Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Meningite Asséptica
FIGURA 11-12
Meningite Asséptica A meningite asséptica é uma doença na qual os sintomas e achados
característicos de irritação meníngea estão presentes, e a análise do líquido
cerebroespinal (LCS) é sugestiva de meningite, mas sem evidência de
infecção bacteriana. Em muitos casos, a causa é viral; menos
frequentemente, infecções por micobactérias, espiroquetas, parasitos ou
fungos são responsáveis. Uma síndrome semelhante pode surgir com
sarcoidose, diversas doenças de tecidos conjuntivos, envolvimento
neoplásico leptomeníngeo, ou como complicação induzida por
medicamento. Um LCS estéril com uma contagem celular aumentada
também pode ser encontrado em infecções parameníngeas e meningite
bacteriana tratada parcialmente. Além da punção lombar (com análise do
LCS), colorações de Gram e outras, cultura, sorologia, citologia e reação da
polimerase em cadeia (PCR); outras investigações podem incluir
hemograma completo, estudos sorológicos, exame de ressonância
magnética (RM) do encéfalo e medula espinal, radiografia de tórax,
hemoculturas e outros estudos dependendo da avaliação clínica. O
tratamento depende da causa.
Seleção de infecções virais transmitidas por
artrópodes
Diversos vírus transmitidos por mosquitos podem causar uma encefalite
infecciosa. O tratamento é primariamente sintomático, realizando
estratégias preventivas importantes, especialmente para vírus transmitidos
por artrópodes (arbovirus), como o vírus da encefalite equina do leste e o
vírus do Oeste do Nilo (WNV). Um vírus relacionado, o vírus da encefalite
de St. Louis, é transmitido principalmente na América do Norte durante o
fim do verão e início do outono, e tipicamente causa sintomas não
específicos brandos, mas ocasionalmente causa doença encefalítica.
O vírus da encefalite equina do leste, encontrado no Caribe e leste dos
Estados Unidos, infecta seres humanos, equinos e algumas espécies de aves.
Outras variantes do vírus ocorrem nas Américas Central e do Sul, onde
causam doença equina. A maioria das pessoas infectadas é assintomática.
Quando os sintomas ocorrem, eles podem consistir apenas de doença
sistêmica não específica branda semelhante à gripe, com cefaleia, febre, mal- estar, dor no corpo e vômitos, no qual a recuperação total ocorre de 7 a
10 dias na ausência de envolvimento encefálico, Em situações incomuns,
entretanto, uma doença encefalítica fulminante ocorre após um período de
incubação de 3 a 10 dias e é caracterizada por confusão, delírio,
irritabilidade, agitação, convulsões e, eventualmente, perda de consciência.
A doença encefalítica está associada a 33% de taxa de mortalidade, e cerca
de metade dos sobreviventes apresenta déficits cognitivos ou outros déficits
neurológicos residuais. Há uma pleocitose no LCS, com uma contagem de
neutrófilos aumentada e uma concentração de proteínas elevada; o nível de
glicose está normal. O diagnóstico sorológico depende de teste para IgM no
soro e LCS; e o teste para anticorpos no soro nas fases aguda e de
convalescência. Mais frequentemente, o exame de RM demonstra
anormalidades unilaterais ou bilaterais (intensidade de sinal aumentada em
T2) dos núcleos da base; também podem estar envolvidos a cápsula interna,
tálamo, tronco encefálico, substância branca periventricular e córtex
encefálico. Não existe terapia específica, e o tratamento é puramente de
suporte. Não existe vacina disponível e, portanto, a prevenção depende da
redução de exposição aos mosquitos.
O vírus do Oeste do Nilo, um flavivírus normalmente encontrado na
África, Oeste da Ásia e Oriente Médio, não havia sido documentado no
Hemisfério Norte até o ano de 1999. Os reservatórios para o vírus incluem
seres humanos, equinos, alguns outros mamíferos, aves e mosquitos. Em
seres humanos, a infecção pode ser assintomática ou levar à doença branda
(Febre do Oeste do Nilo) com sintomas semelhantes à gripe (algumas vezes
acompanhados por exantema cutâneo), que se desenvolvem 2 semanas após
a picada de um mosquito infectado, e usualmente duram por apenas alguns
dias. Entretanto, algumas vezes se desenvolvem uma encefalite, meningite,
ou meningoencefalite, assim como uma doença poliomielítica, o que
algumas vezes leva a um desfecho fatal. O LCS apresenta uma pleocitose
linfocítica com elevação da concentração de proteína e concentração normal
de glicose. A reação da polimerase em cadeia pode ser diagnóstica, mas
resultados falso-negativos são comuns. Portanto, o diagnóstico é
normalmente estabelecido por ensaios sorológicos a partir de sangue e LCS.
O tratamento é de suporte; não existe nenhum medicamento específico
disponível para o tratamento. A prevenção depende de se evitar mosquitos
infectados, pois não existe vacina disponível. Déficits residuais, como mudanças cognitivas ou fraqueza muscular podem ocorrer em
sobreviventes.