Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Tuberculose Encefálica e da Medula Espinal
FIGURA 11-10
Tuberculose Encefálica e da Medula Espinal Infecções do sistema nervoso central pelo Mycobacterium tuberculosis
podem assumir uma variedade de formas, incluindo uma meningoencefalite
fulminante aguda, uma meningite subaguda, tuberculoma e uma tuberculose
vertebral (doença de Pott). A infecção pelo M. tuberculosis é adquirida pela
inalação de gotículas aerossolizadas. A meningite por tuberculose não se
desenvolve agudamente a partir de disseminação hematogênica de bacilos
de tuberculose para as meninges. Preferencialmente, tubérculos miliares
isolados se formam no parênquima encefálico ou nas meninges durante
disseminação hematogênica dos bacilos, aumentando subsequentemente,
sendo usualmente caseosos. Focos caseosos subependimais podem
permanecer quiescentes por meses ou anos, mas então podem eliminar
bacilos e antígenos de tuberculose no espaço subaracnoide, causando
meningite. As complicações neurológicas da meningite por tuberculose são
iniciadas pela reação inflamatória intensa à eliminação de bacilos de
tuberculose e antígenos tuberculosos no espaço subaracnoide. A reação
inflamatória leva à produção de um exsudato espesso que preenche as
cisternas basilares, obstruindo o fluxo do líquido cerebroespinal (LCS) e
circundando os nervos cranianos. A vasculite tipicamente envolve os vasos
sanguíneos principais na base do encéfalo, resultando em isquemia e infarto
encefálico. A meningite por tuberculose pode se manifestar como uma
meningite subaguda ou uma meningite fulminante, se assemelhando a uma
meningite bacteriana. Quando a apresentação é a de uma meningite
subaguda, estão frequentemente presentes cefaleia, febre e letargia por
quatro semanas ou mais antes do paciente se apresentar para avaliação. Os
pacientes procuram atendimento com queixas de cefaleia persistente, suores
noturnos, rigidez de nuca e letargia. Anormalidades de nervos cranianos
ocorrem em aproximadamente um quarto dos pacientes.
O diagnóstico de meningite por tuberculose é feito por exame do líquido
espinal. As anormalidades clássicas do líquido espinal na meningite por
tuberculose são: (1) elevação da pressão de abertura, (2) pleocitose
linfocítica, (3) uma concentração de proteína elevada na faixa de 100 a 500
mg/dL, e (4) uma concentração de glicose reduzida. Uma concentração de
glicose no LCS entre 45 e 35 mg/dL em associação com uma pleocitose
linfocítica e uma cefaleia persistente, rigidez de nuca, fadiga, suores
noturnos e febre é altamente suspeito de meningite por tuberculose. No
estágio inicial da doença clínica, leucócitos polimorfonucleares podem predominar no líquido espinal, mas os linfócitos tipicamente se tornam o
tipo celular predominante em 48 horas. A concentração de glicose no LCS
está apenas levemente reduzida. O último tubo de líquido coletado durante
a punção lombar é o melhor para ser submetido para confecção de
esfregaço para coloração de bacilo álcool-ácido resistente. A cultura do
LCS leva de 4 a 8 semanas para identificar o organismo, exceto em casos de
meningite fulminante por tuberculose, em que a cultura é frequentemente
positiva entre 1 e 2 semanas. Existe uma reação em cadeia de polimerase
em (PCR) disponível para pesquisa de ácido ribonucleico ribossomal
(rRNA) de M. tuberculosis. Anormalidades na neuroimagem não são
específicas e incluem realce das meninges após administração de contraste,
hidrocefalia comunicante e/ou obstrutiva e infartos típicos nos núcleos da
base. Pacientes devem ser submetidos a radiografias de tórax e teste de
tuberculina intradérmico. O teste cutâneo de tuberculina pode ser negativo,
pois pacientes com tuberculose no sistema nervoso central (SNC) estão
imunossuprimidos. Com o tratamento, o teste cutâneo pode se tornar
positivo. O tratamento de meningite por tuberculose inclui uma combinação
de isoniazida, rifampicina, pirazinamida, etambutol e piridoxina. A terapia
com dexametasona é recomendada para pacientes que desenvolvem
hidrocéfalo. Esta complicação também pode requerer uma ventriculostomia
ou uma derivação ventrículo-peritoneal.
Os tuberculomas se manifestam na forma de lesões ocupantes de espaço.
Ao exame de tomografia computadorizada (TC), elas frequentemente
apresentam a aparência de um ninho central de calcificação circundado por
uma margem de realce e/ou edema. Os tuberculomas podem se desenvolver
durante o curso da terapia para meningite por tuberculose. O tratamento dos
tuberculomas inclui um regime de três ou quatro fármacos similar ao
tratamento da meningite por tuberculose. Tuberculomas superficiais podem
ser excisados cirurgicamente se não responderem a quimioterapia
antituberculose.
A doença de Pott se refere à tuberculose vertebral ou espondilite por
tuberculose. Dois ou mais corpos vertebrais adjacentes estão
frequentemente envolvidos, e a infecção pode se disseminar para o disco
e/ou espaço epidural. A coluna torácica e a lombar são as áreas mais
comumente afetadas e, portanto, a apresentação clínica é a de dor nas costas
na área torácica ou lombar e febre. Quando o espaço epidural está envolvido, podem se desenvolver sinais e sintomas de compressão
progressiva da medula espinal. O diagnóstico é feito por aspiração
estereotáxica da lesão. O tratamento inclui quimioterapia antituberculose e
descompressão cirúrgica caso esteja presente a compressão da medula
espinal.