Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Distúrbios da Consciência

FIGURA 6-2

 

Distúrbios da Consciência Consciência é um estado de vigília e percepção de si e arredores. Na

descrição entre estado de consciência normal e coma (dormência

irresponsiva), muitos clínicos referem-se a um espectro ou graduações dos

estados de consciência diminuída levando ao coma. Letargia tem sido usada

para descrever um estado de vigília reduzida com déficits de atenção;

obnubilação, uma redução no alerta e na interação com o ambiente; e

estupor, estado irresponsivo com pouco ou nenhum movimento espontâneo,

no qual o paciente pode ser excitado temporariamente com estímulos

vigorosos. Essas descrições não são precisas e têm sido aplicadas, em geral,

para difusão de patologias metabólicas causando disfunção encefálica.

Outra terminologia pode ser mais específica. Por exemplo, o estado

vegetativo, que pode seguir o coma, descreve um estado no qual o indivíduo

não está consciente, porém tem ciclos de vigília-sono sem disfunção

encefálica cortical detectável. O estado minimamente consciente descreve

consciência gravemente alterada em associação a mínima consciência de si

e do ambiente. Mutismo acinético é uma condição de extrema lentificação

ou ausência de movimentos corporais, com perda da fala. Vigília e

consciência estão preservadas, porém a cognição é diminuída devido às

lesões bilaterais nos lobos frontais inferiores, hemisférios encefálicos,

formação reticular mesencefálica paramediana (FR), ou diencéfalo

posterior. A síndrome do encarceramento é um estado de consciência e

cognição preservadas, com paralisia completa do sistema motor voluntário

devido à destruição completa das vias corticoespinais e corticobulbar, na

ponte ou abaixo dela, ou doença grave do sistema nervoso. Movimentos

oculares podem estar preservados, permitindo alguma comunicação, e a

função cortical está intacta.

O substrato anatômico para a desordem na consciência é a disfunção na

formação reticular e no sistema ativador reticular ascendente (SARA), pois

a ativação do córtex encefálico durante o acordar e a vigília depende da

influência dessas estruturas. Na ausência de SARA, estímulo de qualquer

via sensitiva (p. ex., somatossensitiva, auditiva e visual) não pode excitar o

córtex encefálico. Três grupos de núcleos no tronco encefálico (locus

ceruleus, rafe e tegumento ventral) contribuem para a modulação dos

efeitos do SARA. Um grupo adicional de núcleos no prosencéfalo basal

(núcleo basal de Meynert) também contribui para a modulação difusa do

sistema.

Os principais núcleos da formação reticular estão presentes no bulbo,

ponte e mesencéfalo. O locus ceruleus está localizado abaixo da porção

lateral do assoalho da pontina rostral do quarto ventrículo. Seus axônios

estão distribuídos no córtex encefálico, tálamo, hipotálamo, córtex

cerebelar, tronco encefálico e medula espinal. Esses neurônios contendo

norepinefrina estão envolvidos na regulação da atenção, excitação cortical e

ciclo vigília-sono. Os núcleos da rafe estão agrupados na linha média do

bulbo, ponte e mesencéfalo, e constituem as projeções serotoninérgicas

envolvidas no ciclo de vigília-sono. Os núcleos próximos à junção

pontobulbar constituem o núcleo magno da rafe, que projeta-se à medula

espinal para modulação dor leve. Os núcleos na ponte rostral e mesencéfalo

projetam-se no tálamo, sistema límbico e córtex encefálico. A região

tegmental ventral está localizada posteromedial na substância negra

compacta, e seus neurônios dopaminérgicos projetam-se principalmente ao

acumbens, amígdala e córtex pré-frontal. Por último, neurônios colinérgicos

na ponte e mesencéfalo, projetam-se ao tálamo e regulam a excitabilidade

dos núcleos talâmicos. Ocorrendo juntas, as eferências de todos esses

núcleos fluem através da formação reticular paramediana do mesencéfalo e

dividem-se em raízes anterior lateral e posterior no diencéfalo. A raiz

posterior projeta-se para núcleos de transmissão e aos núcleos

intralaminares e outros, que possuem conexões corticais dispersas. A raiz

anterior entra na zona hipotalâmica lateral e é unida por projeções de outros

neurônios no hipotálamo e prosencéfalo basal. Lesões no bulbo ou ponte,

não afetam excitação ou vigília. Entretanto, lesões tegmentares

paramedianas no mesencéfalo rostral interrompem o SARA e levam ao

coma.

FIGURA 6-3