebe informações dos músculos pélvicos e glúteos. Assim, a

diferenciação na medula espinal reflete demandas funcionais e distintas dos

braços e pernas versus tronco e estruturas da linha média posterior.

À medida que a morfogênese encefálica avança, os ventrículos, definidos

inicialmente pelo espaço envolvido pelo tubo neural, se tornam bastante

diferenciados. O importante crescimento dos hemisférios cerebrais é

equiparado ao crescimento de dois ventrículos laterais bilateralmente

simétricos. Sua forma em c reflete o desenvolvimento de estruturas

telencefálicas “profundas”, incluindo o hipocampo e os núcleos da base. A

continuidade entre o ventrículo lateral e o terceiro ventrículo (circundados pelo diencéfalo) ocorre no forame intraventricular (de Monro). A oclusão

dessa abertura leva a um tipo de hidrocefalia não comunicante (ver

adiante). O líquido cefalorraquidiano capturado nos ventrículos laterais

causa expansão secundária dos hemisférios cerebrais e do crânio

sobrejacente (uma segunda forma, a hidrocefalia comunicante, reflete a

reabsorção comprometida de LCR). O terceiro ventrículo também possui

modesta invaginação, o recesso infundibular, que reflete a posição da

hipófise. O aqueduto do mesencéfalo, circundado pelo mesencéfalo, e o

quarto ventrículo, definido pelo rombencéfalo, se tornam bem definidos. A

oclusão do aqueduto do mesencéfalo – estenose do aqueduto – é a

hidrocefalia não comunicante mais comum. No quarto ventrículo, uma série

de aberturas, as aberturas laterais (forames de Luschka) e a abertura

mediana (forame de Magendie) estabelecem a continuidade entre os

ventrículos e o espaço subaracnóideo entre a aracnoide e a pia, a camada

meníngea mais interna. Essas aberturas permitem que o LCR flua para

dentro do espaço subaracnóideo para amortecer o encéfalo mecanicamente,

além de distribuírem moléculas sinalizadoras para as meninges em

desenvolvimento e para a superfície externa do cérebro em

desenvolvimento. A oclusão desses forames, o que é raro, também leva à

hidrocefalia não comunicante. O quarto ventrículo estreita-se drasticamente

na medula, definindo o canal central que se estende pela maior parte da

extensão da medula espinal.