Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Reabilitação Inicial e Introdutória do AVE

FIGURA 9-45

 

Reabilitação Inicial e Introdutória do AVE Poucos eventos clínicos proporcionam tão grande desafio quanto para um

indivíduo previamente saudável e fisicamente vigoroso do que a

precipitada, absolutamente inesperada e emocionalmente devastadora perda

da função neurológica focal que ocorre com o AVE. Se o paciente for

literalmente derrubado no meio de um ambiente familiar, sem causas

aparentes de ameaças, ou se despertou do seu sono com incapacidade de

falar e/ou usar seus membros e/ou mantenha uma perda significativa da

visão ou entra em estado de coma, os médicos, a enfermagem e o

fisioterapeuta são responsáveis não somente por encontrar o mecanismo

fisiopatológico que levou ao evento, mas também por planejar a reabilitação

do paciente. Tal programa é multidimensional e muitas vezes instituído nas

primeiras 24 a 28 horas.

O posicionamento após o AVE é realizado com objetivos de prevenir

contraturas articulares, edema na extremidade parética, úlceras de pressão

sobre proeminências ósseas e aspiração. O paciente pode estar posicionado

inteiramente em supinação ou a 30 graus de elevação da cabeça

(dependendo do risco de aspiração) em um colchão firme com alívio da

pressão, quadris ligeiramente abduzidos, dedos apontando para cima com

auxílio de uso de rolos de toalhas ao longo da parte externa da coxa ou com

os membros inferiores repousando em talas e com os calcanhares fora da

cama, usando botas de alívio de pressão ou travesseiros sob as panturrilhas.

As contraturas em flexão plantar do tornozelo podem ser evitadas usando

um suporte ou talas de repouso, e o edema na extremidade superior pode ser

minimizado através da elevação do braço parético em um travesseiro. Os

pacientes devem ser mudados de decúbito no mínimo a cada 2 horas, se eles

não forem capazes de fazê-lo de forma independente. A posição mais

eficiente é a de decúbito lateral a 30 graus, usando travesseiros para apoiar

braço e perna paréticos.

Exercícios de amplitude de movimento passivos ajudam a prevenir

contraturas que podem desenvolver-se em músculos e tendões de membros

paréticos. Durante estes exercícios, o membro deve estar totalmente

apoiado e ser levado através de uma amplitude de movimento possível sem

causar dor.

Os treinos de transferência começam precocemente na reabilitação do

paciente com hemiplegia. A capacidade de manter a posição sentada com

assistência e de seguir as instruções são requisitos mínimos. Uma transferência assistida pode ser realizada usando uma placa de

deslizamento, a técnica de fuga lateral, ou a técnica do eixo de suporte, em

que o médico pode precisar bloquear o joelho e prestar assistência física

significativa para movimentar o paciente de uma superfície de assento para

outra. Isto é melhor ilustrado ao mover-se da cama para a cadeira de rodas;

conforme o paciente se recupera, o grau de assistência fornecida diminui,

com objetivo final de plena independência.

A depressão é outra complicação esperada em qualquer AVE maior. É

muito importante manter esta possibilidade em consideração em todas as

fases da terapia de reabilitação. O apoio e o incentivo iniciais da família são

essenciais, se forem possíveis. O médico deve estar alerta para a perda de

interesse em prosseguir os esforços de reabilitação, assim como observar

um ambiente potencialmente depressivo, quando um paciente com AVE

recente seja transferido para um local de reabilitação onde ele esteja

exposto a indivíduos com resultados semelhantes ou piores que não

parecem responder à terapia. O uso criterioso de agentes antidepressivos,

incluindo tricíclicos e selecionados bloqueadores de recaptação de

serotonina e epinefrina, pode revelar-se benéfico. A terapia cognitiva com a

supervisão de um psiquiatra e de um assistente social psiquiátrico também

se revela benéfica.