Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Hipófise Neuroipófise

FIGURA 5-26

 

Hipófise Neuroipófise A neuroipófise, incluindo a haste hipofisária e o lobo hipofisário posterior, é

uma extensão do hipotálamo. Ele é embriologicamente derivado da

ectoderme neural. Durante seu desenvolvimento, neurônios magnocelulares

dos núcleos hipotalâmicos supraóptico e paraventricular enviam seus

axônios inferiormente formando a neuroipófise. Esses axônios terminam no

lobo posterior da hipófise. Além disso, um pequeno número de neurônios

parvocelulares do mesmo núcleo envia axônios mais curtos, que terminam

na eminência mediana e haste infundibular. Neuróglia, que são células da

glia, sustentam esses axônios terminais. Dois hormônios nonapeptídeos são

secretados por axônios terminais distintos na neuroipófise, incluindo

hormônio antidiurético (vasopressina) e ocitocina. Após a secreção, esses

hormônios entram nos capilares da neuroipófise e são carreados por meio

das veias hipofisárias inferiores para a circulação sistêmica.

A ocitocina e o hormônio antidiurético (vasopressina) são produzidos por

diferentes populações de grandes neurônios (magnocelular) em ambos os

núcleos, paraventricular (NPV) e supraóptico (NSO), que liberam seus

neurônios para a neuroipófise. O NPV também possui populações de

pequenos neurônios neuroendócrinos que produzem hormônios liberadores

de corticotropina, hormônios liberadores de tireotropina ou somatostatina,

que são liberados na circulação porta hipotálamo-hipofiseal. Alguns

neurônios paraventriculares no NPV também produzem ocitocina e

hormônio antidiurético, que são usados como neurotransmissores centrais

para controlar o sistema nervoso autônomo. A ocitocina e a vasopressina

são codificadas por genes distintos, que codificam proteínas precursoras,

que sofrem clivagem pós-tradução, em hormônios, uma proteína

neurofisina e um peptídeo carboxiterminal chamado de copeptina. Esses são

transportados em grânulos secretórios (vesículas), viajando por axônios

neuronais até alcançarem seus respectivos axônios terminais, onde são

armazenados até a secreção.

A presença de grânulos secretórios no lobo da hipófise posterior, dá

origem a um sinal luminoso, na visão sagital da hipófise em imagens de

ressonância magnética em T1, chamadas de “ponto brilhante posterior”.

Isso está presente em 80% a 90% dos indivíduos saudáveis. Uma hipófise

ectópica pode estar presente na base do hipotálamo ou na haste hipofisária

em alguns indivíduos, que geralmente possuem a hipófise posterior com sua

função inalterada. Entretanto, hipoplasia hipofisária anterior e deficiências variadas nos hormônios hipofisários anteriores estão frequentemente

presentes nesses pacientes.

Liberação de hormônios antidiurético ou ocitocina ocorre via exocitose,

em resposta à propagação de potenciais de ação ao longo dos respectivos

axônios. A liberação de hormônio antidiurético e ocitocina é regulada por

sinais neurais específicos aos núcleos hipotalâmicos que sintetizam esses

hormônios, com o glutamato representando a maioria dos

neurotransmissores estimulantes e inibidores de ácido γ-aminobutírico.

Ambos os estímulos osmóticos (aumento na osmolaridade do plasma,

reconhecida pelos osmorreceptores hipotalâmicos) e não osmóticos

(diminuição significativa no volume sanguíneo arterial efetivo, dores,

náuseas, alguns medicamentos) equilibram a liberação de hormônios

antidiuréticos. Uma vez secretado, o hormônio antidiurético leva ao

aumento da permeabilidade hídrica nos ductos coletores nos rins, resultando

na reabsorção de água e na concentração urinária. Outros efeitos dos

hormônios antidiuréticos incluem a vasoconstrição, estimulação da

glicogenólise e aumento da liberação de corticotropina pela hipófise

anterior.

Insuficiência na síntese e secreção de hormônio antidiurético é a causa

do diabetes insípido central, que é caracterizado pela eliminação de grandes

volumes de urina diluída, levando ao aumento da sede. Desidratação e

hipernatremia podem ocorrer geralmente se o acesso a água for limitado em

pacientes não tratados. Embora lesões diversificadas no espaço

hipotalâmico ou no interior da sela levem ao diabetes insípido central,

também pode ser visto que adenomas hipofisários raramente causam essa

condição no pré-operatório. O “ponto posterior brilhante” geralmente está

ausente em imagens de ressonância magnética em pacientes com diabetes

insípido central.

A liberação de ocitocina ocorre em resposta à sinalização neural durante

o parto, amamentação e na relação sexual. Estudos em animais têm

sugerido que a ocitocina tem o papel de propagar o parto e a descida do

leite materno durante a amamentação. Entretanto, mulheres que são

deficientes em ocitocina podem ter parto normal e lactação de sucesso,

sugerindo que o papel fisiológico da ocitocina em seres humanos

permanece incompreendido. Um possível papel da ocitocina sobre o

comportamento está sob estudo. Existem evidências animais que a ocitocina, como um neurotransmissor central, pode promover

comportamento materno e interação social.