Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Encefalopatia Hipertensiva

FIGURA 9-28

 

Encefalopatia Hipertensiva A encefalopatia hipertensiva se refere às consequências para a função

encefálica associadas a aumentos graves e agudos na pressão arterial

sistêmica. Os efeitos da hipertensão grave envolvem uma variedade de

manifestações clínicas, incluindo crises tônico-clônicas generalizadas,

diminuição do nível de consciência, cegueira cortical e características de

fundo de olho de retinopatia hipertensiva ou hipertensão “maligna”. Este

quadro clínico tem uma imagem correlacionada na tomografia

computadorizada (TC) e especialmente na ressonância magnética (RM) na

forma de um sinal anormal que envolve especialmente a substância branca

dos hemisférios encefálicos, de modo predominante posterior. Devido a

estas mudanças tenderem a ser reversíveis após a normalização da pressão

arterial, a imagem inicial correlata de encefalopatia hipertensiva foi

inicialmente rotulada de síndrome de leucoencefalopatia posterior

reversível.

As características na RM da síndrome são edema vasogênico, que

corresponde a um sinal luminoso em sequências de imagens ponderadas

com difusão (DWI) assim como em mapas de coeficiente de difusão

aparente (CDA), a última diferenciação do edema vasogênico de infarto,

pois é esperado que este último mostre diminuição de sinal acompanhando

o sinal luminoso de DWI. Estas características são geralmente reversíveis, o

mesmo para as manifestações clínicas, incluindo cegueira cortical. As

características da síndrome de leucoencefalopatia posterior demonstram

variabilidade substancial, porque as mudanças na RM podem também ter

uma localização anterior, com envolvimento da substância branca assim

como da cinzenta e pode haver uma reversibilidade somente parcial.

Um aspecto importante desta doença que precisa ser enfatizado é que a

encefalopatia hipertensiva não é uma função da elevação dos níveis

absolutos da pressão sanguínea sistêmica, mas sim de um aumento na

percentagem da pressão sanguínea baseado na pressão sanguínea de base do

paciente individualmente. Assim, uma pessoa normotensa pode apresentar

esta encefalopatia após uma modesta elevação da pressão sanguínea,

enquanto um paciente hipertenso crônico pode exigir uma grave elevação

da pressão arterial para que a síndrome se desenvolva. Embora a maioria

dos pacientes experimente recuperação clínica com resolução concomitante

das alterações de imagem após o controle da pressão arterial, há um

potencial para a ocorrência de déficits persistentes como resultado de hemorragia intraencefálica concomitante nas áreas do encéfalo afetadas

pela encefalopatia.

Há certo número de variações na clínica, assim como na imagem em

pacientes que apresentam encefalopatia hipertensiva. Uma ocasionalmente

vista é uma síndrome que predominantemente afeta o tronco encefálico e o

cerebelo e se apresenta com dor de cabeça, náuseas e vômitos, assim como

sinais brandos e não específicos do tronco encefálico, tais como distúrbios

da marcha, na ocorrência do edema vasogênico nítido, algumas vezes

envolvendo toda a extensão do tronco encefálico. Em alguns casos, o

paciente pode efetivamente não ter quaisquer sinais clínicos de

comprometimento do tronco encefálico ao ter o edema vasogênico nítido

nesta área; isso destaca o fato de que as mudanças de imagem refletem o

edema, não o infarto.

A patogênese da síndrome clínica-radiológica de encefalopatia

hipertensiva é pensada de modo a refletir os efeitos de um aumento agudo

na pressão arterial, levando à necrose fibrinoide da parede arterial com

aumento na permeabilidade da barreira hematoencefálica e perda da

autorregulação encefálica, com o resultado final de formação do edema

vasogênico. Ainda não está claro porque a maior parte dos casos envolve os

aspectos posteriores dos hemisférios encefálicos. A teoria que prevalece é a

de que a circulação encefálica posterior tem menos inervação simpática do

que a circulação anterior, tornando-a assim mais propensa à vasodilatação

com desenvolvimento do edema encefálico, no caso de um súbito aumento

na pressão arterial sistêmica.