Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

O desenvolvimento externo do encéfalo no segundo e terceiro trimestres

O desenvolvimento externo do encéfalo no

 

segundo e terceiro trimestres

No sexto mês de gestação, os hemisférios cerebrais adquirem várias

características que prefiguram a divisão da superfície cortical em regiões

funcionais específicas. Consequentemente, são reconhecidos quatro

domínios distintos, ou lobos, que definem os territórios corticais. O lobo

frontal é mais anterior; e finalmente inclui áreas corticais dedicadas ao

controle motor, produção da linguagem (hemisfério esquerdo na maioria

dos indivíduos), e função executiva – a capacidade, momento a momento,

de integrar percepções dos estímulos externos às representações internas

das motivações, objetivos e memórias para planejar respostas

comportamentais complexas apropriadas. A meio caminho do eixo anterior-

posterior, o sulco central (também conhecido como rolândico) divide o lobo

frontal e o lobo parietal mais posterior, que medeia a somatossensibilidade

e a atenção. Este ponto de referência anatômico é uma das primeiras

invaginações locais que define os sulcos e giros (protuberâncias) que

refletem as elaboradas circunvoluções do córtex cerebral definitivo.

O sulco central define duas regiões funcionais essenciais. No declive

anterior encontra-se o giro pré-central, a localização do córtex motor

primário. Os neurônios do córtex motor primário enviam axônios para os

neurônios do tronco encefálico e da medula espinal, que inervam os

músculos, ou para os interneurônios adjacentes a esses neurônios motores.

No declive posterior, encontra-se o giro pós-central, a localização do córtex

somatossensitivo primário. O córtex somatossensitivo primário recebe

informações topograficamente mapeadas dos núcleos de retransmissão

sensitiva do tronco encefálico e da medula espinal que representam as

informações somatossensitivas de toda a superfície corporal. O resto do

lobo parietal é dedicado à integração sensitiva e à atenção. Posterior e

ventral, marcado pelo sulco parietoccipital, encontra-se o lobo occipital,

dedicado exclusivamente à representação e processamento da visão.

Finalmente, a extensão medial anterior do hemisfério define o lobo

temporal, anterior ao sulco lateral, incluindo as regiões corticais que

integram informações sobre identidade dos estímulos visuais, informações

auditivas e, na maioria dos indivíduos, no hemisfério esquerdo, a representação da linguagem “léxica” (o “dicionário” de palavras do

encéfalo ). O crescimento inicial dos lobos frontal, parietal, occipital e

temporal resulta em “operculação” ou cobertura de uma região de tecido

cortical chamada ínsula. O córtex da ínsula se torna especializado para o

controle visceral e homeostático e a representação das informações do

paladar.

O importante crescimento dos hemisférios encefálicos é acompanhado

pela diferenciação do cerebelo e do bulbo. No final do sexto mês de

gestação, o cerebelo se expande com ranhuras e cristas que eventualmente

se tornam as folhas altamente pregueadas do córtex cerebelar (nota: um

córtex é a lâmina externa de células que reveste qualquer órgão). A ponte é

distinta, consistindo em axônios do córtex que se projetam para os núcleos

pontinos que então enviam axônios para o córtex cerebelar. A medula

também se torna sulcada e com cristas, mas por uma razão diferente. A

pirâmide, uma crista proeminente do bulbo anterior/medial, é formada pelo

crescimento de axônios dos neurônios motores corticais para o tronco

encefálico e medula espinal. No final da gestação, a pirâmide bulbar

encontra-se adjacente a uma crista mais lateral, a oliva. A oliva reflete o

acúmulo de neurônios dentro do núcleo olivar; os neurônios olivares

inervam seletivamente as árvores dendríticas extensas das células de

Purkinje.

Finalmente, a elaboração adicional do sistema ventricular acompanha

essas transformações morfogenéticas. O sistema ventricular é mais bem

representado como um “molde” de espaço dentro do encéfalo e medula

espinal (o tecido neural está ausente). As principais alterações refletem o

crescimento diferencial de regiões do que correspondem a cada divisão

ventricular. Os ventrículos laterais crescem desproporcionalmente

adquirindo mais definição anatômica. O corno anterior se estende para

dentro do lobo frontal, tendo como o seu assoalho o núcleo caudado dos

núcleos da base. O corno inferior estende-se para dentro do lobo temporal;

em sua superfície anterior e medial encontra-se o hipocampo. Finalmente, o

corno posterior estende-se para dentro do lobo occipital. O resto do sistema

ventricular compreende as mesmas subdivisões que emergem no segundo

trimestre; todavia, seu formato e tamanho se alteram substancialmente. O

terceiro ventrículo se torna um estreito espaço na linha média, mais

indentado pelo tálamo de cada lado (a impressão talâmica), assim como um forame que circunda a adesão intratalâmica. Além disso, o terceiro

ventrículo é indentado pelo quiasma óptico no recesso óptico, pela glândula

pineal, nos recessos pineal e suprapineal, e pela hipófise, no recesso

infundibular.