Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Aura de Enxaqueca
FIGURA 13-4
Aura de Enxaqueca A aura de enxaqueca consiste em sintomas neurológicos focais transitórios
que tendem a durar de 5 minutos a 1 hora e podem ocorrer antes ou durante
a fase de cefaleia. Existem quatro tipos de aura de enxaqueca: visual,
sensitiva, de linguagem e motora. Os pacientes podem apresentar um ou
mais tipos e as auras podem ocorrer mesmo na ausência de cefaleia. O tipo
mais comum, a aura visual, pode consistir em sintomas visuais positivos
(luzes fracas, faíscas, lampejos de luz) ou sintomas negativos (visão borrada
ou perda de visão) nos dois olhos. A aura visual mais clássica é o escotoma
cintilante, que começa como uma pequena mancha brilhante ou borrada
imediatamente lateral ao ponto de fixação visual. Esta mancha se expande
durante 5 minutos a 1 hora até envolver um quadrante ou metade do campo
visual. Muitas vezes assume um formato curvo ou fusiforme, com uma
borda em ziguezague ou serrilhada, algumas vezes com aspecto
multicolorido ou brilhante. Esta borda irregular às vezes também é referida
como espectro de fortificação devido a sua semelhança com o topo de um
forte medieval. Com o tempo, os fenômenos visuais positivos tendem a se
deslocar para a periferia, deixando um ponto cego, ou seja, o escotoma, em
seu lugar.
Quando uma aura sensitiva acompanha a aura visual, ela tende a seguir a
aura visual em minutos. Esta aura tipicamente começa como parestesias
unilaterais em um membro ou um lado da face. A partir de sua origem, as
parestesias podem descer gradualmente pelo membro ou pela face,
geralmente com uma sensação de dormência subsequente que pode durar
até uma hora. A aura sensitiva também podem se expandir até envolver a
parte interna da boca, afetando a superfície interna de uma bochecha e
metade da língua. A disseminação lenta dos sintomas positivos (cintilações
ou formigamento) seguida pelos sintomas negativos (escotoma ou
dormência) é muito sugestiva de aura de enxaqueca e apresenta um
contraste importante com um evento isquêmico, como o ataque isquêmico
transitório, onde todos os sintomas começam ao mesmo tempo.
Uma aura de linguagem ocorre com muito menos frequência que as
auras de tipo visual e sensitiva. Ela consiste em problemas transitórios da
linguagem que podem variar de dificuldade leve para encontrar palavras a
disfasia franca com erros parafrásicos.
O tipo menos comum de aura, a aura motora, envolve fraqueza unilateral
dos membros e possivelmente da face. A maioria dos pacientes com aura motora também relata sintomas sensitivos e muitos também podem
apresentar outros ataques, incluindo aura visual, sensitiva ou de linguagem.
Quando o diagnóstico de uma aura motora for considerado, o mais
importante é distinguir uma fraqueza motora real de uma incoordenação
baseada na perda proprioceptiva causada por uma aura sensitiva. Até o
momento, estudos de pesquisa relacionaram a aura motora a três mutações
genéticas separadas. Como resultado, a aura motora é classificada
separadamente das outras formas de aura enxaquecosa e é referida como
enxaqueca hemiplégica. A enxaqueca hemiplégica pode ser adicionalmente
classificada como familiar ou esporádica. Os pacientes com enxaqueca
hemiplégica familiar apresentam pelo menos um parente de primeiro ou
segundo grau com o mesmo distúrbio. Acredita-se que a enxaqueca
hemiplégica esporádica (EHE) seja o resultado de uma nova mutação e um
paciente com EHE pode ou não apresentar uma das três variantes genéticas
já relacionadas com a forma familiar.
Outras variantes de enxaqueca
A enxaqueca de tipo basilar é uma variante de enxaqueca com aura em que
os sintomas mimetizam doença oclusiva da circulação encefálica posterior.
Estes incluem vertigem reversível, ataxia, diplopia, disartria e diminuição
da consciência. Por definição, a enxaqueca basilar deve apresentar pelo
menos um sintoma de aura e este deve ser originado do tronco encefálico ou
dos dois hemisférios simultaneamente. Se, por exemplo, o paciente
apresentar parestesias como parte de uma aura sensitiva, espera-se que estas
sejam bilaterais.
A enxaqueca oftalmoplégica é considerada rara e é vista com mais
frequência em crianças ou adultos jovens. Ela envolve uma cefaleia
semelhante à enxaqueca prolongada (possivelmente durando uma semana
ou mais) acompanhada ou seguida por paresia do terceiro, quarto e/ou sexto
nervos cranianos, que pode persistir por dias após o evento. Originalmente
considerada como uma variante de enxaqueca, a enxaqueca oftalmoplégica
foi reclassificada como neuralgia craniana. Em pacientes que apresentam
esta variante, lesões parasselares, da fissura orbital e da fossa posterior
devem ser excluídas por exames de imagem apropriados, particularmente
ressonância magnética (RM) e angiografia por ressonância magnética (ARM). Em alguns casos, a RM demonstra contraste por gadolínio dos