Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Neurossarcoidose

FIGURA 11-22

 

Neurossarcoidose Apesar desta doença granulomatosa sistêmica não caseosa não ter sido

associada a um micro-organismo infeccioso específico, ela possui muitas

semelhanças a uma doença crônica infecciosa ou inflamatória e, portanto,

será considerada nesta seção. A sarcoidose é mais comum em afro-

americanos do que em caucasianos. Ela é frequentemente assintomática,

sendo descoberta pela presença de adenopatia hilar em uma radiografia de

tórax. O envolvimento neurológico é menos comum e pode se apresentar

agudamente, subagudamente, ou mais insidiosamente. A doença é

normalmente monofásica, mas pode seguir um curso remitente-recorrente

ou progressivo.

A apresentação pode ser com déficit de nervos cranianos a partir de uma

meningite basal, as mais comuns sendo as neuropatias que afetam nervos

cranianos (NCs) VII, V, VIII e II. O envolvimento do nervo facial (NC VII)

pode ser unilateral ou bilateral; quando bilateral, pode ocorrer

simultaneamente ou sequencialmente nos dois lados. Distúrbios endócrinos

do envolvimento hipotalâmico-hipofisário podem se manifestar como

hipotireoidismo, hipogonadismo, hipoadrenalismo, ou hipopituitarismo;

algumas vezes ocorre diabetes insípido. Uma lesão intraparenquimatosa

pode levar a convulsões; mascarada na forma de tumor encefálico,

produzindo déficits focais e aumento da pressão intracraniana; levar a uma

encefalopatia não específica; causar hidrocéfalo obstrutivo; ou resultar em

mielopatia ou mielorradiculopatia caso a medula espinal seja afetada. O

neurossarcoide pode afetar o sistema nervoso periférico, causando uma

mononeuropatia ou polineuropatia simples ou múltipla. Uma miopatia

também já foi descrita.

O diagnóstico é estabelecido com certeza apenas por exame

histopatológico de uma amostra de biópsia. Todos os pacientes com

suspeita de neurossarcoidose necessitam de avaliação para envolvimento

extraneural, os quais podem servir como um local para biópsia. Uma

elevação no soro da enzima conversora de angiotensina (ECA) pode ser útil

para o diagnóstico, mas não é específica, e achados normais não excluem o

diagnóstico. O líquido cerebroespinal é frequentemente anormal e pode

simular um processo infeccioso, com uma contagem celular aumentada

(usualmente pleocitose mononuclear) e concentração elevada de proteína; o

nível de glicose é normal ou reduzido. O índice de imunoglobulina G (IgG)

pode estar aumentado, e bandas oligoclonais podem estar presentes. O nível de ECA no líquido cerebroespinal (LCS) está algumas vezes elevado, um

achado sugestivo, mas não específico. Radiografias de tórax ou exame de

tomografia computadorizada (TC) frequentemente revelam adenopatia hilar

e permitem uma biópsia de linfonodo mediastinal. Imagem por TC ou por

ressonância magnética (RM) craniana pode documentar o local e extensão

do envolvimento neurológico, e também identificar um local para biópsia,

caso a incerteza no diagnóstico persista ou a resposta à terapia seja baixa.

Testes de tratamento controlados não estão disponíveis para guiar a

terapia, mas o tratamento com corticosteroides é a abordagem mais

comumente aceita. A duração do tratamento é determinada individualmente

dependendo da localização da doença, gravidade e resposta à terapia.

Outras abordagens imunomodulatórias também têm sido utilizadas em

pacientes que não respondem ou não conseguem tolerar os corticosteroides.

Apenas em raros casos, há necessidade de ressecção de lesões expansivas,

apesar da colocação de um dreno ventricular poder ser importante em

pacientes com hidrocéfalo. Anormalidades endocrinológicas requerem

correção.

 

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