Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Hipertensão Intracraniana Idiopática (HII), Pseudotumor Encefálico

Hipertensão Intracraniana Idiopática (HII),

 

Pseudotumor Encefálico

A hipertensão intracraniana idiopática (HII), anteriormente chamada de

pseudotumor encefálico, é um distúrbio de elevação da pressão

intracraniana de causa desconhecida. Tem ocorrência mais comum em

mulheres obesas em idade fértil. Os pacientes em geral descrevem cefaleias

diárias, geralmente intensas e progressivas, que podem piorar com tosse ou

esforço, geralmente acompanhadas por náuseas. As cefaleias podem

despertar o paciente do sono. Papiledema é uma marca diagnóstica e pode

estar associado a visão borrada, aumento dos pontos cegos ou defeitos do

campo visual. Outros sintomas incluem obscurecimento temporário da

visão (borramento ou perda da visão durando segundos) ou fotopsia (faíscas

breves ou lampejos de luz) em um ou nos dois olhos, geralmente provocado

por alterações da posição e pela manobra de Valsalva. Diplopia horizontal

decorrente de paralisias unilaterais ou bilaterais do sexto nervo pode estar

presente. Um tinido sincrônico com o pulso, descrito como um “som

sibilante” como água correndo ou vento, e pulsátil é comum e acredita-se

que represente pulsações vasculares transmitidas pelo líquido

cefalorraquiano sob alta pressão para os seios venosos.

Os critérios diagnósticos incluem a demonstração da elevação da pressão

intracraniana por punção lombar, com uma pressão de abertura maior que

200 mm H O em pacientes não obesos e maior que 250 mm H O em 2 2

obesos. A punção lombar deve ser realizada na posição de decúbito lateral

com as pernas estendidas e o paciente relaxado. Pressões falsamente

elevadas podem ocorrer em posição sentada ou prona ou com ansiedade. A

composição do líquido cefalorraquiano (LCR) é normal. Estudos de

neuroimagem tendem a não apresentar alterações dignas de nota, embora a

ressonância magnética (RM) possa exibir achados de hipertensão

intracraniana, incluindo dilatação das bainhas do nervo óptico e uma sela

turca vazia. O diagnóstico pode exigir exame por um oftalmologista porque

pode ser difícil detectar papiledema inicial ou leve. O exame fundoscópico

com dilatação também ajuda a diferenciar um papiledema real do

pseudopapiledema secundário a drusas do disco óptico, discos ópticos

inclinados ou outros mimetizadores. Fotografias do disco óptico podem servir como avaliação basal para o monitoramento seriado. Uma perimetria

visual formal deve ser realizada. O achado mais comum é um aumento do

ponto cego; defeitos arqueados, perda visual inferonasal ou constrição

generalizada do campo visual também podem ser observados.

Uma vez que a HII por definição é idiopática, causas secundárias de

hipertensão intracraniana devem ser excluídas: (1) lesões de massa (ou seja,

tumores ou abscessos intracranianos), (2) diminuição da absorção do LCR

pelas granulações aracnoideas (p. ex., aderências após meningite ou

hemorragia subaracnóidea), (3) aumento da produção de LCR (p. ex.,

papiloma do plexo coroide) e (4) obstrução do fluxo venoso (p. ex.,

trombose do seio venoso cerebral). Uma vez que a trombose do seio venoso

pode mimetizar HII, um exame de imagem de veias encefálicas com

venografia por ressonância magnética (VRM) está indicado com a RM-

padrão. Hipertensão intracraniana secundária também ocorre com várias

perturbações metabólicas, tóxicas e hormonais, incluindo desequilíbrios do

hormônio do crescimento, hormônio tireoidiano ou aldosterona, e

medicações, incluindo tetraciclina, vitamina A, lítio, amiodarona e

corticosteroides (especialmente durante a retirada).

Perda visual permanente é a principal morbidade associada à HII e as

estratégias terapêuticas dependem do grau e progressão do papiledema.

Fotografias seriadas do disco óptico e testes seriados dos campos visuais

ajudam a orientar o tratamento. As metas terapêuticas são o alívio

sintomático por analgesia e redução da pressão do LCR. A redução do peso

é muito importante no tratamento de pacientes com sobrepeso e HII. Se o

paciente não apresentar perda visual e tiver cefaleia leve a moderada, perda

de peso e controle da dor pode ser tudo que é necessário. Se o paciente

estiver tomando medicamentos que exacerbem a hipertensão intracraniana,

estes devem ser descontinuados.

Acetazolamida é a terapia clínica usada com mais frequência para HII. É

um inibidor da anidrase carbônica e acredita-se que influencie a hipertensão

intracraniana por inibição da secreção do LCR no plexo coroide. Também

pode diminuir o apetite, provocando a perda de peso.

Pacientes com perda visual requerem tratamento urgente com

corticosteroides para diminuir rapidamente a pressão intracraniana.

Contudo, devido a seus muitos efeitos colaterais possíveis (ganho de peso,

retenção de fluidos e aumento da pressão intracraniana de rebote após a descontinuação do uso), os corticosteroides não são adequados para o

tratamento em longo prazo.

HII clinicamente intratável pode ser tratada com procedimentos

cirúrgicos, como fenestração da bainha do nervo óptico ou derivação do

LCR. A cirurgia é indicada principalmente para perda visual ou

agravamento da visão decorrente do papiledema.

FIGURA 13-13