Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Circuitos de memória
FIGURA 2-20
Circuitos de memória Memória a longo prazo é um termo que engloba a habilidade do cérebro em
armazenar informações. Subdivide-se em dois tipos principais: memória
explícita (também conhecida como memória declarativa) e memória
implícita (também conhecida como não declarativa). Memória explícita
refere-se à aquisição de informações sobre objetos, estímulos e informações
que são notadas de modo consciente e resgatáveis. O lobo temporal medial,
que inclui a formação hipocampal (CA1, CA3 e giro dentado) e córtex
entorrinal, é a região responsável por esse processo. Embora a formação
hipocampal armazene memórias, o córtex entorrinal é o mediador de
aprendizagem e memória por meio de sua interação com o hipocampo e o
neocórtex. Por exemplo, informações neocorticais provenientes de um
estímulo visual são traduzidas via córtex entorrinal para as representações
de memória complexa de ordem superior, de tal forma que uma emoção
pode desencadear uma memória visual. A camada II do córtex entorrinal é
a primeira região afetada na doença de Alzheimer (DA). O circuito de
memória que integra o lobo temporal mesial e formação hipocampal inclui
várias vias: a via perfurante (informações para o hipocampo provenientes
do córtex entorrinal). A via das fibras musgosas (giro dentado para a região
CA3), via colateral de Schaffer (da região CA3 para CA1) e via córtex
Ca1-subículo-entorrinal (a principal saída do hipocampo).
Existem dois tipos principais de memória explícita: episódica e
semântica. A memória episódica é semelhante à memória autobiográfica,
por exemplo, um episódio da vida de um indivíduo que é lembrado
(lembrar-se de certas férias na praia). A memória semântica refere-se à
lembrança de fatos, e o conhecimento geral que não é relacionado com uma
experiência específica (p. ex., sei que uma zebra tem listras). Não
surpreende o fato de que CA1 e o subículo passem por degeneração
neuronal seletiva na DA. A perda de conexões entre a formação hipocampal
e os neurônios corticais entorrinais, que se projetam para o hipocampo pela
via perfurante, é responsável pela apresentação clínica dos problemas da
memória explícita em pacientes com DA. A memória implícita, por outro
lado, é “inconsciente” e algumas vezes está vinculada a uma emoção,
podendo ser processual (p. ex., lembrar-se de com dirigir um carro).
O estudo de um determinado paciente, H. M., forneceu significativas
descobertas na formação da memória e o papel das estruturas temporais
mesiais na memória. O paciente H. M. foi submetido à ressecção bilateral das regiões temporais mediais como parte de um tratamento experimental
para crises epilépticas clinicamente refratárias. Subsequentemente, ele
desenvolveu perda profunda das lembranças pessoais, mas preservou
linguagem, atenção, memória processual e capacidade intelectual geral.