Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Seção 9: Circulação cerebrovascular e AVE
S E Ç Ã O 9
Circulação cerebrovascular e AVE
FIGURA 9-1
Avaliação e Abordagem ao Paciente com
AVE
Suprimento arterial do encéfalo e
meninges
Avaliação e Segmentos Cervicais
O encéfalo e as meninges são supridos por ramos que se originam a partir
da aorta. O tronco braquiocefálico (ou artéria inominada) se divide por trás
da articulação esternoclavicular direita em artéria carótida comum direita
(CCD) e em artéria subclávia direita, que irriga o braço. Os próximos ramos
aórticos são a artéria carótida comum esquerda e a artéria subclávia
esquerda, surgindo diretamente a partir do arco aórtico. As artérias
vertebrais são ramos precoces das artérias subclávias de cada lado. As
artérias carótidas comuns se bifurcam no pescoço geralmente em frente à
borda superior da cartilagem tireoide, mais frequentemente no nível do
corpo da quarta vértebra cervical, em artérias carótidas internas, que são
retas (extensões de cerca de 180 graus da artéria carótida comum) e artérias
carótidas externas (ACE), que cursam mais anterior e lateralmente e
fornecem ramos para a face e suas estruturas.
Artéria Carótida Interna
As artérias carótidas internas (ACIs) ascendem verticalmente no pescoço,
posterior e ligeiramente medial à artéria carótida externa. Estas artérias
estão posicionadas medialmente ao músculo esternocleidomastóideo e
deslocam-se atrás dos pilares fauciais da faringe até que elas atinjam o
canal carotídeo na base do crânio. Elas não têm ramos no pescoço. Na base
do crânio, as artérias carótidas situam-se adjacentes ao 9o e 12o nervos
cranianos, que saem do crânio através do forame jugular e hipoglosso. As
artérias então entram no crânio através do canal carotídeo dentro do osso
petroso e formam uma curva em forma de S. A porção das artérias carótidas
internas dentro desta curva é chamada de sifão carotídeo. Há três divisões
das artérias carótidas internas dentro do sifão: porção intrapetrosa, porção
intracavernosa dentro do seio cavernoso e porção supraclinoidal.
Ramos
Dois ramos surgem do segmento petroso: a artéria caroticotimpânica supre
a cavidade timpânica, e a artéria do canal pterigoide (artéria vidiana) supre a faringe e a cavidade timpânica. O segmento cavernoso libera o tronco
meningo-hipofisário fornecendo ramos para a glândula pituitária e
meninges e a artéria meníngea anterior. No seio cavernoso, a artéria
carótida interna está em estreita relação com os nervos que controlam o
movimento dos olhos (III, IV e VI), as divisões oftálmicas e divisões
maxilares do V. Logo após deixar o seio cavernoso, medial ao processo
clinoideo anterior, a artéria carótida interna emite a artéria oftálmica. A
artéria oftálmica passa através do canal óptico na órbita logo abaixo e
lateral ao nervo óptico.
As artérias carótidas internas penetram a dura-máter formando o
segmento supraclinóideo. Elas sobem ligeiramente posterior e lateralmente,
passando entre os nervos oculomotor e óptico. Os ramos da região
supraclinóidea proximal são a corióidea anterior, hipofisária superior e
artérias comunicantes posteriores que surgem e cursam posteriormente. O
término das artérias carótidas internas intracranianas (chamado de porção T
devido à sua forma) é a bifurcação em artérias cerebrais anteriores, que
cursam medialmente, e em artérias cerebrais médias, que cursam
lateralmente.
Artéria Vertebral Extracraniana
Segmentos
O primeiro ramo de cada artéria subclávia é a artéria vertebral (AV). Os
troncos tireocervical e costocervical se originam das artérias subclávias
logo depois da artéria vertebral e podem servir como canais colaterais
quando a artéria vertebral torna-se obstruída. As artérias vertebrais cursam
para cima e para trás durante o seu primeiro segmento (V1) até que elas
entram no forame transverso da sexta ou quinta vértebra cervical. Em
seguida, a artéria ascende como o segundo segmento (V2), que cursa dentro
do forame intervertebral, saindo do processo transverso do atlas. O terceiro
segmento (V3) passa posterior e inferiormente ao processo articular do
atlas; que situa-se em um sulco da superfície superior do arco posterior do
atlas, atrás do atlas, antes de perfurar a dura-máter, para se introduzir no
forame magno. A porção intracraniana (V4) termina na junção
bulbopontina, onde as duas AVs se unem para formar a artéria basilar.
Ramos
A porção cervical das artérias vertebrais dá origem a muitos ramos
musculares e radiculares espinais. Os ramos espinais passam pelo forame
intervertebral e entram no canal cervical para suprir a porção cervical da
medula espinal, o periósteo e corpos de vértebras cervicais. Uma artéria
meníngea menor anteriormente e maior posteriormente se origina dos
segmentos extracraniais distais (V2, V3). As artérias vertebrais intracraniais
emitem as artérias espinais posterior e anterior, artérias penetrantes para o
bulbo e as grandes artérias cerebelares posteriores inferiores.
FIGURA 9-2
Artéria Carótida Externa As artérias carótidas externas emitem muitos ramos que suprem estruturas
dentro da face e do pescoço. Elas se estendem desde a borda superior da
cartilagem tireoide ao colo da mandíbula, onde se dividem em artérias
temporal e maxilar. Há oito ramos principais. As artérias tireóideas superior,
lingual e facial surgem a partir da face anterior das ACEs e cursam
medialmente. As artérias occipital e auricular posterior surgem a partir da
face posterior da artéria. Os ramos das artérias temporal e maxilar surgem
por trás do colo da mandíbula. Há ramos temporais profundos e superficiais
da artéria temporal.
As ACEs têm dois ramos que suprem a face e podem fornecer fluxo
sanguíneo colateral para o sistema da ACI: as artérias faciais que cursam ao
longo do queixo em direção à ponte nasal, onde elas são denominadas
artérias angulares e as artérias pré-auriculares que terminam como as
artérias superficiais temporais. A artéria maxilar interna e o ramo
ascendente faríngeo das ACEs também podem contribuir para a circulação
colateral quando uma ACI oclui. As artérias maxilares internas liberam os
ramos da artéria meníngea média, que penetram no crânio através do
forame espinhoso. Outra fonte importante para a face envolve o ramo
frontal e o supratroclear que se originam das artérias oftálmicas que
abastecem a fronte medialmente acima da sobrancelha. Quando uma ACI
oclui, estes ramos da ACE podem ser importantes fontes de sangue
colateral.
Origens Anômalas
A artéria carótida comum direita e a artéria subclávia direita podem surgir
como ramos separados diretamente do arco aórtico. A artéria vertebral
direita pode surgir diretamente a partir do tronco braquiocefálico, em vez da
artéria subclávia direita. A artéria vertebral esquerda também pode surgir do
tronco braquiocefálico. A artéria subclávia direita pode surgir a partir do
arco aórtico, distal à artéria subclávia esquerda, neste caso ela então
atravessa para o lado direito. Às vezes, a artéria carótida comum esquerda e
a artéria subclávia esquerda surgem a partir de um tronco comum
(braquiocefálico esquerdo). Raramente, uma AV pode surgir de uma artéria
carótida comum.
Artérias Supratentoriais para o Encéfalo
A circulação da carótida interna (anterior) supre a porção anterior e maior
parte das porções laterais dos hemisférios encefálicos, enquanto a
circulação vertebrobasilar (posterior) supre o tronco encefálico, o cerebelo e
a porção posterior dos hemisférios encefálicos. Cerca de 40% do fluxo
sanguíneo encefálico vem através de cada artéria carótida interna, enquanto
20% fluem através do sistema arterial vertebrobasilar.
Círculo Arterioso da Base do Encéfalo ou Círculo de
Willis
Esta anastomose na base do encéfalo (mais um hexágono do que um
círculo) serve para conectar as principais artérias das circulações anterior e
posterior e as artérias de ambos os lados. As porções horizontais dos ramos
arteriais encefálicos anteriores das artérias carótidas internas são conectadas
à artéria comunicante anterior, formando a porção anterior do círculo. Os
ramos das artérias comunicantes posteriores das artérias carótidas internas
de cada lado se conectam aos ramos arteriais encefálicos posteriores da
artéria basilar, formando as porções posterior e laterais do “círculo”.
As artérias hipofisárias superiores surgem como os primeiros ramos da
porção supraclinóidea das artérias carótidas internas, liberando ramos para
o quiasma óptico e participando de uma anastomose que abastece a
glândula pituitária, que é composta por ramos arteriais de cada lado e ramos
do tronco meningo-hipofisário direito e esquerdo.
A artéria comunicante posterior (cerca de 1,5 cm de comprimento)
prossegue posterior e medialmente para se juntar às artérias cerebrais
posteriores de cada lado cerca de 1 cm a partir da sua origem a partir da
artéria basilar. Pequenos ramos alimentam o trato óptico e a porção
posterior do quiasma óptico, hipotálamo posterior e as paredes do terceiro
ventrículo. A artéria tálamo-tuberal (polar) surge mais frequentemente a
partir do terço médio da artéria comunicante posterior, mas também pode
surgir a partir do segmento proximal da artéria cerebral posterior. A artéria
polar supre as porções anteromedial e anterolateral do tálamo.
Artéria Basilar A artéria basilar é formada pela união de duas artérias vertebrais
intracranianas na junção bulbopontina. Ela cursa rostralmente em um sulco
situado na superfície anterior da ponte, onde está localizada dentro da
cisterna pré-pontino, atrás do clivo. O segmento distal entra na cisterna
interpeduncular, onde é frequentemente separado a partir da superfície basal
do tronco encefálico. A porção distal da artéria situa-se entre os pedúnculos
encefálicos e termina na junção ponto mesencefálica, logo após passar entre
os dois nervos oculomotores, dividindo-se em duas artérias cerebrais
posteriores. A artéria basilar é muitas vezes curva e tortuosa, e pode
desviar-se da linha média. A artéria basilar mede cerca de 33 cm de
comprimento e o diâmetro geralmente situa-se entre 4 e 4,5 mm. Os
principais ramos da artéria são as artérias cerebelar anterior inferior e
cerebelar superior, artérias paramedianas, que penetram diretamente na
ponte e artérias circunferenciais curtas, que cursam em torno da ponte e
emitem artérias penetrantes laterais basais e laterais tegmentares.
FIGURA 9-3
Artérias Cerebrais Posteriores As artérias cerebrais posteriores se originam a partir da bifurcação terminal
da artéria basilar rostral, ao terceiro nervo craniano e então rodeiam o
mesencéfalo acima do nível do tentório do cerebelo. Conforme as artérias
cerebrais posteriores cursam a superfície dorsal do mesencéfalo, elas se
dividem em ramos corticais. As artérias estão divididas em segmentos
peduncular, ambiente e quadrigeminal, chamados assim após as cisternas as
quais eles passam. A porção proximal das artérias, antes do ramo da artéria
comunicante posterior, é chamada de artéria pré-comunicante, segmento P1
ou artéria mesencefálica.
Ramos que suprem o mesencéfalo e o tálamo surgem a partir dos
segmentos peduncular proximal e ambiente. As artérias mesencefálicas
paramedianas surgem a partir dos primeiros 3 a 7 mm das artérias. As
artérias talâmicas-subtalâmicas (também chamadas de tálamo perfurantes)
surgem também proximalmente abastecendo as porções paramedianas do
tálamo posteromedial. As artérias corióideas posteriores mediais também
surgem proximalmente a partir dos segmentos pedunculares e suprem a
lâmina quadrigêmina no mesencéfalo e o plexo corioide do terceiro
ventrículo. Mais distalmente, as artérias peduncular perfurante e
talamogeniculada se originam a partir dos segmentos na cisterna ambiente.
Estes suprem o mesencéfalo basolateral e o tálamo anterolateral,
respectivamente. Cada um é composto por um leque de artérias paralelas.
Adiante em seu curso, após as artérias cerebrais posteriores haverem
circulado o mesencéfalo, surgem os ramos corioides posteriores laterais
que irão suprir o corpo geniculado lateral, o pulvinar e o tálamo dorsal,
assim como o plexo corioide dos cornos temporais dos ventrículos laterais.
Há quatro principais ramos corticais das artérias cerebrais posteriores: as
artérias temporal anterior, temporal posterior, parietoccipital e artérias
calcarinas. As artérias temporais posteriores surgem primeiro a partir dos
segmentos na cisterna ambiente, geralmente como troncos arteriais únicos
ou como várias ramificações para abastecer a porção inferior do lobo
temporal. As artérias temporais posteriores cursam posteriormente nos
lobos inferior parietal e occipital. As artérias parietoccipital e calcarina são
mais variáveis, geralmente originando-se independentemente a partir dos
segmentos na cisterna ambiente e suprindo os lobos occipital e parietal
inferior medial. As artérias pericalosas posteriores que circundam a porção
posterior do corpo caloso para fazer anastomoses com os ramos da artéria pericalosa anterior das artérias cerebrais anteriores, geralmente surgem a
partir das artérias parietoccipitais dentro das cisternas quadrigeminais.
Artérias Oftálmica, Corióidea Anterior e Comunicante
Posterior
As artérias corioideas anteriores são artérias relativamente pequenas que
se originam a partir das artérias carótidas internas após as origens das
artérias comunicante posterior e oftálmica. A artéria oftálmica se projeta
anteriormente na parte de trás da órbita, enquanto as artérias corióidea
anterior e comunicante posterior se projetam posteriormente a partir da
artéria carótida interna. As artérias corioideas anteriores cursam posterior e
lateralmente, correndo ao longo do trato óptico. Elas primeiro emitem
ramos das artérias penetrantes para o globo pálido e ramo posterior da
cápsula interna e então emitem os ramos que cursam lateralmente ao lobo
temporal medial e ramos que cursam medialmente para suprir uma porção
do mesencéfalo e do tálamo. As artérias corioideas anteriores terminam no
corpo geniculado lateral, onde elas se unem com os ramos da artéria
corioide posterior lateral das artérias cerebrais posteriores e no plexo
corioideo do ventrículo lateral, próximo aos cornos temporais.
Artérias Cerebrais Anteriores
As artérias cerebrais anteriores são os menores dos dois ramos terminais
das artérias carótidas internas. Elas cursam medialmente até que atinjam as
fissuras longitudinais e então correm posteriormente sobre o corpo caloso.
A primeira porção da ACA é, algumas vezes, hipoplástica de um lado; neste
caso, a ACA do outro lado supre ambos os lobos frontais mediais. A artéria
comunicante anterior conecta as artérias cerebrais anteriores direita e
esquerda e proporciona circulação colateral potencial da circulação anterior
do lado oposto.
FIGURA 9-4
O segmento horizontal da artéria cerebral anterior dá origem a múltiplas
ramificações. Algumas cursam inferiormente para suprir a superfície superior dos nervos ópticos e do quiasma óptico. Ramos dorsalmente
direcionados penetram a superfície cerebral orbital para suprir o hipotálamo
anterior, o septo pelúcido, a parte medial da comissura anterior, as colunas
do fórnice e as estruturas do lobo frontal basal (chamadas de substância
perfurada anterior ou substância inominada). O maior ramo do segmento
horizontal é chamado de artéria recorrente de Heubner. Ela surge mais
frequentemente a partir da arté-ria cerebral anterior perto da sua junção com
a artéria comunicante anterior. Na maioria das vezes, a “artéria de Heubner”
é um grupo de pequenas artérias paralelas em vez de um vaso único. Elas
suprem a porção anteromedial do núcleo caudado e a porção inferior
anterior do ramo anterior da cápsula interna.
As porções inter-hemisféricas proximais das artérias encefálicas
anteriores têm ramos orbitofrontais mediais que viajam anteriormente ao
longo do giro reto para vascularizarr a parte medial dos giros orbitais e os
bulbos e tratos olfativos e ramos das artérias frontopolares para os giros
frontais superiores. A artéria cerebral anterior então passa em torno do
joelho do corpo caloso e nesta localização geral, divide-se em ramos
calosomarginal e pericaloso. A artéria calosomarginal passa sobre o giro do
cíngulo para cursar posteriormente dentro do sulco do cíngulo. Ela fornece
ramos anterior, médio e posterior para os lobos frontais mediais. A artéria
pericalosa cursa posteriormente, abaixo e em paralelo a artéria
calosomarginal, em um sulco entre o corpo caloso e o giro do cíngulo. Ela
fornece ramos para os lóbulos parietal superior medial e pré-cuneal. A
artéria pericalosa faz anastomose com o ramo pericaloso da artéria cerebral
posterior variável, geralmente perto do esplênio do corpo caloso.
Artérias Cerebrais Médias
As artérias cerebrais médias surgem a partir da bifurcação da artéria
carótida interna logo lateral ao quiasma óptico. A porção do “tronco
principal” das artérias (M1) cursa horizontalmente em uma direção lateral
para entrar no sulco sylviano. Três a seis artérias lenticuloestriadas mediais
e laterais surgem do tronco principal da artéria cerebral média e penetram a
substância perfurada anterior para suprir o núcleo da base e as porções
profundas dos hemisférios encefálicos. As artérias lenticuloestriadas
mediais suprem a porção exterior do globo pálido e as partes mediais do núcleo caudado e do putâmen. As artérias lenticuloestriadas laterais
suprem a porção lateral do núcleo caudado, do putâmen, o ramo anterior e o
joelho da cápsula interna e a coroa radiada adjacente. Os ramos temporal
anterior e frontopolar surgem a partir do tronco principal da artéria cerebral
média após as origens lenticuloestriadas.
Conforme elas se aproximam dos sulcos sylvianos, as artérias cerebrais
médias dividem-se em grandes divisões superior e inferior (atribuídas como
porções M2). A divisão superior supre as porções laterais dos hemisférios
encefálicos acima dos sulcos sylvianos, e a divisão inferior supre o lobo
parietal inferior e lobo temporal abaixo dos sulcos sylvianos. Estas divisões
principais dobram para cima ao redor da porção inferior da ínsula de Reil
para continuar para cima e para trás na parte mais profunda da fissura
sylviana entre a superfície exterior da ínsula e a superfície medial do lobo
temporal. A divisão superior da artéria cerebral média tem ramos
orbitofrontal lateral, frontal ascendente, rolândico e parietal anterior e
posterior. Quando o tronco principal da artéria cerebral média é curto, os
ramos lenticuloestriados podem surgir a partir da porção proximal da
divisão superior. A divisão inferior fornece ramos temporal posterior e
angular para suprir as porções laterais dos hemisférios encefálicos abaixo
dos sulcos sylvianos.
Artérias Meníngeas
As artérias e veias meníngeas estão localizadas ao longo da porção posterior
da dura-máter sulcando a tábua interna do crânio. Elas suprem a dura-máter,
as estruturas ósseas adjacentes, e formam anastomoses em ambos os lados
do crânio e com as artérias cerebrais. As suas principais importâncias
clínicas são: (1) lesões no crânio, especialmente fraturas, podem cortar as
artérias meníngeas, levando a hemorragias epidurais que requerem
drenagem urgente; (2) meningiomas são muitas vezes alimentados por
artérias meníngeas. O contraste para opacificação das artérias meníngeas é
muitas vezes diagnóstico na confirmação de que as lesões sejam
meningiomas e o bloqueio intervencional destas artérias de alimentação
pode levar à diminuição de um meningioma.
FIGURA 9-5
A artéria meníngea média, proveniente do sistema carotídeo externo,
através da artéria maxilar, é a maior das artérias das meninges. Ela fornece o maior suprimento sanguíneo para a dura-máter e surge a partir da artéria
maxilar e ascende imediatamente lateral ao músculo pterigóideo externo,
para entrar na calvária através do forame espinhoso. A artéria meníngea
média dirige-se para frente e lateralmente, através do assoalho da fossa
craniana média dividindo-se em dois ramos abaixo do ptério. O ramo
frontal (anterior) sobe através da asa maior do osso esfenoide e da escama
do osso parietal, formando um sulco na tábua interna da calota e então
divide-se em dois ramos que suprem a superfície externa da dura-máter a
partir da convexidade frontoparietal até o vértex e tanto quanto posterior ao
occipital. O ramo parietal (posterior) menor se curva para trás sobre a
região temporal para vascularizar a parte posterior da dura-máter.
A artéria meníngea acessória também pode surgir a partir da artéria
maxilar ou a partir da artéria meníngea média. Ela sobe através do forame
oval para suprir o gânglio trigeminal e a dura-máter adjacente dentro da
fossa craniana média.
O osso e a dura-máter da fossa posterior são supridos por (1) ramos
meníngeos da artéria faríngea ascendente, que passam através do forame
jugular, forame lácero e canal do hipoglosso; (2) ramos meníngeos da
artéria occipital, que passam através do forame jugular e do canal condilar;
e (3) o ramo mastóideo menor da artéria occipital, que passa através do
forame mastóideo.
Ramos do Sistema Carotídeo Interno
O tronco meningo-hipofisário tem três ramos principais. O ramo tentorial
entra na tenda do cerebelo no ápice do osso petroso, suprindo a margem
livre anterolateral da incisura tentorial e a base do tentório próxima à
fixação ao osso petroso. O ramo dorsal supre a dura-máter da sela dorsal e
do clivo, enviando pequenas ramificações para abastecer a dura-máter ao
redor do canal auditivo interno. A artéria para a porção inferior do seio
cavernoso se origina a partir da face lateral do segmento cavernoso da
artéria carótida interna.
Uma artéria meníngea anterior surge a partir da face anterior da artéria
carótida cavernosa e passa sobre a parte superior da asa do esfenoide para
suprir a dura-máter do assoalho da fossa anterior.
À medida que a artéria oftálmica passa medialmente e acima do nervo
óptico, ela origina o ramo lacrimal. A artéria meníngea recorrente surge a
partir deste ramo e passa através da fissura orbital superior para suprir a
dura-máter da parede anterior da fossa cranial média.
A artéria oftálmica também fornece vários ramos etmoidais. A artéria
etmoidal posterior deixa a órbita para suprir as células aéreas etmoidais
posteriores, a dura-máter do plano esfenoidal e a metade posterior da
lâmina crivosa. A artéria etmoidal anterior passa através do canal etmoidal
anterior para suprir a mucosa das células aéreas etmoidais médias e
anteriores e o seio frontal. Em seguida, entra na cavidade craniana, onde
emite um ramo meníngeo anterior para a convexidade da dura-máter e parte
anterior da foice encefálico.
Ramos da Artéria Vertebral
Os ramos meníngeos entram no crânio através do forame magno. O ramo
meníngeo anterior se origina a partir da parte distal do segundo segmento
da artéria vertebral logo antes da sua curva lateral no nível do atlas. Ela
ascende e passa anteromedialmente para suprir a dura-máter na margem
anterior do forame magno. O ramo meníngeo posterior surge a partir do
terceiro segmento da artéria vertebral entre o atlas e o forame magno. Ela
passa entre a dura-máter e o crânio, suprindo a borda posterior do forame
magno, a foice do cerebelo e a porção posteromedial da dura-máter da fossa
posterior.
Tipos de AVE
AVEs são divididos em duas grandes categorias: hemorragia e isquemia. A
hemorragia se refere ao sangramento dentro do crânio, no encéfalo ou de
líquido cerebroespinal ou membranas que envolvem o encéfalo. A isquemia
encefálica se refere ao fluxo sanguíneo insuficiente. A hemorragia e a
isquemia são opostos polares. A hemorragia é caracterizada por excesso de
sangue dentro do crânio e, na isquemia, não há fornecimento suficiente de
sangue para permitir a continuação do funcionamento normal eficaz do
tecido encefálico. A isquemia encefálica é muito mais comum do que a
hemorragia. Cerca de quatro quintos dos AVEs são isquêmicos.
Hemorragia
As quatro denominações de hemorragia são nomeadas pelas suas
localizações. Hemorragias dentro do tecido encefálico (dentro da pia-máter)
são chamadas de hemorragias intracerebrais; aquelas entre a pia-máter e a
aracnoide são rotuladas de hemorragias subaracnóideas. As hemorragias
no exterior da aracnoide, mas dentro da dura-máter, são chamadas de
hemorragias subdurais. E hemorragias fora da dura-máter, mas dentro do
crânio, são chamadas de hemorragias epidurais. Os diferentes locais de
sangramento têm causas diferentes.
FIGURA 9-6
As hemorragias intraencefálicas se desenvolvem gradualmente e estão
localizadas entre os tecidos normais do encéfalo. O sangramento é devido à ruptura de pequenos vasos sanguíneos, arteríolas e capilares dentro do
tecido encefálico. O sangramento é, na maioria das vezes, devido à
hipertensão não controlada. Os transtornos hemorrágicos, más formações
vasculares e a fragilidade dos vasos sanguíneos, por exemplo, devido à
infiltração com amiloide nas angiopatias amiloides encefálicas, são outras
causas comuns. O sangue normalmente entra no encéfalo sob pressão e
forma um hematoma localizado. O hematoma separa as estruturas normais
encefálicas e interrompe as vias encefálicas. Os hematomas também
exercem pressão sobre as regiões encefálicas adjacentes à coleção de
sangue e pode lesar estes tecidos. Grandes hemorragias são muitas vezes
fatais porque aumentam a pressão dentro do crânio comprimindo o tronco
encefálico.
Hemorragias subaracnóideas são geralmente causadas por ruptura de um
aneurisma que libera sangue instantaneamente no líquido cerebroespinal. A
liberação repentina de sangue sob pressão arterial aumenta a pressão
intracraniana causando intensa dor de cabeça de início súbito, muitas vezes
com vômitos e muitas vezes com um lapso no funcionamento encefálico de
modo que os pacientes podem arregalar os olhos, cair de joelhos, se tornar
confusos ou incapazes de se lembrar. Os sintomas em pacientes com
hemorragia subaracnoide se relacionam com anormalidades difusas da
função encefálica porque normalmente não há sangramento em uma parte
do encéfalo. Em contraste, nos pacientes com hemorragias intracerebrais, o
hematoma é localizado e causa perda da função relacionada com a área
danificada pela coleção de sangue local.
As hemorragias subdural e epidural são mais frequentemente causadas
por traumas na cabeça que rompem vasos sanguíneos. Nas hemorragias
subdurais, o sangramento é normalmente a partir de veias localizadas entre
a aracnoide e a dura-máter. Em hemorragias epidurais, o sangramento
resulta muitas vezes em rupturas de artérias das meninges. A ruptura é
frequentemente causada por uma fratura de crânio. O sangramento arterial
se desenvolve mais rapidamente que o sangramento venoso de modo que os
sintomas se desenvolvem mais precocemente após o trauma da cabeça em
pacientes com hemorragias epidurais. Em hemorragias subdurais, o
sangramento pode ser lento de modo que os sintomas podem ser retardados
por semanas após o trauma craniano.
Isquemia Encefálica
O fornecimento insuficiente de sangue no encéfalo é chamado isquemia.
Quando a isquemia é prolongada ela leva à morte do tecido – infarto.
Há três grandes categorias diferentes de isquemia encefálica – trombose,
embolia e hipoperfusão sistêmica; cada uma indica um mecanismo
diferente de lesão vascular sanguínea ou razão para diminuição do fluxo
sanguíneo. A diferença entre estes mecanismos é mais fácil de ser
compreendida usando a analogia do encanamento de uma casa. Suponha
que ao ligar a torneira do banheiro do segundo andar, não resulte em
nenhum fluxo, ou ainda, resulte em água gotejando para fora. O mau
funcionamento pode ser devido a um problema local, como o acúmulo de
ferrugem na tubulação de fornecimento que desce. Isto é análogo à
trombose, um termo utilizado para descrever um problema local que
envolve o fornecimento de uma artéria para o encéfalo. A aterosclerose ou
outra condição, muitas vezes estreita o lúmen arterial. Quando o lúmen se
torna muito estreito, o fluxo sanguíneo é gravemente diminuído, causando
estagnação localizada da coluna de sangue. Esta mudança no fluxo provoca
a coagulação no sangue, resultando em oclusão arterial total. Este é um
problema local em um cano; um encanador tentaria consertar o cano
bloqueado danificado. Da mesma forma, os médicos tratam tentando abrir
ou derivar uma artéria estenótica ou ocluída.
Em alternativa, o bloqueio do cano da pia do segundo piso pode ser
devido a detritos do sistema de água que vieram a se depositar no cano em
vez de um problema local que tenha começado no interior do cano. Uma
artéria craniana ou do pescoço que supre o encéfalo pode se tornar
bloqueada por trombos ou outras partículas que se rompem a partir de um
local anterior. A fonte pode ser a partir do coração, da aorta, ou a partir de
uma grande artéria no pescoço ou na cabeça localizada antes da artéria
bloqueada, ao longo do mesmo trajeto circulatório. O processo de partículas
se soltando e bloqueando artérias distantes é conhecido como embolia. A
fonte do material é chamada de local doador e o vaso de destino é chamado
de local receptor. O material é chamado de êmbolo e o processo é chamado
de embolia. O tratamento da embolia pode envolver o desbloqueio da
artéria ocluída e também a tentativa de evitar mais embolização.
Outra razão para o baixo fluxo na pia do segundo andar pode ser um
problema geral com a caixa d’água, a bomba de água ou a pressão da água.
Neste caso, o fluxo através de todas as tubulações da casa deve ser afetado.
Abrir as torneiras em outras partes da casa vai revelar a natureza do
problema. No corpo, este tipo de problema é chamado de hipoperfusão
sistêmica. O desempenho cardíaco anormal pode levar à baixa pressão do
sistema. Ritmos cardíacos anormalmente lentos ou rápidos, parada cardíaca
e insuficiência do coração em bombear sangue adequadamente podem levar
a diminuição da perfusão encefálica. A hipotensão e a hipoperfusão devido
a uma quantidade insuficiente de líquido no compartimento vascular do
corpo são outras causas. Hemorragia, desidratação e choque levam a
perfusão encefálica inadequada. Isso seria semelhante a ter um baixo
reservatório de água.
FIGURA 9-7
Em pacientes com embolia encefálica e trombose, uma artéria geralmente
está bloqueada, causando disfunção da parte do encéfalo suprida por esta artéria bloqueada. Isso provoca anormalidades focais na função encefálica,
como afasia ou hemiparesia. Estas anormalidades são similares àquelas
encontradas em pacientes com hematomas encefálicos locais. Em contraste,
a hipoperfusão sistêmica conduz a mais anormalidades difusas, tais como
tonturas, vertigens, confusão, déficit da visão e da audição e assim por
diante. Os pacientes aparentam palidez e fraqueza geral. Estes sintomas são
atribuíveis a uma redução generalizada no fluxo sanguíneo e não à perda da
função em uma região local do encéfalo.
Tempo e Evolução
Em pacientes com hemorragia intracerebral, os sinais e sintomas se
desenvolvem gradualmente ao longo de minutos ou horas. Melhoras e
flutuações não ocorrem durante este tempo. Em uma hemorragia
subaracnóidea aneurismática, os sintomas começam instantaneamente. Na
isquemia, a gravidade da diminuição da perfusão, a habilidade da circulação
colateral para acomodar os bloqueios e a vulnerabilidade das várias
estruturas encefálicas variam muito. As artérias trazem oxigênio, açúcar e
outros nutrientes necessários para a sobrevivência do encéfalo. A
subperfusão pode ser temporária, resultando em um déficit focal que dura
apenas alguns minutos; estes episódios são conhecidos como ataques
isquêmicos transitórios (AITs). Algumas vezes a isquemia é suficiente para
causar maior persistência dos sinais e sintomas, mas não é suficiente para
causar infarto encefálico. O tecido encefálico fica enfraquecido, mas pode
se recuperar se o fornecimento de nutrientes for restaurado rápido o
suficiente. Em pacientes isquêmicos, o curso de tempo varia e pode flutuar
com períodos de melhora, piora e estabilização.
Ataques isquêmicos transitórios são muito importantes de serem
reconhecidos. Muitos estudos mostram que pacientes com AIT têm um alto
risco para o AVE durante as horas e dias sucessivos. O AIT exige
diagnóstico e administração da causa com urgência. Os AITs fornecem uma
janela de oportunidades para os médicos intervirem antes que um AVE
ocorra, e os AVEs acontecem frequentemente em pacientes que tiveram
AITs. A maioria dos AITs é muito breve durando minutos e geralmente
menos de uma hora. Recentes estudos de ressonância magnética (RM) em
pacientes com AITs clínicos que não têm sinais ou sintomas residuais mostram que muitos, na verdade, tiveram infartos cerebrais – AVEs. A
distinção entre os AITs e os AVEs está desfocada e foi subestimada no
passado. Muitos médicos agora preferem o termo síndrome cerebrovascular
sistêmica aguda, que inclui tanto os AITs quanto os AVEs agudos. A
conduta depende da natureza, localização e gravidade das causas
cardiológicas, cerebrovasculares e hematológicas da isquemia encefálica.
Encontrar a causa e o tratamento é muito mais importante do que a
caracterização do curso e do tempo.
As estratégias terapêuticas se referem a quatro diferentes épocas de
tempo. A prevenção envolve estratégias de identificação e controle de
potenciais fatores de risco antes de o AVE ocorrer. As estratégias durante a
isquemia aguda envolvem reperfusão da área isquêmica e neuroproteção
(tornando a área isquêmica mais resistente ao infarto). Após o AVE, a
recuperação e a reabilitação são indicadas.
Avaliação clínica e tratamento do AVE
A informação diagnóstica mais importante é adquirida a partir de uma
história completa do paciente e muitas vezes de um colega ou ente querido,
com subsequentes exames neurológicos e vasculares profundos. A história é
direcionada a responder perguntas sobre o que (a causa da condição – a
patologia e a fisiopatologia) e onde (localização encefálica e vascular). Os
sinais e sintomas neurológicos e os exames vasculares fornecem
informações sobre a questão do onde. O diagnóstico diferencial da questão
“o que” depende da informação da história sobre (1) o tempo e a atividade
no momento e antes do aparecimento dos sintomas; (2) o curso dos
sintomas – transitório, gradualmente progressivo, remitente, flutuante e
assim por diante; (3) as condições médicas e cirúrgicas passadas e presentes
conhecidas, especialmente hipertensão, diabetes, doença cardíaca,
tabagismo, consumo excessivo de álcool, uso de drogas, doença vascular
periférica e obesidade; (4) AVEs passados; (5) a presença, natureza ou
momento de quaisquer ataques isquêmicos transitórios; (6) dor de cabeça
antes, durante e depois do início do curso do AVE e (7) a ocorrência de
convulsão, vômitos ou alteração do nível de consciência.
FIGURA 9-8
Todos os pacientes suspeitos de AVE requerem exame de sangue e de
imagem encefálica e vascular. É obtido um hemograma completo (CBC) incluindo contagem de plaquetas, ureia ou creatinina com taxa de filtração
glomerular e tempo de protombina ou relação normalizada internacional
(RNI). O encéfalo, as artérias que o suprem e as veias que o drenam podem
ser refletidos tanto usando a tomografia computadorizada (TC) quanto a
RM. As perguntas a serem respondidas pelo exame de imagem encefálica e
vascular são: (1) é(são) a(s) lesão(ões) encefálica(s) causada(s) por
isquemia ou hemorragia ou está relacionada com uma sintomatologia de
AVE não vascular? (2) onde é(são) a(s) lesão(ões) cerebral(is) e qual(is)
é(são) seu(s) tamanho(s), forma(s), extensão(ões), (3) qual é a natureza, a
localização e a gravidade das lesões vasculares, e como as lesões vasculares
e as anormalidades da perfusão encefálica se relacionam com as lesões
encefálicas?
A TC está prontamente disponível na maioria dos hospitais e
confiavelmente demonstra a presença ou ausência de hemorragia
intraencefálica. Imediatamente após o início do sangramento, os hematomas
intraencefálicos (HIEs) são vistos na TC como áreas bem circunscritas de
alta densidade, com bordas suaves. O edema se desenvolve durante os
primeiros dias e é visto como um aro escuro em torno o hematoma branco.
O sangramento subaracnóideo é demonstrado por um sinal de alta
densidade dentro do líquido cerebroespinal e cisternas encefálicas. Os
primeiros sinais de infarto encefálico incluem obscurecimento da densidade
dos núcleos da base, embaçamento da distinção entre a substância cinzenta
do córtex encefálico e a substância branca adjacente e perda da definição do
córtex insular. Mais tarde, o infarto aparece como uma lesão de baixa
densidade. Anormalidades vasculares específicas incluem artérias
hiperdensas indicando trombose ou fluxo lento e êmbolos calcificados
dentro das artérias. Os sinais e infarto na TC são muitas vezes sutis, quando
as imagens são tomadas várias horas após o início dos sintomas. A
visualização das imagens em um computador com habilidade de variar o
contraste ajuda a identificar anormalidades sutis e assimetrias.
As imagens de RM ponderadas por difusão (DWI) e as imagens por
recuperação de inversão atenuada de fluidos (FLAIR) são particularmente
úteis e sensíveis para a detecção de infartos encefálicos agudos. As áreas
infartadas aparecem brilhantes no DWI e escuras nas imagens de
coeficiente de difusão aparente (CDA). A localização, o padrão e a
multiplicidade das lesões isquêmicas DWI ajudam a sugerir o mecanismo causador mais provável do AVE. A positividade do DWI diminui durante os
primeiros 7 a 10 dias após o início do AVE. As lesões vistas em imagens
DWI (e confirmadas pelo CDA) geralmente, mas não sempre,
correspondem a áreas de infarto. Os exames ponderados T2 mostram
infartos estabelecidos como brilhantes. A RM também pode mostrar HIE
precisamente, especialmente quando são executadas imagens gradiente-eco,
ecoplanar e suscetibilidade-ponderada (T2*). Estas imagens ponderadas -
T2* (suscetibilidade) podem também mostrar trombos dentro das artérias
intracranianas e dos seios e veias da dura-máter.
A imagem vascular pode ser realizada utilizando TC (angiografia por
TC– ATC) ou RM (angiografia por RM–ARM) ou utilizando ultrassom. As
imagens de ATC e ARM podem ser obtidas simultaneamente com a
respectiva imagem primária encefálica. A ATC requer infusão de contraste
intravenoso. As artérias e veias intracranianas e do pescoço podem ser bem
mostradas por qualquer uma das técnicas. O ultrassom Duplex que inclui
uma imagem modo B combinada com uma análise de espectro Doppler
pulsada pode mostrar com precisão lesões oclusivas dentro das artérias do
pescoço. O ultrassom Doppler transcraniano (TCD) envolve insonação de
artérias intracranianas através da mensuração das velocidades de fluxo
sanguíneo usando uma sonda colocada na órbita, osso temporal e forame
magno. Áreas de estreitamento ou oclusão podem ser detectadas; estas
sondas também podem proporcionar um meio para monitorar materiais
embólicos que passem sob elas. A angiografia digital com contraste mostra
em mais detalhes as artérias intracranianas e do pescoço do que a ATC e a
ARM e hoje é usado para identificar as lesões vasculares não mostradas por
estas técnicas de rastreio; ela também é usada no momento de intervenções
intravasculares, tais como oclusão por molas de aneurismas, implante de
stent e extração de coágulo mecânico ou trombólise intra-arterial. Nos
pacientes em quem os AVEs causam convulsões, a eletroencefalografia
(EEG) pode ser útil.
O tratamento de pacientes com AVE agudo depende muito do tipo e da
causa do AVE. Nos pacientes com hemorragia subaracnoide, os aneurismas
e as más formações vasculares podem ser controladas por clipamento
cirúrgico craniano ou oclusão por molas através de uma abordagem
intervencionista intravenosa. A vasoconstrição que segue a hemorragia e a
cirurgia também é alvo para a terapia. Em pacientes que tiveram hemorragia intraencefálica, as principais estratégias terapêuticas são o
controle da pressão arterial, a reversão de diátese hemorrágica e a drenagem
do espaço ocupado pelos hematomas, especialmente aqueles que são
lobares e perto da superfície.
FIGURA 9-9
Em pacientes com isquemia encefálica aguda, a atenção é diretamente
voltada para a reperfusão das áreas isquêmicas. Quando um trombo-êmbolo bloqueia uma artéria, a trombólise intravenosa ou intra-arterial pode ser
indicada; alternativamente, o uso de stent ou dispositivos mecânicos nas
artérias bloqueadas pode também levar à recanalização. A maximização do
fluxo sanguíneo colateral, através da atenção à pressão arterial e ao fluxo
sanguíneo, pode aumentar a perfusão da zona isquêmica. Podem ser usados
anticoagulantes (heparina, varfarina, antagonistas diretos da protombina e
inibidores do fator X) para evitar a propagação e embolização de coágulos.
Além do tratamento do AVE agudo, a atenção deve ser direcionada para a
prevenção de futuros AVEs. Identificar e modificar os fatores de risco
potenciais é essencial. O pilar da profilaxia da isquemia encefálica é o
tratamento farmacológico usando agentes anti-hipertensivos, estatinas e
agentes que alteram a função plaquetária. Naqueles pacientes que tiveram
déficits residuais após o AVE, a reabilitação e a recuperação são
otimizadas.
Mecanismo etiológico incomum de AVE
Embora anormalidades ateroscleróticas do suprimento arterial encefálico
sejam as mais frequentes causas de AVE, muitas outras etiologias
necessitam consideração, especialmente em indivíduos jovens e naqueles
nos quais não há fatores de risco para aterosclerose. É importante a
avaliação do coração, artérias e veias do pescoço e intracranianas e do
sangue em todos os pacientes com AVE e ataques isquêmicos transitórios.
As condições mais comuns são embolia encefálica decorrente do coração,
especialmente em pacientes com arritmia e doença valvular, dissecção das
artérias do pescoço e intracranianas, embolia de placas da aorta, variadas
anormalidades e más formações vasculares e doenças no sangue que
promovam excesso de coagulação ou sangramento. A seguir, uma lista
parcial das condições.
Cardíacas
Uma variedade de diferentes doenças cardíacas serve como fonte para
embolia encefálica. A falha na bomba cardíaca pode levar a danos
encefálicos através de hipoperfusão sistêmica. Outras lesões cardíacas
causam AVE através do fornecimento de uma fonte de embolia para o
encéfalo: condições valvulares – reumática, calcificada, endocardite infecciosa e lesões fibróticas não infecciosas (endocardite Libman-Sacks
associada a lúpus eritematoso sistêmico e lesões valvulares similares em
pacientes com câncer e anticorpos antifosfolípides), calcificações do anel
mitral, implantação artificial cirúrgica de válvulas biológicas e mecânicas;
anormalidades miocárdicas – infarto do miocárdio, miocardite,
miocardiopatias; arritmias – fibrilação atrial, síndrome do nódulo sinusal;
neoplasias – mixomas, fibroelastomas; anormalidades septais – defeitos no
septo atrial e no forame patente oval.
Arteriais
Doenças vasculares também podem predispor à embolia artéria-para-artéria
assim como causar isquemia localizada devido à perfusão diminuída.
Algumas lesões vasculares causam sangramento. Ateromas da aorta,
especialmente aqueles que são móveis e protrusos podem, ocasionalmente,
levar a um AVE. A dissecção arterial, quer no sistema arterial carotídeo ou
no vertebral, requer uma análise cuidadosa. Estas ocorrem frequentemente
relacionadas com problemas aparentemente benignos, tais como um
paroxismo de vômitos ou lesões atléticas, como em lutas, acidentes de
esqui, quedas de cavalos e assim por diante. Outras lesões vasculares
primárias incomuns incluem displasia fibromuscular, arterite, síndrome
moyamoya, arterite Takayasu e enxaqueca grave. Certas condições
genéticas bastante raras requerem consideração no diagnóstico diferencial
do AVE. Estas incluem CADASIL (arteriopatia encefálica autossômica
dominante com infartos subcorticais e leucoencefalopatia), síndrome de
Ehlers-Danlos, pseudoxantoma elástico, progeria e angiopatia amiloide
encefálica. Malformações vasculares – aneurismas, malformações
arteriovenosas, angiomas cavernosos, anormalidades do desenvolvimento
venoso, varizes – predispõem à hemorragia. As infecções, tais como a do
herpes-zóster varicela vírus, podem invadir os vasos sanguíneos e causar o
AVE. A meningite algumas vezes causa inflamação arterial e AVEs.
Hematológica
O aumento da coagulação é visto devido a valores diminuídos de inibidores
usuais: proteína S, proteína C, antitrombina, proteína C-resistência ativada,
doença falciforme e outras hemoglobinopatias; anemia grave; trombocitemia; e distúrbios hemorrágicos – trombocitopenia, hemofilia e
prescrição de agentes antitrombóticos.
Venosas
Trombose dos seios da dura-máter, especialmente o seio sagital superior e o
seio lateral, é frequentemente associada a infarto encefálico, edema
encefálico e hemorragia encefálica. A oclusão de veias profundas é uma
causa importante de AVE em jovens. A oclusão das veias da superfície do
encéfalo pode também causar infarto e convulsões.