Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Trombose do Seio Venoso
FIGURA 9-33
Trombose do Seio Venoso Seios venosos da dura-máter
Localizados entre as duas camadas da dura-máter, os seios venosos são
divididos em um grupo posterossuperior dentro da parte superior e posterior
do crânio e um grupo anteroinferior situado na base do crânio, consistindo
dos seios e plexos pares.
Grupo Posterossuperior
Seio Sagital Superior (SSS)
O seio sagital superior atravessa a margem superior da foice encefálico,
gradualmente aumentando na direção conforme ele transita posteriormente,
recebendo veias cerebrais posteriores e veias do pericrânio, da díploe e da
dura-máter. Sua porção anterior está eventualmente ausente, substituída por
duas veias que convergem atrás da sutura coronária. O SSS termina perto da
protuberância occipital e se junta ao seio reto para formar a confluência dos
seios (tórcula de Herophili).
Seio Sagital Inferior (SSI)
O seio sagital inferior atravessa os dois terços posteriores da margem menor
da foice encefálico; ele se torna maior conforme ele recebe veias da foice e
das superfícies mediais dos hemisférios encefálicos para se juntar à grande
veia cerebral de Galeno, formando o seio reto.
Seio Reto
O seio reto está localizado na junção da foice encefálica com o tentório do
cerebelo. Recebendo veias cerebelares superiores para terminar e se juntar à
confluência dos seios. É geralmente um único canal, embora
ocasionalmente dobrado ou triplicado.
Seios Transversais (bilaterais, geralmente de tamanho desigual)
Os seios transversos estão na protuberância occipital interna, onde
geralmente o lado direito é a continuação direta do SSS, enquanto o outro
deriva do seio reto. Cada um se torna maior correndo anterolateralmente
dentro da margem do tentório do cerebelo, recebendo os seios petroso
superior e inferior encefálico, e veias cerebelares, diploicas, condiloides e mastoides. Eles deixam o tentório, entrando no forame jugular como seio
sigmoide.
Seios Sigmoides
Os seios sigmoides são continuações dos seios transversos situadas sobre os
ossos mastoides temporais. Eles terminam nos foramens jugulares,
drenando para as veias jugulares internas.
Seio Occipital
O seio occipital é o menor, geralmente o único seio proveniente de
pequenos canais venosos no forame magno, se comunica com o seio
transverso e termina na confluência dos seios.
Grupo Anteroinferior
Seios Cavernosos
Os seios cavernosos são redes irregulares de comunicação de canais
venosos começando nas fissuras orbitais superiores e se estendendo até o
ápice petroso dos ossos temporais. A artéria carótida interna, o plexo
carotídeo e o nervo abducente repousam na sua parede medial, enquanto os
nervos oculomotor, troclear e divisões oftálmicas/maxilares dos nervos
trigêmeos atravessam a parede lateral. Cada seio recebe as veias oftálmicas
(superior e inferior), as cerebrais médias e o pequeno seio esfenoparietal,
que se comunica via seios intercavernosos. Estes drenam nos seios
transversos através dos seios petrosos superiores, veia jugular interna
através dos seios petrosos inferiores, no plexo de veias da artéria carótida
interna, e no plexo venoso pterigoide
FIGURA 9-34
Seios Intercavernosos Seios anterior e posterior se conectam com os dois seios cavernosos,
formando um círculo venoso em torno da haste pituitária.
Seios Esfenoparietais
Eles cursam ao longo da superfície inferior da asa menor do osso esfenoide
e drenam nos seios cavernosos.
Seio Petroso
(1) Os seios petrosos superiores recebem o sangue a partir do cerebelo, veia
cerebral inferior e cavidade timpânica; atravessam o tentório do cerebelo; e
conectam os seios cavernoso e transverso. (2) Seios petrosos inferiores se
originam dentro do sulco petroso inferior, na junção dos ossos temporal
petroso e occipital basilar e do forame jugular. Estes recebem sangue a
partir das veias auditivas internas, bulbo, ponte e cerebelo, e conectam o
seio cavernoso com o bulbo da veia jugular interna.
Plexo Basilar
O plexo basilar consiste em entrelaçamento de canais venosos sobre o osso
occipital basilar, que liga os seios petrosos inferiores ao mesmo tempo que
drena o plexo venoso vertebral anterior.
Sistema venoso encefálico
Considera-se que as veias cerebrais sejam relacionadas tanto com estruturas
encefálicas superficiais, quanto com profundas.
Grupo Superficial
Estas veias drenam o córtex encefálico e a substância branca subcortical
para drenar dentro dos seios sagital superior, reto, transverso e cavernoso.
Estes incluem as seguintes: (1) a grande anastomótica de Trolard, ligando
as veias cerebrais médias ao seio sagital superior; (2) a veia de Labbé,
conectando as veias cerebrais médias com os seios transversos; (3) as veias
cerebrais médias, recebendo ramos comunicantes das veias de Trolard e
Labbé e drenando dentro dos seios cavernosos.
As veias da fossa posterior drenam o cerebelo e o tronco encefálico e são
divididas em (1) veia superior (galênica), incluindo as veias pré-central,
cerebelar superior, vermiana superior, mesencefálica posterior,
mesencefálica lateral, quadrigeminal e pontomesencefálica anterior, que
drenam a porção superior do cerebelo e do tronco encefálico superior na
veia galênica; (2) veia anterior (petrosa), incluindo a veia petrosa, bulbar
anterior, hemisférica cerebelar e bulbar lateral e algumas veias cerebelares
bi-hemisféricas. Elas drenam na confluência dos seios e no entorno dos
seios transversais.
Grupo Profundo
Estas veias drenam a substância branca central e os núcleos da base,
drenando dentro das veias subependimais dos ventrículos laterais. As veias
subependimais principais incluem (1) veias septais drenando os cornos
frontais dos ventrículos laterais próximo ao septo pelúcido, corpo caloso e
substância branca frontal profunda; se unindo com (2) as veias
talamoestriadas formadas pelas veias terminais e caudadas anteriores. Estas
correm no assoalho do ventrículo lateral e drenam para (3) as veias
cerebrais internas; cada uma recebendo sangue a partir das veias
talamoestriada, corióidea, septal, epitalâmica e ventricular lateral e
situando-se dentro do teto do terceiro ventrículo. Ambas as veias cerebrais
internas se unem sob o esplênio do corpo caloso para se fundir com (4) as
veias basais de Rosenthal surgindo dentro da fissura sylviana. Estas
recebem sangue da veia cerebral anterior, cerebral média profunda e veias
estriadas inferiores. Então, cursam em torno dos pedúnculos encefálicos e
teto do mesencéfalo para formar a grande veia cerebral de Galeno
(galênica). Esta se curva em torno do esplênio na cisterna quadrigeminal,
terminando perto do ápice tentorial, onde se une ao seio sagital inferior
para formar o seio reto.
FIGURA 9-35
Diagnóstico e tratamento da trombose do
seio venoso encefálico
As infecções e o aumento da coagulação são as principais causas de
oclusões dos seios venosos e durais. Muitos casos ocorrem durante a
gravidez e o puerpério. Os seios sagital e lateral estão mais frequentemente
envolvidos. O principal sintoma é a dor de cabeça, e pode ser o único
sintoma. Edema encefálico, infarto e hemorragia podem se desenvolver em
regiões encefálicas drenadas pelas veias ocluídas. Nestes pacientes, déficits
neurológicos focais e convulsões ocorrem com frequência. Em alguns
pacientes, a oclusão do seio dural conduz a uma síndrome encefálica
pseudotumoral de aumento da pressão intracraniana.
Na maioria dos pacientes, o nível de dímero-d no sangue está aumentado,
refletindo aumento da coagulação sanguínea. Estudos de imagem encefálica
radiológica são necessários para estabelecer o diagnóstico de trombose do
seio venoso encefálico, com suspeita por motivos clínicos. A visualização
direta do seio ou veia trombosado confirma conclusivamente o diagnóstico
definitivo.
A avaliação inicial geralmente usa tomografia computadorizada (TC)
axial simples do encéfalo. A TC simples pode mostrar evidências de
inchaço encefálico (swelling), edema encefálico ou infartos venosos que
tendem a ser hemorrágicos com grandes edemas circundantes e sem
conformidades com territórios vasculares arteriais bem definidos (Fig. 9-13
e Figs. 9-21 a 9-23). No entanto, a TC simples pode mostrar somente
anormalidades sutis e inespecíficas na ausência de infarto venoso. A
administração de contraste pode aumentar a sensibilidade da TC no
diagnóstico de trombose do seio venoso encefálico. A ressonância
magnética (RM) é superior à TC e é a modalidade de imagem de escolha.
Os principais seios e veias encefálicos podem ser bem identificados por
venografia por ressonância magnética (VRM), venografia por TC (VTC) ou
angiografia convencional com cateter. A Figura 9-35, D, representa uma
VRM normal mostrando os grandes seios e veias, enquanto a Figura 9-35,
B, retrata a VRM mostrando ausência de fluxo na porção posterior do seio
sagital superior e em algumas das veias corticais vizinhas. A angiografia
convencional com uma fase venosa prolongada é o padrão-ouro para o
diagnóstico da trombose do seio ou veia encefálico (Fig. 9-35, C) e seu uso
é geralmente reservado para casos com alto grau de suspeição onde a VRM
e a VTC são negativas ou não conclusivas.
O tratamento específico da trombose do seio venoso encefálico depende
da etiologia subjacente. A maioria dos pacientes sem contraindicações para
anticoagulação é inicialmente tratada tanto com heparina subcutânea de
baixo peso molecular ajustada ao peso corporal quanto com heparina
intravenosa com dose ajustada, e transição para uso de anticoagulante oral
para evitar extensão do trombo e prevenir embolia pulmonar. A duração
ótima da anticoagulação oral é incerta e varia de 3 a 12 meses em casos
idiopáticos ou naqueles provocados por fármacos trombogênicos, até o uso
de anticoagulação por toda a vida naqueles com trombofilia.
A trombólise local pode ser usada ocasionalmente em pacientes que têm
deterioração mesmo com anticoagulação e naqueles em quem outras causas
de deterioração foram excluídas. O tratamento sintomático inclui o controle
do aumento da pressão intracraniana, uso de medicamentos antiepilépticos e
analgésicos para dor de cabeça.