Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Cefaleia de Tipo Tensional e Outras Cefaleias Episódicas e Crônicas Benignas
FIGURA 13-8
Cefaleia de Tipo Tensional e Outras Cefaleias
Episódicas e Crônicas Benignas A cefaleia de tipo tensional (CTT), previamente chamada de cefaleia
tensional, cefaleia por contração muscular e cefaleia de estresse, é o
distúrbio de cefaleia primária mais prevalente e também ocorre com
frequência em indivíduos enxaquecosos. Tipicamente, a CTT é uma cefaleia
bilateral, de intensidade leve a moderada, não pulsátil e não acompanhada
por náuseas, vômitos ou fotofobia. Os indivíduos geralmente descrevem a
dor da CTT como “pressão”, “surda”, “semelhante a uma cinta”, “como um
chapéu apertado” ou como um “grande peso na cabeça”, às vezes associada
à sensibilidade muscular da cabeça, pescoço ou ombros. Estas cefaleias
podem ser desencadeadas ou exacerbadas por estresse e tensão mental.
A CTT crônica (15 dias por mês ou mais) é a forma mais prevalente de
cefaleia crônica diária. A CTT episódica geralmente dura de 30 minutos a 7
dias. É subclassificada em CTT episódica infrequente (menos de 1 dia por
mês) e CTT episódica frequente (1 a 14 dias por mês).
A fisiopatologia da CTT é pouco delineada, possivelmente incluindo
mecanismos do sistema nervoso periférico e do central. A suposição
etiológica prévia de uma contratura muscular pericraniana mantida não foi
documentada.
O tratamento envolve duas terapias primárias: aguda ou abortiva durante
um ataque e profilática diária para diminuir a frequência e/ou intensidade da
cefaleia. Paracetamol ou AINEs constituem os agentes de primeira linha
para o tratamento agudo. Analgésicos combinados contendo cafeína às
vezes são mais eficazes. Opiáceos e butalbital devem ser evitados,
considerando sua propensão a efeitos colaterais e abuso, particularmente o
desenvolvimento de agravamento da cefaleia.
A terapia profilática é adequada para cefaleias frequentes, incapacitantes
e de longa duração, que provoquem incapacidade importante. Os
antidepressivos tricíclicos constituem os principais agentes usados para
CTT. Alguns estudos sugerem que inibidores da recaptação da serotonina-
norepinefrina (mirtazapina e venlafaxina) sejam úteis. A modificação do
comportamento usando terapia cognitiva-comportamental, relaxamento ou
biofeedback por eletromiografia (EMG) pode ser útil. A terapia combinada
com antidepressivos tricíclicos e terapia comportamental pode ser mais
eficaz que qualquer modalidade isolada.
A cefaleia hípnica (“cefaleia do despertador”) ocorre em adultos mais
velhos, caracterizada por uma dor surda na cabeça que tipicamente os acorda do sono, ocorrendo à noite em horários semelhantes e
ocasionalmente em cochilos durante o dia. Ela não está relacionada com a
enxaqueca ou CATs. Não há estudos controlados sobre o tratamento da
cefaleia hípnica. Os tratamentos relatados com sucesso incluem cafeína à
noite, carbonato de lítio ou indometacina.
A cefaleia primária em facada é caracterizada por pontadas espontâneas,
transitórias, únicas ou múltiplas, de localização variável de dor durando
alguns segundos; que ocorrem menos de uma vez e até múltiplas vezes por
dia. Estas são mais frequentes em indivíduos com cefaleia por enxaqueca e
algumas vezes são superpostos à enxaqueca aguda. A maioria dos pacientes
não precisa de tratamento, porém indivíduos com ataques frequentes podem
se beneficiar de indometacina profilática.
A cefaleia primária que ocorre na tosse tem início abrupto desencadeado
por tosse ou esforço, tipicamente durando de 1 segundo a 30 minutos.
Embora geralmente seja benigna, uma anormalidade intracraniana,
particularmente um tumor na fossa posterior ou uma malformação de
Chiari, deve ser excluída por ressonância magnética (RM). O tratamento
profilático com indometacina geralmente é eficaz; acetazolamida,
propranolol e outros AINEs são eficazes em alguns pacientes.
A cefaleia primária de esforço ocorre durante ou após esforço físico,
tipicamente aumentando gradualmente ao longo de minutos durante a
atividade física. A dor é pulsátil, durando minutos a mais de um dia. O
exercício algumas vezes pode precipitar enxaqueca. Anormalidades
estruturais intracranianas, incluindo tumores supratentoriais e da fossa
posterior, aneurismas e malformações arteriovenosas com hemorragia
intraencefálica também requerem consideração. A RM encefálica e
angiografia por ressonância magnética (ARM) estão indicadas. A cefaleia
de esforço pode ser uma manifestação de isquemia cardíaca e, quando
houver suspeita, um eletrocardiograma (ECG) e outros exames cardíacos
devem ser realizados. O tratamento de cefaleia de esforço recorrente inclui
indometacina uma hora antes da atividade. Outras medicações que podem
ser úteis incluem propranolol e naproxeno.
As cefaleias primárias associadas à atividade sexual ocorrem em dois
tipos. A cefaleia pré-orgásmica começa com uma dor leve na cabeça e
pescoço durante a atividade sexual, que aumenta com a excitação sexual e
muitas vezes está associada a sensação de opressão do pescoço e mandíbula. Sua duração média corresponde a 30 minutos, mas varia de
minutos a algumas horas. A cefaleia orgásmica é súbita e intensa,
generalizada e explosiva/pulsátil e ocorre no momento ou imediatamente
antes do orgasmo. A cefaleia orgásmica primária deve ser diferenciada de
causas graves de cefaleia em trovoada, incluindo hemorragia subaracnóidea
e intraencefálica e dissecções arteriais cervicocefálicas. Cefaleias
orgásmicas primárias recorrentes podem ser tratadas com indometacina
profilática uma hora antes da atividade sexual prevista ou propranolol
diário. Medicações do tipo das triptanas são eficazes para o tratamento
agudo da cefaleia orgásmica primária.
Cefaleia por estímulo frio, antigamente conhecida como “cefaleia do
sorvete”, é uma cefaleia generalizada atribuída à ingestão ou inalação de
um estímulo frio. Também pode ocorrer após a exposição da cabeça não
protegida a um ambiente de baixa temperatura, como um clima muito frio
ou um mergulho na água fria.