Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Concussão

FIGURA 14-9

 

Concussão Uma concussão é um tipo de lesão encefálica traumática que altera o modo

como o encéfalo normalmente funciona e é causada por forças traumáticas

na cabeça ou no corpo. A maioria das concussões ocorre sem perda da

consciência. Os Centros para Controle e Prevenção de Doenças nos EUA

estimam que entre 1,6 e 3,8 milhões de concussões ocorram em atividades

esportivas e recreativas a cada ano. Concussões ou lesões encefálicas

traumáticas leves podem resultar em riscos para a saúde em curto e longo

prazos. Em atletas, existe uma correlação entre concussões repetitivas e

doença neurodegenerativa chamada de encefalopatia traumática crônica.

Também existe uma entidade chamada de “síndrome do segundo impacto”.

O possível problema da concussão na saúde pública é tal que mais de 40

estados nos Estados Unidos têm leis ou projetos de lei pendentes para

abordar o problema das concussões em esportes da juventude.

Em nível neuronal, forças lineares e rotacionais podem provocar

alterações estruturais e metabólicas que afetam temporariamente a função e

contribuem para os sintomas físicos, cognitivos e emocionais. O substrato

molecular destas alterações clínicas agudas é o tema de grande parte das

pesquisas atuais sobre alterações iônicas celulares de sódio e cálcio,

integridade dos axônios, bioenergética, associação neurovascular e genética.

O que é aparente em indivíduos que sofrem uma concussão é que os

sintomas podem persistir por dias, semanas ou meses após um evento de

concussão.

 

Sintomatologia Clínica

Os sinais e sintomas das concussões são diversos. Tipicamente, os

indivíduos têm dificuldade em habilidades de pensamento e memória e suas

emoções podem ser afetadas. Os problemas físicos incluem cefaleia,

náuseas e perturbações visuais. Os Centros para Controle e Prevenção de

Doenças preconizam que qualquer atleta com suspeita de uma concussão

seja removido imediatamente do jogo, avaliado por um profissional de

saúde e só possa voltar quando liberado por um profissional de saúde. No

momento, não existem medicamentos “neuroprotetores” que possam ser

usados para esta condição e recomenda-se, por questões de segurança, que

atividades físicas e mentais que estimulem o encéfalo excessivamente sejam

descontinuadas. Além disso, um sistema de retorno ao jogo gradual é recomendado como o modo mais seguro de levar um atleta de volta a

atividades de contato integrais.

 

Síndrome do Segundo Impacto

A síndrome do segundo impacto é a consequência mais devastadora,

embora rara, de uma concussão repetida na fase pós-lesional. Esta condição

ocorre quando um indivíduo sofre um segundo episódio traumático no

encéfalo antes que ele tenha se recuperado totalmente da lesão traumática

inicial. Estes indivíduos desenvolvem rapidamente edema cerebral global,

coma, prejuízo neurológico grave e possibilidade de morte. Esta condição

rara é observada principalmente em jovens com menos de 21 anos de idade.

Atualmente não há métodos para determinar o período de recuperação após

uma concussão ou mesmo a duração de uma “janela de vulnerabilidade”

após uma concussão. Portanto, boa parte da ênfase atual no tratamento de

uma concussão e retorno ao desempenho esportivo em atletas jovens está na

redução de qualquer possibilidade de uma síndrome do segundo impacto.

 

Concussões Repetidas e Encefalopatia Traumática Crônica

Indivíduos que sofrem um episódio de concussão isolado devem se

recuperar por completo se tiverem um tempo apropriado para a

recuperação, com repouso e interrupção dos esportes. Em contraste, estudos

de autópsia encefálica de ex-atletas profissionais de esportes de contato,

como boxe, futebol americano e hóquei, revelaram uma doença

neurodegenerativa crônica chamada de encefalopatia traumática crônica.

Esta doença foi descrita pela primeira vez em 1928 como demência

pugilística em boxeadores falecidos. Acreditava-se que a síndrome clínica

associada a esta patologia, a chamada síndrome “punch drunk” ou demência

do boxeador, estivesse limitada a boxeadores que exibiam sintomas

cognitivos, emocionais e comportamentais progressivos como depressão,

agitação e demência, anos após as lesões encefálicas traumáticas repetidas.

Recentemente, porém, muitos outros casos de encefalopatia traumática

crônica foram descritos em jogadores falecidos de outros esportes, como,

por exemplo, futebol americano, hóquei e luta livre. Embora os casos

variem em gravidade e neuropatologia, eles compartilham a característica

comum de maior depósito de proteína tau agregada em emaranhados neurofibrilares, que é semelhante a doenças neurodegenerativas como a

doença de Alzheimer. Além disso, estágios mais precoces da encefalopatia

traumática crônica estão sendo relatados em atletas jovens de até 18 anos de

idade, em que há evidência de perda da substância branca nos exames de

imagem encefálica.