Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Transtornos por Uso de Álcool
FIGURA 4-13
Transtornos por Uso de Álcool
O uso de álcool está associado a 1,8 milhão de óbitos anuais; o uso global
de álcool vem aumentando. Contudo, muitos do que consomem bebidas alcóolicas não sofrem as consequências negativas sociais ou à saúde, e
alguns estudos sugerem benefícios à saúde que podem estar associados ao
consumo de álcool. Como podemos distinguir entre o consumo perigoso de
álcool e o consumo seguro? O National Institute on Alcohol Abuse and
Alcoholism (NIAAA), dedicado a promover a liderança científica na
avaliação do uso de álcool e suas consequências sociais e à saúde,
estabeleceu diretrizes específicas por gênero com base nas evidências atuais
de consumo de “baixo risco”. Para regularizar essas diretrizes, um “drink-
padrão” está definido como um conteúdo de etanol na bebida alcóolica de
14 gramas (equivalente a 355 ml de cerveja, 150 ml de vinho de mesa ou 44
ml de bebida destilada). Considera-se “baixo risco” para homens adultos
sadios com menos de 65 anos de idade o consumo de não mais do que 14
drinks-padrão por semana, ou até quatro drinks por dia, e para mulheres não
grávidas adultas sadias com menos de 65 anos de idade e homens e
mulheres sadios com mais de 65 anos de idade não mais do que sete drinks-
padrão por semana e até três drinks-padrão por dia.
Os seguintes fatores de risco podem aumentar as potenciais
consequências negativas à saúde do consumo mesmo em padrões de “baixo
risco”: (1) parente em primeiro grau com dependência de álcool ou droga
(i.e., risco hereditário de desenvolver transtorno por uso de álcool), (2)
história pessoal ou familiar de doença mental, (3) história pessoal ou
familiar de câncer e (4) qualquer dúvida sobre como o álcool o afeta
pessoalmente. Condições nas quais nenhuma quantidade de álcool está
estabelecida como segura ou qualquer quantidade de álcool está
estabelecida como prejudicial incluem (1) gravidez, (2) idade inferior a 21
anos, (3) operação de veículo ou outra máquina, (4) uso de medicações que
interagem com álcool e (5) ter sintomas de saúde mental ou física ativos.
Transtornos por uso de álcool estão definidos pelo Manual Diagnóstico e
Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV) como uso abusivo de álcool e
dependência de álcool; o DSM-V (em preparação) atualizará isso em uma
categoria – transtorno por uso de álcool – definida por um espectro de
gravidade. O aspecto cardinal de um transtorno por uso de álcool é a perda
de controle ou autorregulação sobre a ingestão de álcool, resultando em
consequências funcionais negativas à saúde, à segurança, ao desempenho
ocupacional e aos papéis sociais/familiares. Embora a dependência de
álcool tenha sido considerada como uma doença de progressão natural conhecida como “alcoolismo”, a pesquisa do NIAAA refinou esse perfil em
cinco tipos fenotípicos de dependência de álcool com base em dados de
amplos estudos nacionais de levantamento na comunidade. Esses subtipos
estão brevemente descritos a seguir e representam as apresentações típicas
dos pacientes (excluindo a apresentação geriátrica de dependência de
álcool, que envolve tipicamente uma proeminência de consequências à
saúde relacionadas com o álcool, déficits cognitivos e perda de autocuidado
e funcionamento independentes).
Subtipo adulto jovem (31,5%)
Reunindo o maior grupo com dependência de álcool em termos nacionais,
esse grupo tende a carecer de fatores de risco comuns para dependência de
álcool (história familiar de dependência de álcool, uso concomitante de
drogas ou doença mental). Esse subtipo é uma prioridade para a triagem
médica, já que raramente buscam tratamento.
Subtipo antissocial jovem (21%)
Pessoas na faixa dos 20 e poucos anos com altas taxas de uso concomitante
de droga (>75% fumam cigarro e maconha), com histórias familiares de
forte dependência de álcool. Eles começam a beber na juventude, o que em
parte pode responder pela gravidade da dependência de álcool a uma idade
jovem. Doenças mentais concomitantes são comuns (depressão, ansiedade e
transtornos da personalidade). Um terço dessas pessoas busca ativamente
tratamento. Esse grupo é de importância particular para triagens pediátricas
e escolares de uso abusivo de substâncias.
Subtipo funcional (19,5%)
É tipicamente um grupo composto de indivíduos de meia-idade bem
instruídos, com empregos e relacionamentos estáveis, coloquialmente
conhecidos como “alcólicos altamente funcionais”. Uma ausência de
consequências negativas proeminentes pelo consumo de álcool cria uma
forte vulnerabilidade à negação da doença e falta de incentivo para buscar
tratamento; assim, a triagem médica de problemas relacionados com o
álcool é importante para engajá-los no tratamento. Cerca da metade é tabagista, um terço tem histórias familiares fortes de dependência de álcool
e um quarto tem uma história vitalícia de depressão.
Subtipo familiar intermediário (19%)
Esse grupo de indivíduos de meia-idade, metade dos quais com uma
história vitalícia de depressão e uma forte história familiar de dependência
de álcool, tem taxas elevadas de doença mental concomitante, e a maioria é
tabagista. Apesar de problemas manifestos de funcionamento, apenas 25%
buscam ativamente tratamento para alcoolismo. Esse grupo com frequência
se apresenta para assistência psiquiátrica em que a triagem de uso abusivo
de substâncias é crítica para diagnosticar dependência de álcool.
Subtipo crônico grave (9%)
Esse grupo de indivíduos de meia-idade começou a beber muito cedo na
vida, apresenta taxas elevadas de doença mental e uso de drogas
concomitante, além de taxas elevadas de transtorno de personalidade
antissocial e comportamento criminoso com consequências legais. Dois
terços buscarão tratamento em virtude das consequências negativas
proeminentes do alcoolismo.
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