Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Hemorragias extracranianas e fraturas cranianas no recém-nascido
FIGURA 1-11
Hemorragias extracranianas e fraturas
cranianas no recém-nascido
A prática obstétrica moderna diminuiu a incidência de trauma ao recém-
nascido a qual está claramente associada à primiparidade, tamanho grande
do bebê, parto difícil ou apresentação de nádegas e uso de fórceps.
Bossa serossanguínea (caput succedaneum), um inchaço edematoso que
pode ser hemorrágico, é vista nos partos normais. Pode transiluminar-se, é
mole, depressível, geralmente ocorre no vértice sobre as linhas de sutura e
se resolve rapidamente.
A hemorragia subgaleal, que geralmente resulta de forças de
cisalhamento que rompem veias, ocorre entre a gálea aponeurótica e o
periósteo do crânio. Dissemina-se amplamente, cruza as linhas de sutura, pode dissecar-se sobre a fronte e até dentro da órbita, podendo levar
semanas para se resolver. Os recém-nascidos devem ser cuidadosamente
acompanhados para detecção de anemia sintomática.
Céfalo-hematoma é uma hemorragia subperiosteal associada à fratura
craniana linear em cerca de 5% dos casos. Pode resultar do uso de fórceps,
podendo ainda estar relacionada com fatores mecânicos na pelve e forças de
cisalhamento do parto ativo, sendo palpada como uma fratura deprimida.
Raramente, esses hematomas se calcificam em vez de serem reabsorvidos.
A maioria dos hematomas calcificados se resolverá espontaneamente à
medida que o crânio cresce e se incorpora à área.
Fraturas cranianas
As fraturas cranianas neonatais podem ser classificadas como lineares,
deprimidas ou osteodiástase occipital. A fratura linear pode estar associada
a céfalo-hematoma ou, nos partos traumáticos, a hemorragia epidural e
subdural. A maioria cura-se sem complicações. Raramente, tornam-se
diastáticas e estão associadas a cisto leptomeníngeo devido a lacerações
durais e meníngeas associadas que aumentam de tamanho com o
crescimento do cérebro.
As fraturas deprimidas (“pingue-pongue”) são de pouca significância
clínica. A maioria está associada ao uso de fórceps, mas algumas estão
relacionadas com trauma intrauterino contra as proeminências pélvicas em
acidentes automobilísticos e quedas, e também ao parto ativo. A elevação
cirúrgica pode ser necessária e, com frequência, pode ser realizada com
técnicas minimamente invasivas.
A osteodiastáse occipital é vista nos partos com apresentação de
nádegas. Os seios durais associados podem romper-se, causando
hemorragia subdural na fossa posterior. Raramente é necessária drenagem
cirúrgica.