Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Transtornos por Uso de Álcool

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Transtornos por Uso de Álcool

O uso de álcool está associado a 1,8 milhão de óbitos anuais; o uso global

de álcool vem aumentando. Contudo, muitos do que consomem bebidas alcóolicas não sofrem as consequências negativas sociais ou à saúde, e

alguns estudos sugerem benefícios à saúde que podem estar associados ao

consumo de álcool. Como podemos distinguir entre o consumo perigoso de

álcool e o consumo seguro? O National Institute on Alcohol Abuse and

Alcoholism (NIAAA), dedicado a promover a liderança científica na

avaliação do uso de álcool e suas consequências sociais e à saúde,

estabeleceu diretrizes específicas por gênero com base nas evidências atuais

de consumo de “baixo risco”. Para regularizar essas diretrizes, um “drink-

padrão” está definido como um conteúdo de etanol na bebida alcóolica de

14 gramas (equivalente a 355 ml de cerveja, 150 ml de vinho de mesa ou 44

ml de bebida destilada). Considera-se “baixo risco” para homens adultos

sadios com menos de 65 anos de idade o consumo de não mais do que 14

drinks-padrão por semana, ou até quatro drinks por dia, e para mulheres não

grávidas adultas sadias com menos de 65 anos de idade e homens e

mulheres sadios com mais de 65 anos de idade não mais do que sete drinks-

padrão por semana e até três drinks-padrão por dia.

Os seguintes fatores de risco podem aumentar as potenciais

consequências negativas à saúde do consumo mesmo em padrões de “baixo

risco”: (1) parente em primeiro grau com dependência de álcool ou droga

(i.e., risco hereditário de desenvolver transtorno por uso de álcool), (2)

história pessoal ou familiar de doença mental, (3) história pessoal ou

familiar de câncer e (4) qualquer dúvida sobre como o álcool o afeta

pessoalmente. Condições nas quais nenhuma quantidade de álcool está

estabelecida como segura ou qualquer quantidade de álcool está

estabelecida como prejudicial incluem (1) gravidez, (2) idade inferior a 21

anos, (3) operação de veículo ou outra máquina, (4) uso de medicações que

interagem com álcool e (5) ter sintomas de saúde mental ou física ativos.

Transtornos por uso de álcool estão definidos pelo Manual Diagnóstico e

Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV) como uso abusivo de álcool e

dependência de álcool; o DSM-V (em preparação) atualizará isso em uma

categoria – transtorno por uso de álcool – definida por um espectro de

gravidade. O aspecto cardinal de um transtorno por uso de álcool é a perda

de controle ou autorregulação sobre a ingestão de álcool, resultando em

consequências funcionais negativas à saúde, à segurança, ao desempenho

ocupacional e aos papéis sociais/familiares. Embora a dependência de

álcool tenha sido considerada como uma doença de progressão natural conhecida como “alcoolismo”, a pesquisa do NIAAA refinou esse perfil em

cinco tipos fenotípicos de dependência de álcool com base em dados de

amplos estudos nacionais de levantamento na comunidade. Esses subtipos

estão brevemente descritos a seguir e representam as apresentações típicas

dos pacientes (excluindo a apresentação geriátrica de dependência de

álcool, que envolve tipicamente uma proeminência de consequências à

saúde relacionadas com o álcool, déficits cognitivos e perda de autocuidado

e funcionamento independentes).

 

Subtipo adulto jovem (31,5%)

Reunindo o maior grupo com dependência de álcool em termos nacionais,

esse grupo tende a carecer de fatores de risco comuns para dependência de

álcool (história familiar de dependência de álcool, uso concomitante de

drogas ou doença mental). Esse subtipo é uma prioridade para a triagem

médica, já que raramente buscam tratamento.

 

Subtipo antissocial jovem (21%)

Pessoas na faixa dos 20 e poucos anos com altas taxas de uso concomitante

de droga (>75% fumam cigarro e maconha), com histórias familiares de

forte dependência de álcool. Eles começam a beber na juventude, o que em

parte pode responder pela gravidade da dependência de álcool a uma idade

jovem. Doenças mentais concomitantes são comuns (depressão, ansiedade e

transtornos da personalidade). Um terço dessas pessoas busca ativamente

tratamento. Esse grupo é de importância particular para triagens pediátricas

e escolares de uso abusivo de substâncias.

 

Subtipo funcional (19,5%)

É tipicamente um grupo composto de indivíduos de meia-idade bem

instruídos, com empregos e relacionamentos estáveis, coloquialmente

conhecidos como “alcólicos altamente funcionais”. Uma ausência de

consequências negativas proeminentes pelo consumo de álcool cria uma

forte vulnerabilidade à negação da doença e falta de incentivo para buscar

tratamento; assim, a triagem médica de problemas relacionados com o

álcool é importante para engajá-los no tratamento. Cerca da metade é tabagista, um terço tem histórias familiares fortes de dependência de álcool

e um quarto tem uma história vitalícia de depressão.

 

Subtipo familiar intermediário (19%)

Esse grupo de indivíduos de meia-idade, metade dos quais com uma

história vitalícia de depressão e uma forte história familiar de dependência

de álcool, tem taxas elevadas de doença mental concomitante, e a maioria é

tabagista. Apesar de problemas manifestos de funcionamento, apenas 25%

buscam ativamente tratamento para alcoolismo. Esse grupo com frequência

se apresenta para assistência psiquiátrica em que a triagem de uso abusivo

de substâncias é crítica para diagnosticar dependência de álcool.

 

Subtipo crônico grave (9%)

Esse grupo de indivíduos de meia-idade começou a beber muito cedo na

vida, apresenta taxas elevadas de doença mental e uso de drogas

concomitante, além de taxas elevadas de transtorno de personalidade

antissocial e comportamento criminoso com consequências legais. Dois

terços buscarão tratamento em virtude das consequências negativas

proeminentes do alcoolismo.

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