Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Craniossinostose

FIGURA 1-10

 

Craniossinostose O crescimento do encéfalo equipara-se ao crescimento flexível dos ossos

cranianos, que deve estabelecer o mecanismo para expandir a abóbada

craniana coincidente com o aumento do volume cerebral. Os ossos

cranianos, principalmente gerados pelas precursoras condrogênicas e

osteogênicas derivadas da crista neural, são arranjados como “placas” e

com articulações elásticas entre cada placa referidas como suturas

cranianas. Craniossinostose implica o fechamento prematuro de uma ou

mais suturas cranianas (Fig. 1-10). A fusão precoce das placas ósseas

resulta em uma forma craniana progressivamente dismórfica. Ocorre

craniossinostose verdadeira em um a cada 2.000 bebês, predomina no sexo

masculino, e se manifesta nas formas sindrômica e não sindrômica.

Normalmente, a sutura metópica, ou frontal, fecha-se antes do nascimento;

enquanto a fontanela posterior, na união das suturas lambdoide e sagital,

fecha-se aos 3 meses; e a fontanela anterior na junção das suturas coronal,

sagital e metópica, aos 18 meses. Depois da fusão da sutura, o crescimento

ocorre paralelo a essa sutura, ou seja, o crescimento é inibido em 90 graus

para a sutura. A própria fusão é percebida como uma crista. As suturas

cranianas não podem ser separadas por aumento da pressão intracraniana

após os 12 anos de idade.

Ocorre craniossinostose não sindrômica com muito mais frequência que a

sindrômica. O fechamento prematuro mais comum ocorre na sutura sagital,

o que leva à escafocefalia, dolicocefalia ou cabeça alongada. O próximo

fechamento prematuro mais comum é encontrado na sutura coronal, que

pode ser unilateral ou bilateral. Se unilateral, causa uma crista unilateral,

com levantamento da órbita, achatamento da área frontal e proeminência

próxima ao zigoma no lado afetado, que produz uma expressão estranha. Se

o fechamento prematuro coronal for bilateral, o resultado é a braquicefalia,

que se manifesta por um crânio anormalmente largo. A craniossinostose

metópica causa trigonocefalia, com um osso frontal pontiagudo,

hipotelorismo e depressão temporal proeminente. A sinostose lambdoide

verdadeira, que também pode ser unilateral ou bilateral, é extremamente

rara, com uma incidência inferior a 1:100.000. Turricefalia, uma abóbada

craniana elevada devido a múltiplos fechamentos de suturas, é bastante rara

e desfigurante. Alguns bebês terão saliências proeminentes ao longo das

suturas sem outros achados cranianos típicos, e essas saliências se

resolverão espontaneamente com o tempo.

A craniossinostose sindrômica geralmente é autossômica dominante. A

doença de Crouzon, com o fechamento de múltiplas suturas e as anomalias

faciais associadas de hipertelorismo, proptose e atresia coanal, é conhecida

como disostose craniofacial. A inteligência é normal, mas o fechamento

prematuro da sutura pode provocar elevação da pressão intracraniana. Na

acrocefalossindactilia, ou síndrome de Apert, a cabeça é alongada, o

resultado do fechamento prematuro de todas as suturas; as órbitas são rasas,

causando exoftalmia; e está presente a sindactilia ou a polidactilia. Saethre-

Chotzen, Pfeiffer e Carpenter também identificaram síndrome de

acrocefalossindactilia que inclui várias combinações de sinostose,

sindactilia e outras anomalias. A craniossinostose sindrômica pode estar

associada à hidrocefalia.

As condições que podem ser confundidas com craniossinostose incluem

microcefalia e plagiocefalia deformacional. A microcefalia da falta de

desenvolvimento do cérebro não é tipicamente acompanhada por uma

forma craniana desfigurada. A plagiocefalia deformacional é muito comum

e ocorre atualmente em cerca de 1 em 10 bebês. O bebê tende a deitar-se

sobre uma área do crânio, o que causa achatamento na região afetada,

deslocamento anterior da orelha unilateral e formação de bossas ipsilateral

frontal e contralateral parietal, com um formato geral de um paralelogramo.

Alguns bebês têm torcicolo associado. A maioria dos bebês terá melhora

espontânea com exercícios; os casos muito graves precisam de tratamento

com órtese craniana.

O diagnóstico de craniossinostose é feito pelo exame clínico na maioria

dos casos. Exames radiográficos apropriados são tipicamente necessários

como um guia para o reparo cirúrgico. O tratamento da craniossinostose

verdadeira é cirúrgico, com técnicas endoscópicas ou abertas. O

encaminhamento precoce otimiza a oportunidade para usar técnicas

minimamente invasivas. O tratamento da craniossinostose sindrômica e de

múltiplas suturas requer tipicamente múltiplos procedimentos por parte de

uma equipe craniofacial experiente durante a primeira infância.