Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Encefalite pelo Vírus Herpes Simples e Raiva

FIGURA 11-17

 

Encefalite pelo Vírus Herpes Simples e Raiva O vírus herpes simples-1 é adquirido na infância por contato com secreções

orais. A primeira exposição é normalmente assintomática, mas em alguns

indivíduos, lesões vesiculares se desenvolvem na boca. O vírus se

dissemina por transporte retrógrado e anterógrado para o gânglio trigêmeo,

onde estabelece uma infecção latente. A encefalite pelo vírus herpes

simples se deve a reativação da infecção pelo vírus herpes simples latente e

se apresenta com uma progressão subaguda de febre, cefaleia hemicraniana,

anormalidades de comportamento, atividade convulsiva focal e déficits

neurológicos focais, mais frequentemente disfasia ou hemiparesia. Em 90%

dos pacientes adultos com encefalite por vírus herpes simples, os exames

por ressonância magnética (RM) em sequências em fluid attenuated

inversion recovery (FLAIR), T2 e difusão demonstram uma lesão anormal

de intensidade aumentada de sinal no lobo temporal 48 horas a partir do

início dos sintomas. A análise do líquido espinal demonstra uma pleocitose

linfocítica com uma concentração de glicose normal ou, mais raramente,

levemente reduzida. Pode haver eritrócitos ou xantocromia no líquido

cerebroespinal (LCS), pois esta é uma encefalite necrosante. Um ensaio de

reação em cadeia de polimerase (PCR) para detecção de HSV-1 possui uma

sensibilidade e especificidade de mais de 95%. A PCR para HSV no LCS

pode ser negativa nas primeiras 72 horas de sintomas de encefalite por

HSV. Se a suspeita clínica for alta, o líquido espinal deve ser reexaminado

para ácido desoxirribonucleico (DNA) de HSV-1. Anticorpos contra o vírus

herpes simples podem ser detectados no LCS aproximadamente de 8 a 12

dias após o início dos sintomas e por até 3 meses. Uma razão de soro para

LCS de menos que 20:1 é considerada diagnóstica para encefalite por HSV.

A encefalite por vírus herpes simples é tratada com aciclovir endovenoso

por 3 semanas.

 

Raiva

Seres humanos adquirem raiva a partir da mordida de um animal raivoso ou

por inalação do vírus aerossolizado em cavernas habitadas por morcegos.

Duas formas da raiva clássica são reconhecidas: raiva furiosa, a qual é

caracterizada por febre, flutuação de consciência, espasmos fóbicos e

disfunção autonômica; e raiva paralítica, a qual se assemelha à síndrome de

Guillain-Barré. Pacientes com raiva adquirida de morcegos apresentam características clínicas diferentes daqueles com raiva clássica. Raiva

adquirida através da mordida de um morcego se manifesta com déficits

neurológicos focais, movimentos coreiformes, mioclonus, convulsões e

alucinações. Espasmos fóbicos não são uma característica cardinal da raiva

adquirida de morcego.

O diagnóstico da raiva pode ser feito através da realiza-ção de uma

reação em cadeia da polimerase precedida de transcrição reversa (RT-PCR)

na saliva, amostras de biópsia da pele nucal, ou LCS para detecção do ácido

ribonucleico (RNA) do vírus da raiva. Classicamente, o diagnóstico era

feito por biópsia e demonstração de corpos de inclusão citoplasmáticos de

Negri. O tratamento se inicia com uma lavagem e enxágue imediato do

ferimento com sabão e água e desinfecção com iodo. A imunoglobulina

contra raiva deve ser infiltrada no interior e ao redor do ferimento, e a

vacina contra raiva deve ser administrada intramuscular ou

intradermicamente. A profilaxia pós-exposição não deve esperar os

resultados de confirmação laboratorial do diagnóstico.

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