Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Seção 5: Hipotálamo, hipófise, sono e tálamo
S E Ç Ã O 5
Hipotálamo, hipófise, sono e tálamo
FIGURA 5-1
Relações Anatômicas do Hipotálamo O hipotálamo é uma pequena área, pesando cerca de 4 g do total de 1.400 g
do peso de um encéfalo adulto, porém são os únicos 4 g do encéfalo sem os
quais a vida seria impossível. O hipotálamo é muito importante à vida, pois
contém um circuito integrativo que comanda as respostas autonômica,
endócrina e comportamental, que são necessárias para as funções básicas da
vida, como termorregulação, controle do equilíbrio de eletrólitos e fluidos,
alimentação e metabolismo, resposta ao estresse e reprodução.
Talvez por este motivo, o hipotálamo seja tão bem protegido. Ele fica na
base do crânio, logo acima da glândula hipofisária, ligado pelo infundíbulo,
ou haste hipofisária. Consequentemente, um trauma que afete o hipotálamo
quase sempre pode ser fatal. Ele recebe seu suporte sanguíneo diretamente
do círculo arterioso da base do encáfalo (ou polígono de Willis) (Fig. 5-3),
portanto é raramente comprometido pelo “derrame encefálico”, é bilateral e
a sobrevivência de um do lados é suficiente para manter uma vida normal.
Por outro lado, o hipotálamo pode estar envolvido em alguns processos
patológicos que surgem de estruturas que o cercam, e os sinais e sintomas
que primeiro atraem a atenção nessas doenças geralmente são relacionados
com o envolvimento de estruturas vizinhas. O exame da porção ventral do
encéfalo mostra que o hipotálamo é moldado por um feixe de fibras. O
quiasma óptico demarca a extensão rostral do hipotálamo, e trato óptico e
pedúnculo encefálico são identificados como as bordas laterais. A haste
hipofisária origina-se da porção média do hipotálamo, às vezes chamada de
túber cinéreo (expansão de substância cinza), caudal ao quiasma óptico.
Consequentemente, tumores da glândula hipofisária, os quais estão entre as
causas mais comuns de disfunção do hipotálamo, envolvem tipicamente o
quiasma óptico (produzindo defeitos de campo de visão bitemporal) ou o
trato óptico como sintoma inicial.
A porção posterior do hipotálamo é definida pelos corpos mamilares, e é
limitada caudalmente pela cisterna interpeduncular, da qual emerge o nervo
oculomotor. Os nervos oculomotores estão associados ao seio cavernoso, o
qual corre logo abaixo do hipotálamo e pela lateral da glândula hipofisária,
juntamente com os nervos troclear e abducente. Assim, patologias como o
aneurisma da artéria carótida interna, infecção, ou trombose do seio
cavernoso, que possam atingir o hipotálamo, frequentemente envolvem o
controle da movimentação ocular no estágio inicial. Se existe uma massa de
tamanho suficiente, ela pode envolver também o nervo trigêmeo. A divisão oftálmica, que atravessa o seio cavernoso, é mais frequentemente
envolvida, porém se a massa é grande o bastante para avançar
posteriormente, pode envolver a divisão maxilar e também a mandibular do
nervo trigêmeo. Lateral ao seio cavernoso está o lobo temporal medial.
Assim, patologias nessa região também podem causar convulsões, mais
frequentes do tipo parcial complexa, com perda da consciência por um
breve período.
Na linha medial, o hipotálamo margeia a porção ventral do terceiro
ventrículo. O recesso supraóptico do terceiro ventrículo, que sobrepõe o
quiasma óptico, termina na lâmina terminal na parede anterior do
ventrículo. Essa é a porção mais anterior do diencéfalo no encéfalo em
desenvolvimento. O recesso infundibular demarca o assoalho do hipotálamo
que cobre a haste hipofisária. Essa porção do hipotálamo é chamada de
eminência média e é o local no qual os hormônios liberados pelo
hipotálamo são secretados na circulação porta-hipofisária (Fig. 5-3).